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"Disseram que eu não teria futuro; enfim cheguei aos 52", diz militante travesti Keyla Simpson



Por Neto Lucon
Foto: Andréa Magnoni

A militante travesti Keyla Simpson completou 52 anos “muito bem vividos”, segundo ela mesma, neste mês. E num país onde a expectativa de vida de uma travesti ou mulher transexual é de 35 anos, ela diz que tem muito que comemorar e agradecer.

“A vida é muito boa para ser vivida em toda a sua plenitude. Chegar a essa idade me faz refletir muito porque eu, porque será que ainda continuo aqui?”, questionou em postagem publicada no Facebook.

Keyla falou que sente as mudanças no corpo, mas que lida bem com o passar dos anos. “As pernas já não são as mesmas, às vezes não obedecem os comandos, os cabelos teimam em mostrar uma névoa branca que eu insisto em cobrir, as rugas dão o primeiro sinal no meu rosto robusto. Eu não ligo, aliás, acho que nunca liguei”.

Ela, que é presidenta da Antra – Associação Nacional de Travestis e Transexuais – diz que ainda não sabe o que fará daqui 10 anos ou amanhã. “Vivo dessa forma, um dia atrás do outro, porque sempre me disseram que não teria esse futuro e eu confortavelmente acreditei. Enfim, consegui chegar aqui”, afirma.

Agora, ela diz que seus planos é de se tornar uma travesti centenária daqui 58 anos. “Quero a lucidez de hoje para continuar até lá. Não espero muito, espero o necessário que para mim já será o bastante. Enfim, amigas e amigos, quero ter permissão de vocês para continuar longe ou perto, merecendo esse convívio para que as amizades se fortaleçam mais e a gente possa continuar comemorando felicidades, chorando derrotas e perdas, lamentando os sonhos não realizados e celebrando sempre o AMOR. MUITO AMOR PARA NÓS“.
Keyla posa para a incrível fotógrafa Andréa Magnoni

Parabéns, Keyla, e muito obrigado por toda trajetória e luta em prol da população de travestis, mulheres transexuais e homens trans. É uma referência para todas e todos nós!

POEMA EMOCIONANTE

Keyla também declamou um poema bastante emocionante de Rafael Menezes, de Cabo Frio, Rio de Janeiro. “Ele não fez para ser um poema, foi feito uma apresentação dessas de Youtube para homenagear as trans que participaram do XVI ENTLAIDS no Rio de janeiro em 2009. Daí assisti ao vídeo e adorei e também vi o primor da escrita”.

Desde então, Keyla decorou o texto e apresenta ele para falar sobre as travestilidades e transexualidades. “Apresentei pela primeira vez num seminário no congresso nacional em 2010. De lá pra cá, isso tem me acompanhado desde sempre. E ainda ontem, tive que fazer pela enésima vez na Câmara Municipal de Uberlândia”

O vídeo mais recente não está aberto ao público (não conseguimos reproduzí-lo na página), mas encontramos Keyla declamando em outro momento e disponibilizamos para vocês. 


Assista abaixo:





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