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Homens trans sobreviventes de estupro participam de projeto em que contam o que escutaram no ataque


Estupro é o ato e crime de forçar ou obrigar alguém, por meio da violência, ameaças e abusos psicológicos, a praticar ato sexo contra sua própria vontade. E o Project Unbreakable (Projeto Inquebrável) busca incentivar pessoas a falarem sobre o assunto para curar a violência sofrida por meio da arte.

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Ele, que num primeiro momento abordou as frases que mulheres escutaram (haja vista que o índice de violência sexual contra mulheres é grande), desta vez trouxe o depoimento de homens que sofreram abusos. Dentre eles, alguns homens trans.

Muitos dos casos apresentados mostram as agressões sofridas ainda na infância e adolescência, com ameaças de contar e até matar familiares. Alguns eram incentivados para mostrar que são homens, enquanto outros eram tratados como se fossem mulheres (mais uma violência em relação ao gênero feminino).

Dentre o relatos de homens trans está o de Mike, de 42 anos, eu contou ter sido estuprado por seu “amigo” cis quando tinha 20 anos. Ele segura um cartaz falando sobre o episódio, mas não mostra o rosto.

“Eu ainda não tinha aceitado o fato de ser transgênero. Ele tinha 26, era meu amigo e eu confiava nele. Ele me convidou para uma festa e colocou alguma coisa na minha bebida e enquanto me estuprava seus amigos filmaram. Quando eu o confrontei depois de vários dias, ele disse: ‘Só porque você não lembra não significa que você não gostou”.
Mike segura cartaz para o projeto
Outro, que mostrou o rosto, mas preferiu não expor o nome, contou que o abuso ocorreu de uma namorada cis. Ela não aceitava o fato de ele ser um homem trans. 

Ela disse: “Você é trans? Ah, não. Não faça isso com você mesmo. Não faça isso com o seu corpo. Ninguém quer saber de um trans” - minha namorada após a primeira vez que me estuprou. Após o estupro, afirmou: “Está vendo? Você é lindo como é”.
Homem trans relata que foi estuprado pela namorada cis

Pensando na importância de falar no assunto (vide a campanha: “Se não não ninguém falando, tem alguém fazendo), o NLUCON já falou sobre o estupro diversas vezes contra pessoas trans e cis e de diversos gêneros. E também sobre assuntos que resvalam nele, como a descriminalização do aborto (clique aqui e aqui).


Alexandre segura cartaz: "Homens trans contra a cultura
do estupro"
Sobre homens trans brasileiros, trouxe o relato de Alexandre Peixe dos Santos, que afirma que apesar de carecer de dados a violência sexual contra homens trans é comum e segue o padrão "corretivo", quando o agressor acha que vai mudar a identidade de gênero ou a orientação sexual da vítima.

"Temos corpos estupráveis, pelo motivo maior de não aceitarem nossos corpos pelo machismo. Mesmo tendo barba e ser passável, tornamos-nos alvos se descobrem, por exemplo, que temos mamas ou vagina. E isso pode acontecer nos mais variados ambientes", declarou.

Na reportagem, ele conta que sofreu violência sexual de quatro homens cis quando frequentou um bar. "Os caras que me estupraram diziam que eu iria aprender a ser mulher e a gostar do que mulheres gostam. No meu caso, não denunciei na época por causa da ameaça que fizeram, por medos dos meus pais e ainda mais pela vergonha. Minha filha é fruto desse estupro e só contei para ela no ano passado. Guardar esse segredo foi sufocante, mas hoje encaro como uma bandeira de luta". 


Você pode ler a reportagem na íntegra clicando aqui

O QUE FAZER APÓS SOFRER ABUSO SEXUAL?

- Embora seja muito doloroso e difícil, a vítima deve, em primeiro lugar, procurar uma Delegacia o mais rápido que puder. Caso a pessoa não se queixar, não será configurado crime.
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- Peça a companhia de amigos, companheiros ou familiares de confiança. Alguém que você confie e que não vá sair contando para todo mundo. Essa pessoa te dará suporte emocional e pode servir de testemunha sobre qualquer novo abuso sofrido.

- Por mais vontade que você esteja de se limpar, não se deve tomar banho e nem fazer uma ducha antes da denúncia. Peritos vão investigar as evidências físicas do seu corpo e isso pode servir de provas sobre quem te atacou. Leve roupas que tenham alguma secreção do crime.

- Da delegacia, será acionada condução para levar a vítima para exame de corpo de delito. Peça que os exames sejam feitos por algum profissional do gênero que você se sentir mais confortável.

- Após o exame, a pessoa é encaminhada para a ginecologia no mesmo Hospital. Embora seja procedimento corriqueiro, peça que te deem comprimidos de contracepção de emergência e para fazer exames de HIV/AIDS.

- Se possível, solicite e procure uma ajuda psiquiátrica ou de um psicoterapeuta, pois estes casos causam traumas e um profissional especializado pode ajudar a lidar com os sentimentos e a retomar a sua vida.

- Esteja ciente de que, por mais doloroso e difícil que seja viver após esta experiência, você vai conseguir superar. Seja paciente com você mesmo. E, o mais importante, não se responsabilize pela violência. A culpa não é sua.

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