Pride

“Sem um nome que nos represente, não existimos, somos abomináveis”, diz João W Nery


Durante a sua palestra no Instituto Nacional de Infectologia da Fundação Oswaldo Cruz, no Rio de Janeiro, no dia 27 de janeiro, o escritor João W. Nery, de 66 anos, falou que o direito mais urgente atualmente para a população trans é lutar pelo direito ao nome. As informações são do De Fato. 

“Acho que a necessidade fundamental é o reconhecimento de um nome. Sem um nome que nos represente, não existimos, somos completamente invisíveis, abomináveis, objetos na sociedade”, declarou João, ressaltando o desemprego, a marginalidade e violências em que são expostos.

É por esse motivo que João luta, bem como outros militantes e ativistas, para que seja aprovada a PL 5002/2013, dos deputados federais Erika Kokay (PT-DF) e Jean Wyllys (PSOL-RJ), conhecida como PL João Nery, de identidade de gênero. “A aprovação desse projeto de lei seria a nossa liberdade”.

Isso porque atualmente para fazer a retificação de nome e gênero na documentação, a travesti, mulher transexual e homem trans precisa entrar com uma ação judicial, passar por critérios e laudos para conseguir ou não a autorização de um juiz. E pode ser um processo demorado. Com a aprovação da lei, a pessoa trans teria autonomia sobre o seu próprio nome e gênero e a retificação facilitada.

A PL está na Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara dos Deputados e recebeu favorável do relator em maio de 2016. O texto ainda precisa passar pelas comissões de Seguridade Social e Família, Finanças e Tributação; e Constituição, Justiça de Cidadania antes de ir ao plenário da Casa.



Nos anos 70, sem a possibilidade de retificar o nome, João se registrou em um cartório como se não tivesse documento. Perdeu o seu diploma de psicólogo. Atualmente, ele vive da venda do livro “Viagem Solitária” e ao lado da mulher, com quem está casado há 20 anos.

HOMENS TRANS

Em um censo feito por meio do Facebook, ele levantou que existem pelo menos 3 mil homens trans. Desse grupo, eles dialogam sobre os melhores (e piores) profissionais, como psicólogos e advogados, que lidam com a população trans.

“Já tive infarto e fiquei um mês na CTI (Centro de Terapia Intensiva) de um hospital. Os profissionais de saúde não estão preparados para lidar com o corpo trans”, declara ele, ressaltando que homens trans são invisibilizados.

About Neto Lucon

Jornalista. É formado pela Puc-Campinas e pós-graduado em Jornalismo Literário pela Academia Brasileira de Jornalismo Literário. Escreveu para os sites CARAS Online, Virgula e Estadão (E+), Yahoo!, Mix Brasil, no jornal O Regional e para a revista Junior. É autor do livro-reportagem "Por um lugar ao Sol", sobre pessoas trans no mercado de trabalho. Tem quatro prêmios de jornalismo, sendo dois voltados para as questões trans, Claudia Wonder e Thelma Lipp

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