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(+18) Modelo trans e gay, Ariel Nobre fica nu para os Chicos: “Me identifico com a cultura viada”


O modelo Ariel Nobre, que é homem trans e gay, é um dos modelos a posarem nu os fotógrafos Fábio Lamounier e Rodrigo Ladeira, dos Chicos. As fotos, que viraram livro, trazem imagens de homens em suas diversas belezas, formas e discursos.

Em conversa com o NLUCON, Ariel afirmou que gostou muito de participar do ensaio, que foi realizado em dezembro de 2015. E que valoriza projetos que colocam homens em situações que não sejam as de machão.

“O projeto abriu portas para a gente falar de masculinidades numa boa, como é ser homem, como é ser gay. É muito chato não poder chorar, não poder se afetar, não poder falar de sentimentos. Isso tem que deixar de ser classificado como ‘coisa de mulher’”, diz. 

O modelo afirma que se declarou homem depois de 27 anos sendo mulher, e que desde então teve dificuldade para encontrar espaços ditos masculinos para falar sobre sentimentos. "Acho os homens muito infantilóides quando se encontram. Falam de carro, do crush, da mulher, de droga, mas não falam de si”, reflete.



HOMEM TRANS GAY

Vale informar que homem trans é a pessoa que foi designada mulher ao nascer, mas que se identifica com o gênero masculino e é um homem. A identidade de gênero ou o genital não interferem em sua orientação sexual. Ou seja, assim como um homem cis, um homem trans pode ser gay, bissexual, hétero, pansexual, assexual...

Juntamente com o ensaio nu, o Chicos trouxe uma entrevista com Ariel gravada por Guilherme Santiago. Nela, o modelo afirma que a questão trans trouxe a possibilidade de sair de outros armários, como o de ser gay, das roupas que quer usar, com quem quer estar na rua e até de quem o aceita.

“É claro que sou um gay diferente e tal. Ser gay para mim foi também mais um armário que eu tive que sair. Eu nunca imaginei, no auge da minha sapatonice, que eu iria ser viado um dia”, disse.

E dentre as experiências que teve sendo “viado”, ele afirmou: “Uma das coisas que eu mais gosto em ser viado é a paquera. No metrô, por exemplo, existe uma comunicação muito rápida. ‘Quer transar, quer dar, sabe?’ (...) Eu sinto que às vezes se comunicou um tanto de coisa em 2 segundos. ‘Te pegaria, mas tô sem tempo’, por exemplo”.

Ariel também revelou que se achou na cultura “viadônica”, que adora livros de moda e que considera a “masculinidade hétero muito caída”. “Eu me identifico muito mais com uma cultura viada. Eu acho mais inclusiva, menos chata, eu me sinto melhor”, diz. Apesar de todas as descobertas, ele frisa que nenhuma luta está ganha. “É foda”.



PROJETO MAIS PLURAL

De acordo com Fábio, a presença de Ariel (e também de Juno – n-b que foi fotografado, veja aqui) contribuíram positivamente para o projeto, no sentido de trazerem histórias e vivências de identidade e de sexualidade que não tinham sido abordadas. O que deixou o projeto mais plural e enriquecido.

“Pessoas se sentiram representadas, outras tocadas pelos depoimentos. À medida que postamos novas histórias, pessoas criam essas conexões com elas – por já passarem por algo similar, ou reconhecerem a dor/conquista do outro. Claro que nosso projeto é um recorte ínfimo de tantas diferentes formas de ‘ser’ e se identificar, mas creio que Ariel e Juno contribuíram muito para deixar mais abrangente”, declara.

Ariel aprovou as imagens e a participação: "Amei o resultado. Geral gostou". A gente concorda
Após o ensaio, o belo teve outros trabalhos como modelo, como a propaganda da Avon com a hashtag Sinta Na Pele, e como ativista da população LGBT e dos direitos humanos em geral, como na manifestação Revolta da Lâmpada. 

Quem quiser ver ou rever todas as fotos do ensaio (e a entrevista em vídeo), basta clicar aqui.

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