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Trááá! MC Linn da Quebrada responde diferenças de travesti e mulher trans no “Amor e Sexo”


O programa Amor e Sexo, apresentado na sexta-feira (03), discutiu sexo, identidade de gênero, discriminação e orientação sexual. O programa trouxe diversos convidados – a maioria de drag queens – e tentou mostrar que a diversidade era o melhor caminho para a felicidade.

Com o intuito de explicar as nomenclaturas - embora nem sempre
Eu quero ser tudo o que eu puder ser
utilizando termos politicamente corretos - Fernanda Lima perguntou para a plateia quem era mulher cis, homem cis, mulher trans, homem trans, e outras. E as pessoas iam levantando a mão, após a explicação.


Wallace Ruy, que se considera uma mulher trans não-binária, por exemplo, explicou a sua identidade:

“Não sou nem 100% homem e nem 100% mulher, não passei pelo processo de hormonização, não passei por cirurgia, mantenho meu nome Wallace, não penso em mudá-lo. Então se há uma possibilidade de identificação e de poder me definir, eu quero ser tudo o que eu puder ser em toda a minha vida”, disse.

A drag queen Lorelay Fox declarou: “Drag não é expressão de gênero, a gente não vive no dia a dia. Eu sou um personagem”. E ao fim, a apresentadora mostrou que o marido Bruno Hilbert e o Bruno Miranda, o Borat do programa, estavam vestidos de drag queen.

TRA-VES-TI

Em dado momento, Fernanda perguntou para Mc Linn da Quebrada aquela máxima, entre a diferença de mulher trans. Fernanda havia explicado que mulher trans é alguém que nasceu com pênis e se identifica como mulher e que travesti é alguém que nasceu com pênis e transita na transgeneridade. E deixou o ator José Loreto confuso. Linn respondeu:
Lorelay Fox e Linn da Quebrada
“A travesti está dentro do território do feminino. Tem muitas coisas parecidas nesta identidade com a da mulher trans. O que difere são alguns pontos sociais. Eu acho até mais fácil a gente se perguntar: "Travesti, o que vem à sua cabeça?", questionou Linn. Fernanda respondeu: Prostituição.

Mc Linn continuou: E quando eu falo Mulher trans? A jurada Mariana Santos disse: “Roberta Close”.

MC Linnn conclui: “Então, parece que as diferenças estão mais ligadas a fatores sociais e, de certa forma, até econômica. Um termo médico, de certa forma mais asséptico, limpo, e outro termo mais marginalizado”. Fernanda conclui que é mais marginalizado porque “não é aceita em empregos formais”.

A cantora Assucena Assucena, das Bahias e a Cozinha Mineira, diz que querem que as travestis sejam seres noturnos, nas sombras. “Mas tem muito isso hoje: ‘bota a cara no sol, querida. Mostra muito o que a gente vive”.

HOMENS TRANS

Na plateia, três homens trans pediram para falar. O modelo Kaique Theodoro disse que em relação a direitos os homens trans estão invisíveis. “Agente está começando a subir pequenos degraus, caminhando muito lentamente”.

Jhordan Lessa, declarou, que chegou a ser “menino de rua, expulso de casa e esteve em um manicômio. Aos 49 anos, é servidor público no Rio de Janeiro e autor de livro. “Então a gente procura levar esta possibilidade de dizer que nós existimos e resistimos para aqueles meninos lá da periferia, que não tem acesso a esses canais que a gente tem”.



Theo diz que sente para ele ser reconhecido como homem trans é difícil porque ainda tem os intrusos. Fernanda pergunta o que é intrusos. Ele explica: os seios. Fernanda ri. “Então eu ainda sou visto como uma mulher lésbica e isso me invisibiliza. Porque o homem trans é visto quando eles já fizeram a cirurgia. Estou passando por todo processo. E estou no caminho”.

TRANSFOBIA

As cantoras falaram também sobre o que mais incomoda no cotidiano. Raquel Virgnínia disse que é quando tentam chamá-las no masculino. “O Rachel, o Assussena. Daí eu falo. Olha como eu vivo, olha como eu me visto...”.

Assussessa também disse que outra pergunta constante é se a pessoa trans passou pela transgenitalização. “É uma coisa horrível perguntar se você é operada ou não. Ninguém pergunta para as pessoas cis sobre a genitália delas”.

A artista diz que tudo isso é fruto do machismo, pois “tudo aquilo que você expressa com feminilidade sofre com misoginia. Toda vez que eu cruzava a perna eu era chamada de mulherzinha (como se fosse algo negativo), até eu compreender que esse termo mulherzinha era interessante (risos)”.



MC diz que a maioria das pessoas passam o bullying sozinhas, sem receber o apoio de outras. Mas fez o alerta: “Se você se manter neutra, já está tomando uma atitude”.

Liniker finaliza o programa cantando um dos clássicos: Geni e o Zepelin, de Chico Buarque, do álbum Opera do Malandro. Uma das interpretações fala sobre uma travesti que recebe pedradas da sociedade até um Zepelin chegar e querê-la para o sexo. A cidade se rende aos pés dela, mas foi só o Zepelin ir embora que voltam a jogar pedra e bosta na Geni, pois “ela é feita para apanhar, ela é boa de cuspir, ela dá para qualquer um, maldita Geni”.

Um comentário

Stefanny Guinlen disse...

GOSTEI DA FORMA SUAVE E DIRETA COMO FOI ABORDADA A MATÉRIA. SOU TRAVESTI, PROFESSORA , CINQUENTONA E MORO EM UMA CIDADEZINHA DO PARANÁ . NÃO É FÁCIL EXPLICAR A TODOS QUE CONVIVEM COMIGO TAIS DIFERENÇAS. CREIO QUE ESTA MATÉRIA SERIA UM MATERIAL RICO PARA SE DAR UMA AULA. AH ! SE PUDÉSSEMOS FALAR SOBRE O ASSUNTO EM SALA DE AULA.

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