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Homem trans Johi Farias comemora cirurgia no peitoral: “O terceiro braço se foi”


Por Neto Lucon

O homem trans carioca Johi Farias, que esteve no NLUCON falando sobre a vaquinha para a realização da mastectomia ou mamoplastia masculinizadora (a cirurgia que vai masculinizar o seu peitoral) (lembre aqui), realizou o seu sonho na última quinta-feira (30), às 11h, em Brasília.

Ele conta ao NLUCON que a cirurgia foi feita mesmo sem a vaquinha ter sido completada, com a ajuda e empréstimos de amigos e familiares. E que, por isso, as contribuições continuam sendo bem-vindas (para doar, clique aqui).

“Estou muito feliz. Ainda não estou acreditando. A cada minuto pego o celular para olhar a foto (que postei sem camisa). O terceiro braço se foi”, comemora. Ele dizia que encarava o peitoral, como um terceiro braço, sem função alguma, grudado e morto. “É uma das partes do meu corpo que não condiz com a forma que me idealizo”, afirmou.

De acordo com Johi, a princípio ele faria a cirurgia no Rio de Janeiro, com um cirurgião que daria um grande desconto por ser amigo de um amigo. Porém, após pedir uma bateria de exames, todos perceberam que o médico estava enrolando e que poderia não realizar a cirurgia.

“Isso foi numa quarta-feira à noite. Saí de lá muito triste e achei que tinha perdido minha última chance, pois não conseguiria o valor de antes que era muito alto. Entrei em depressão e passei a me dopar dia e noite. Isso durou uma semana. Não falava coisa com coisa, não saía da cama, não queria comer... Até que a Dandara (Vital, atriz, sua namorada), um amigo e a minha mãe se juntaram. Cada um pegou um empréstimo”, diz.
Johi em frente ao Instituto de Cirurgia do Lago

O novo médico, dr. Erick Carpaneda, chegou a pedir mais um exame, que ele realizou. Mas daí teve o dilema de pagar as diárias e ir para Brasília. “Chamei o Fred Sóter (homem trans que mora na cidade) e perguntei se poderia passar uns dias na casa dele, porque eu não teria dinheiro para as diárias. Ele disse que sim, outro amigo usou as milhas dele e comprou as passagens. Fred me buscou no aeroporto e eu chorei muito em Brasília”.

NA SALA DE CIRURGIA

No Instituto Cirúrgico, a conversa com o médico às 10h o deixou mais tranquilo e ele assinou os papéis. O cirurgião conversou, tirou dúvidas e perguntou como Johi gostaria que ficasse a cirurgia. “Ele é muito tranquilo e não é apegado a padrões, ao contrário, disse que cada um tem seu gosto e eu deveria dizer tudo que eu gostaria e tirar todas as dúvidas”, lembra.

Johi afirma que ao entrar na sala de cirurgia tomou um calmante e logo deram uma anestesia. Dentro de quase três horas, ele já estava no quarto. “Meu amigo que me acompanhou disse que o doutor entrou muito satisfeito e disse que foi uma cirurgia bem tranquila e que eu iria adorar o resultado”.

Na sexta-feira (31), foi retirada a atadura e Johi pode ver o resultado parcialmente. “Eu amei. Já confiava nele, era meu sonho realizar essa cirurgia com ele. Ainda estou de colete e amanhã volto para retirar os drenos. Na segunda (03) já devo poder tirar o colete com mais frequência, por enquanto tenho que manter”, revelou logo o pós-cirúrgico.




VIDA QUE SEGUE

Chega de usar binder, colete e faixa ao mesmo tempo. Chega de se machucar e ter problemas na coluna. Chega de enfrentar o sol todo amarrado, ter alergias e cortes.

Dores por conta da cirurgia? “Não tô sentindo dor, só incomodo por causa do colete”, afirma. No Rio de Janeiro, já é possível ver Johi feliz da vida ao lado da família e amigos – e sem camiseta – nas fotos publicadas nas redes sociais.

"Chegando ao Rio, vi aquela paisagem linda verde e azul ainda no avião. Agora me sinto ligado ao mar. Tenho uma amiga que me chama de golfinho, mas eu era um golfinho fora dágua. Posso respirar fundo, correr até cansar, nadar, pular, viver. Digo que o dia 30/03/2017 é o dia do meu nascimento", afirma. 


O próximo passo é manter a vaquinha e conseguir o valor doado por familiares e amigos para reembolsá-los. “Tenho que manter a vaquinha, porque foi um empréstimo grande, as parcelas vão vir e eu não vou conseguir pagar tudo”. A luta continua, só que agora com Johi muito mais à vontade e confiante com o próprio corpo. Como ele disse em uma postagem: "bom dia, liberdade".

Johi agradece a todas as pessoas que colaboraram e vão colaborar. E que consiga um emprego para ajudar quem ainda não conseguiu a cirurgia. Quem puder doar, clique aqui

Johi ao lado dos familiares e da namorada, Dandara

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