Pride

Mulher cis atacada por homem cis no banheiro não quer que seu caso seja utilizado contra pessoas trans


A mulher cis Kelly Herron, de 36 anos, negou querer utilizar o abuso que sofreu de um homem cis dentro de um banheiro feminino para contribuir com leis transfóbicas nos Estados Unidos. Segundo ela, mulheres trans têm direito de usar o banheiro feminino e o seu caso não foi autorizado a ser usado por grupos anti-trans.

Herron estava caminhando num domingo à tarde quando parou para usar o banheiro do Golden Gardens Park. Lá, um homem estava escondido em uma barraca e a atacou. Mas Herron gritou, chutou o homem e o prendeu em uma cabine, até a polícia chegar.

Embora o caso não tenha relação com uma pessoa trans, a história que virou inspiração tem sido utilizada por grupos que querem barrar a entrada de pessoas trans em banheiros de acordo com o seu gênero. E Just Want Privacy, do estado de Washington, tem até arrecadado dinheiro com a história dela.

O grupo enviou e-mails mostrando a foto de Herron e argumento de que o ataque evidencia que deve-se revogar as leis de proteção a pessoas trans. E que elas devem utilizar o banheiro de acordo com a sua genitália. “Cada semana produz novas histórias de homens desviantes que encontram maneiras de acessar espaços vulneráveis das mulheres para explorá-las”, diz o e-mail.

Mas Herron resolveu se pronunciar e dizer que está mais chateada com o fato de usa história ser utilizada para defender medidas transfóbicas que o incidente em si. “Eles estão me explorando. É uma completa violação do trauma que eu sofri e que estou me recuperando em nome da discriminação contra pessoas transgêneras. Eu me recuso a permitir que alguém me use ou use a minha horrível agressão sexual para causar danos e discriminação a outros”.

Segundo ela, já é ilegal entrar em um banheiro ou vestiário e agredir alguém. E que proibir que mulheres trans estejam em banheiros femininos não vai diminuir as agressões às mulheres cis. Ela também afirma que permitir que pessoas trans frequentem banheiros de acordo com a sua identidade de gênero é mais seguro para essa população.

“É por isso que quando os defensores do I-1552 (em Washington, que querem barrar a presença de pessoas trans em banheiros de acordo com a identidade de gênero) afirmam que querem proteger as mulheres e crianças contra ataques, eles não me enganam. Eu não tenho nenhum problema com pessoas transgêneras no banheiro comigo. É o lugar que é mais seguro para elas e elas não devem ter que mostrar um documento de identificação para poderem pertencer a este espaço”, declarou.

About Neto Lucon

Jornalista. É formado pela Puc-Campinas e pós-graduado em Jornalismo Literário pela Academia Brasileira de Jornalismo Literário. Escreveu para os sites CARAS Online, Virgula e Estadão (E+), Yahoo!, Mix Brasil, no jornal O Regional e para a revista Junior. É autor do livro-reportagem "Por um lugar ao Sol", sobre pessoas trans no mercado de trabalho. Tem quatro prêmios de jornalismo, sendo dois voltados para as questões trans, Claudia Wonder e Thelma Lipp

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