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Professor Pasquale diz que correto é falar “A” travesti: “Uso mais adequado e coerente”


Não é de hoje que sabemos que se deve utilizar os artigos e pronomes femininos para se referir a UMA travesti. Ou seja, A travesti, delA, para elA, professorA... Mas há sempre quem apela para o significado do dicionário, que ainda ostenta uma definição atrasada.

Prova disso é que o professor de português Pasquale Cipro Neto, considerado um dos maiores especialistas sobre língua portuguesa, afirmou que a língua se transforma à sua utilização e afirmou que o correto atualmente é falar “A TRAVESTI”.

A declaração foi feita nessa quinta-feira (30), durante o programa “Encontro com Fátima Bernardes”, da TV Globo. “A língua é uso. Durante muito tempo usou-se ‘o’ travesti. Mas nessas questões que foram relatadas (sobre o significado que deu-se ao longo do tempo) impuseram um novo uso, mais adequado e mais coerente. É por aí. A língua tem esse papel de chancelar e confirmar essas evoluções e mudanças pelas quais passamos”.

Para quem não sabe o significado, travesti é a pessoa que foi designada homem ao nascer, mas que se identifica com o gênero feminino e com a identidade de travesti. Mulher transexual é a pessoa que foi designada homem ao nascer, mas que se identifica com o gênero feminino e é uma mulher.

Durante o programa, a atriz cis Carolina Ferraz, que interpreta uma travesti no filme A Glória e a Graça, disse que quando se trata de travestis, mulheres transexuais e transgêneras sempre deve-se tratar no feminino. “Todas somos mulheres, somos todas femininas, é a travesti, a mulher trans. Isso já facilita um pouco”.

Sobre quem ainda insiste na linguagem preconceituosa, o professor afirma que o ser humano recusa aceitar o diferente. Mas que é fundamental aceitar a diferença, aceitar o que não é padrão ou “normal” entre aspas. “Já disse o filósofo que quando todo mundo pensa do mesmo jeito é sinal de que ninguém está pensando”.

HOMENS TRANS

No programa, esqueceram de falar dos homens trans ou transmasculinos – pessoas que foram designadas mulheres ao nascer, mas que se identificam com o gênero masculino e são homens. Para eles, deve-se utilizar artigos e pronomes masculinos: os homens trans, para eles, deles, ELES.



NÃO-BINÁRIOS

Esqueceram também das pessoas não-binárias, que não se identificam com o binarismo de gênero. Nestes casos, o tratamento ainda é discutido, uma vez que a língua portuguesa não apresenta artigos neutros. Mas há estratégias (como o final ‘e’, com a utilização de ‘x’, entre outras) para que haja respeito. Na dúvida, pergunte como a pessoa quer ser tratade/i/x/@.

TRAVESTILIDADE, TRANSEXUALIDADE, TRANSGENERIDADE

Durante o programa, foi debatido que durante muito tempo utilizou-se a palavra “homossexualismo” para falar sobre pessoas que se relacionam com outras do mesmo sexo/gênero. Porém, há 27 anos, ela deixou de ser considerada doença e adotou-se a palavra “homossexualidade”.

O sufixo “ismo” conotava doença, enquanto o novo termo colocava a entender que era apenas mais uma característica da pessoa.

As identidades trans ainda estão patologizadas pela Organização Mundial da Saúde. Mas assim como a homossexualidade já foi um dia considerada doença, há uma expectativa de que a OMS despatologize. Portanto, é correto falar “travestilidade”, “transexualidade” e “transgeneridade” ao invés de utilizar o sufixo “ismo”.

“Teoricamente, se você procurar no dicionário, dá que homossexualismo é o mesmo que homossexualidade. Mas é preciso que haja adaptação para novos conceitos. Na língua vamos encontrar sufixos com o mesmo valor, com outros, que vão além da correção gramatical, linguística ou etimológica. Estamos atrasados. Até outro dia era visto como doença e isso é uma loucura”, afirmou o professor.

5 comentários

Malena Mordekai disse...

Sobre pessoas não binárias, o pronome usado depende do indivíduo. Como você deixou claro o ideal é perguntar. Isso depende em parte da identidade n-b específica e de como a pessoa se sente mais confortável.
Eu mesma sou n-b e não uso pronomes neutros, usando femininos e masculinos, sendo os femininos muito melhores.
Fora isso é bom ressaltar que, cada vez mais, tem-se rechaçado o uso do @ por não ter equivalente na fala e atrapalhar pessoas com dificuldades de leitura. Eu achava até legal usar @ pra mim (por eu usar masculino e feminino, como mencionei) mas hoje em dia não uso por essa questão de convivência e conveniência mesmo.

Laura Franzolin disse...

Excelente artigo. A abordagem ficou excelente.
Também fiquei feliz em aprender algo novo. Não conhecia a maneira correta de tratar os não binários. Espero que algum dia isso seja normatizado em nossa língua para todos os gêneros. Excluindo o tratamento no masculino e feminino e formatando a nossa escrita e fala para abranger e abraçar pessoas, sejam elas quem forem.
Sei que é algo muito utópico, porém sonhar é de graça!

Anônimo disse...

Não há necessidade de uma genitália para designar se é ou não uma mulher.

melissabruni disse...

Então me explique uma coisa,e para o coletivo trans(homem e mulher)qual seria o modo correto para se reverir a todos juntos no plural?Os transexuais seria o correto?..

Anônimo disse...

Eu gostei do seu texto, porém o trecho "(...) pergunte como a pessoa quer ser tratade/i/x/@. " doeu no meu "ouvido mental". A pessoa é feminino, não importa se você está se referindo a um homem, uma mulher ou uma pessoa não-binária. O desafio da linguagem neutra é justamente este, adaptar a sua expressividade para usar termos com gênero fixo ("pessoa" sempre vai ser conjugada no feminino).

Recomendo ler este texto para maior esclarecimentos: https://partidopirata.org/deixando-o-x-para-tras-na-linguagem-neutra-de-genero-por-juno/

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