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Travesti Veronica Rios morre aos 35 anos em decorrência de complicações do silicone industrial


Trinta e cinco anos é a expectativa de vida de uma travesti ou mulher transexual no Brasil. Na terça-feira (25), a travesti Veronica Rios fez parte desta triste estatística. Aos 35 anos, ela morreu em decorrência de aplicação de silicone industrial (uma das causas mais frequentes de mortes de travestis), em São Carlos, São Paulo.

Internada há 12 dias na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) da Santa Casa de São Carlos, ela teve falência múltipla de órgãos e coagulação intravascular disseminada e não resistiu.

Em São Carlos, ela era uma travesti bastante conhecida, tinha um pensionato onde moravam outras travestis e transexuais, e durante um tempo atuou como profissional do sexo e bombadeira. Verônica havia feito a aplicação há mais de 10 anos e somente no fim de 2016 começou a sentir dores e complicações.

Nas redes sociais, várias pessoas lamentaram a morte. Angela Lopes, militante e funcionária de uma rede de farmácias, diz que Verônica é uma das pioneiras de sua geração. “Forjada nas ruas, sobrevivente da exclusão e vencida por esse Cistema que nos impõe cruelmente ao modelo cisnormativos. O seu legado ficará. Seus afrontes ao machismo, ao patriarcado e ao falso puritanismo são-carlense serão lembrados”.
Verônica Rios em 2011: "afrontes ao machismo serão lembrados"
Verônica em foto tirada em 2013

Izabely de Luca também deixou a mensagem: “As coisas boas que passamos juntas serão eternamente lembradas, várias risadas, som alto para limpar a casa, tudo muito limpo e você sempre tão perfeccionista. Agradeço pela pizza que comemos. Obrigada por ser tão linda comigo sempre, Veronica, vou orar por ti vou sentir muitas saudades de tomar café contigo, te ver no dia do lazer. Todos sabemos que não existiremos para sempre na terra, porém na memória eternamente!”.

Rodrigo Echeverria escreveu que Veronica “fez sua historia deixou sua marca , deixou o seu legado. Sofreu preconceitos, mas nunca deixou de ir a luta e dar o seu melhor, sempre buscou qualidade de vida e bem-estar e acolheu em sua casa e em seu coração imenso todas as trans e sempre lhe deu conselhos e foi uma mãe para muitas, que hoje todas guardem as boas recordações, conselhos e tudo de bom que essa pessoa pode oferecer em plano terreno, descanse em paz ! Carinho eterno de seu amigo”.

O enterro de Verônica ocorreu na terça-feira, às 16h, no Cemitério Jardim da Paz, em São Carlos. 

O SILICONE INDUSTRIAL

A técnica de enfermagem Yascarah Silva, que é mulher transexual, membro da Rede Trans Brasil, diz que o uso do silicone industrial não é recomendado para humanos. “Apesar de saber desta prática ser comum, é importante frisar que o silicone industrial é usado na indústria automobilística para manutenção de pneus e painéis, e em obras para impermeabilizar azulejos”.
Yascarah fala dos riscos do silicone industrial

Ela destaca que no corpo humano pode provocar embolia, quando cai na corrente sanguínea, podendo provocar insuficiência respiratória; obstruir algum vaso ou artéria, provocando infarto agudo, além de trombose nos membros inferiores e evoluir para uma sepse (infecção generalizada), provocando a morte.

“Pode provocar também a formação de siliconoma, que é um tumor constituído do material que pode aparecer tanto no local da aplicação quanto em outra região do corpo, pois como é uma substância líquida, ela pode se espalhar facilmente pelo corpo. Quando isso acontece é que começam a aparecer os efeitos colaterais, que são as complicações do silicone industrial. A formação do siliconoma causa infecção e necrose, causando deformação local e na maioria dos casos não há como reconstruir os tecidos lesados”.

Se você tiver silicone industrial, atente-se a esses sinais: dor, vermelhidão, aumento da temperatura local, surgimento de manchas escuras, dificuldades de andar, dificuldade o uso de salto alto por longos períodos, febre. São indícios de necrose. Procure imediatamente uma unidade de saúde. Se você se submeteu a aplicação de silicone industrial há instantes e iniciou quadro de falta de ar ou dor no peito, procure imediatamente uma UPA ou hospital.

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