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Quatro adolescentes acusados de matar travesti Dandara serão internados por 45 dias


Por Neto Lucon

O juiz Epitácio Quezado Cruz Júnior expediu 
no sábado (04) o mandado de internação dos quatro adolescentes acusados de agredir e matar a travesti Dandara dos Santos no dia 15 de fevereiro. Eles foram encontrados e levados para um centro socioeducativo na capital nesta terça-feira (07).

De acordo com o Tribunal de Justiça do Estado do Ceará, os adolescentes estão internados provisoriamente por 45 dias. Os dois adultos continuam foragidos.

A Delegacia da Criança e do Adolescente (DCA) pediu na sexta-feira (3), por meio da delegada Arlete Silveira, a internação dos adolescentes. O que só ocorreu no sábado (4), pois teve que se ouvir o Ministério Público do Ceará por se tratar de adolescentes, como determina o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA).

Os pedidos de prisão dos adultos suspeitos foram realizados no dia 23 de fevereiro pelo 32º DP e expedidos na segunda-feira (6). A investigação ocorreu em parceria do 32º DP, que tem como titular o delegado Bruno Ronchi, uma inspetora da Polícia Civil, do 12º DP, que conhecia Dandara, e a delegada Arlete Silveira, por conta dos adolescentes envolvidos.

Policiais durante a operação que prenderam os quatro menores
André Costa, secretário de Segurança de Defesa Social do Ceará (SSPDS) declarou que a ação aconteceu no Bairro Bom Jardim, onde o crime aconteceu. Três dos presos aparecem nas imagens divulgadas, além daquele que participou da filmagem.

"Atos como desses covardes e vagabundos não são admitidos por nenhum cidadão de bem nem pela polícia. Precisamos de mais educação e orientação às pessoas, que aprendam a respeitar o próximo. A intolerância só gera consequências ruins. O povo cearense merece essa resposta e uma política de proteção às minorias", disse André.


TRANSFOBIA MATA

Dandara foi brutalmente assassinada no dia 15 de fevereiro. Mas o caso só causou comoção 18 dias depois, quando o vídeo do crime caiu nas redes sociais. No vídeo, um filma enquanto os outros agridem com pedaços de pau, chutes, chinelo e socos e pedem para ela subir em uma carriola.


Ela é chamada de “viado sem peito”, “imundiça” de calcinha e tudo” e é constantemente agredida.

Ao ser colocada em cima da carriola, elas continuam com a violência. Dandara apresentava sinais de agressão na cabeça e por todo o corpo. A pessoa que filma diz em tom de deboche: “Eles vão matar o viado”.

De acordo com o jornal local O Povo, a Divisão de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) contatou que além das agressões, Dandara também foi baleada. Não há dúvidas de que o crime tenha sido realizado por transfobia.


REPERCUSSÃO

No dia do assassinato, a mídia local noticiou o crime de maneira transfóbica, chegando a chamá-la de traveco. Na internet, 18 dias depois, não havia nenhuma informação, apenas uma postagem de uma amiga de Dandara, registrada pela Rede Trans.

Na sexta-feira (3), após a divulgação do vídeo do crime, integrantes travestis e transexuais da comunidade Mundo T-Girl pediram para que o NLUCON apurasse. E em conversa com o NLUCON, o inspetor Damasceno do 32º DP, afirmou que os seis acusados já foram identificados.

+ Após vídeo vazar, polícia identifica acusados de matar travesti Dandara dos Santos em Fortaleza

Neste sábado (4) o caso ganhou grande repercussão, sendo capa do jornal O Povo e autoridades se manifestaram contra a transfobia sofrida pela travesti. O governador do Ceará, Camilo Santana disse, por exemplo, que os envolvidos não ficarão impunes.

Vários grupos farão manifestações contra a transfobia. E o NLUCON colaborou com a elaboração e apoia a campanha #PelaVidaDasPessoasTrans

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