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Fantástico mostra que relacionamento de pessoas trans poderia ser (e é) mais simples que olhar transfóbico


O último episódio da série “Quem Sou Eu?”, exibido na noite de domingo (2) pelo Fantástico, da TV Globo, abordou a vida amorosa de travestis, mulheres transexuais e homens trans heterossexuais. E mostrou que, apesar do preconceito, se relacionar com pessoas trans pode ser e é muito mais simples.

O programa começou com a história da cabeleireira transexual Alessandra Azevedo, de 29 anos, que nunca namorou. Ela diz que, apesar de ser bastante assediada, os homens tendem a ser bastante transfóbicos.

“Ele tem medo do que os amigos vão dizer, se vão fazer videozinho, se vão zoar. Me entristece quando isso ocorre, mas tem outras coisas que me deixam feliz. Hoje em dia o simples fato de olhar no espelho e me ver num corpo feminino me faz feliz”, afirma ela, que foi constantemente elogiada pela jornalista Renata Ceribelli pela beleza.

Ela disse que desde a infância sabe que é uma mulher, mas que há 11 anos – quando completou 18 – teve o “start” de que precisaria mudar. Há três, passou pela sala de cirurgia para a redesignação sexual (genital). Segundo ela, o preconceito não muda após a cirurgia: “O preconceito continua. Mas eu fiz a cirurgia sabendo do preconceito”.

No programa, Alessandra contou que além de nunca ter namorado continua virgem. “Eu tenho medo de entregar e a pessoa me decepcionar”, revela. Ela já chegou a se conhecer alguns homens que não demonstraram valer a pena. “Não queriam me apresentar para ninguém, não queriam me levar para o cinema, para nada. Perderam a chance de me conhecer como eu sou”, lamenta.
"Quando eu vejo que o homem é preconceituoso, digo logo que sou travesti. Isso assusta"

Hoje, a cabeleireira diz que é uma mulher com menos medo, vergonha e com menos receio do julgamento alheio. E, ao frisar a realização pessoal de ser quem é, demonstra que não precisa necessariamente de um relacionamento para ser feliz.

AS PESSOAS COMPLICAM DEMAIS

O namoro de Leonard Maulaz, que é estudante de psicologia homem trans, e de Carla de Oliveira, professora de educação física, dança e é uma mulher cis, demonstrou que o assunto (e o relacionamento com uma pessoa trans) pode ser visto de maneira mais simples.

Leonard conheceu a namorada na academia, quando passava pela hormonioterapia e já ostentava uma aparência dentro dos padrões que a sociedade considerada masculina. Começou com olhares, uma conversa, uma amizade até que começou a rolar...

“Fiquei um mês e pouco só na troca de olhares, mas pensei que era só amizade. Chamei para jantar e falei que sou trans. Ela não fugiu e eu achei estranho”, admite ele. Mas é que a namorada encarou a possibilidade de relacionamento com tranquilidade: “eu gosto de homens, me atraio por homens”. E Leonard é um homem!

“Não se veio à tona no meu coração uma coisa que eu não imaginava sentir. É uma calma, uma paz. Ele é uma pessoa linda, tem um corpo lindo, um coração lindo”, afirmou Carla.
"É só a nossa vida. As pessoas complicam demais"

Ao ser perguntada se gostaria de dar uma lição aos telespectadores, ela afirma: “Acho que não é lição, nós vivemos o que acreditamos, a gente segue o nosso coração. A gente vive o nosso amor, é só a nossa vida. Eu acho que as pessoas complicam demais”. Agora eles planejam formar uma família.

PAI E MÃE TRANS

E por falar em família, o dominical trouxe a história do gari Anderson Cunha e de Helena Freitas, operadora de telemarketing. Um homem trans e uma travesti que se relacionaram amorosamente e conseguiram biologicamente dar à luz Gregório, que foi gerado e amamentado pelo pai.

“As pessoas não acreditam. Na maioria das vezes pensam que ele é adotado por ser filho de um casal trans. As pessoas ficam impressionadas quando veem o Anderson amamentando”, afirma Helena.

Anderson afirma que durante a gravidez teve vergonha de andar na rua e que até comprava camisetas maiores para não mostrar a barriga. Mas diz que gostava dos momentos em que estava em casa com Helena, que passava a mão na barriga e que até chorava quando o bebê chutava.

Helena afirma que manteve a forma tradicional de casal - impossível não pensar nos defensores preconceituosos da "família tradicional brasileira". Ela afirma que a criança sabe reconhecer quem é o pai (Anderson) e quem é a mãe (Helena). E que ao longo do tempo pensam em falar para a criança sobre serem uma pessoa trans – que já lida com muita naturalidade, como deveria ser.
"É uma família nos moldes tradicionais"


E, assim como qualquer casal que se depara com o fim do relacionamento, Helena e Anderson se separaram até a reportagem ir ao ar. A advogada Carmen Fontenelle diz que a guarda compartilhada do filho vale para todos os casais. Nada muito diferente da realidade de muitos casais formados por pessoas cisgêneros heterossexuais, que também ocorre entre pessoas trans de todas as orientações sexuais.

O que prova que a única diferença é o olhar marcado pela ignorância e o preconceito.

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