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“A Força do Querer” emociona ao trazer cena de travesti sendo agredida e expulsa de casa


A novela “A Força do Querer”, da TV Globo, emocionou na última terça-feira (09) ao trazer uma cena em que a personagem travesti Elis Miranda (Silvero Pereira), que para sobreviver encarna o motorista Nonato, é agredida pelo irmão e expulsa de casa.

A cena começa quando Elis conversa com uma amiga e fala sobre a sua relação com a família. “É claro que eu tentei ser como meus irmãos, mas eu não conseguia. De que adianta ficar brigando contra sua própria natureza? Vai acabar sofrendo ainda mais (...) Minha mãe não quis aceitar. Minha família nunca quis enxergar (...) É muito difícil ser diferente, a gente não quer ser diferente”.

Elis começa então a lembrar do momento em que teve um embate com o irmão. Ela estava no palco fazendo uma performance quando Elcio a viu e a tirou do palco. Ele alcança Elis e a chamou de “safado, sem vergonha”, que “envergonha a família” e disse que se ela colocar os pés dentro de casa ela a mataria. “Eu lembro até hoje e ainda dói”, afirmou.

Depois, ela contou que veio para o Rio de Janeiro pensando que teria mais oportunidades. Mas que não encontrou, tendo que se prostituir durante um tempo e, agora, trabalhar como maquiadora e fazer um bico como motorista. É por isso, e também pelo sonho de montar um espetáculo, que ela criou o motorista Nonato.

"Ninguém dá emprego para travesti. Se for não souber fazer uma maquiagem, cabelo, se não for artista vai acabar na pista. Não tenho nada contra as primas, não. Eu mesmo já fiz prostituição, mas vi que não era para mim. Daí eu criei o Nonato, fico interpretando Nonato. E estou juntando dinheiro, vou fazer meu show e quando sobra uma graninha, eu mando pra casa, para ajudar nas despesas de lá", afirmou. 






O texto de Gloria Perez só tropeçou ao confundir orientação sexual e identidade de gênero no início da conversa – “Como é que você descobriu ser gay?” – mas a interpretação de Silvero e a própria história de Elis conseguiu sensibilizar e emocionar os telespectadores.

Muitas pessoas declararam ter se emocionado com a cena, que refletiu a realidade de grande parte da população de travestis e transexuais do país. Ainda hoje, devido à transfobia, muitas não têm o acolhimento de seus familiares e são expulsas de casa. E grande parte não consegue oportunidade no mercado formal de trabalho, sendo que 90% desta população está na prostituição - muitas por imposição.

Assista a cena clicando aqui

About Neto Lucon

Jornalista. É formado pela Puc-Campinas e pós-graduado em Jornalismo Literário pela Academia Brasileira de Jornalismo Literário. Escreveu para os sites CARAS Online, Virgula e Estadão (E+), Yahoo!, Mix Brasil, no jornal O Regional e para a revista Junior. É autor do livro-reportagem "Por um lugar ao Sol", sobre pessoas trans no mercado de trabalho. Tem quatro prêmios de jornalismo, sendo dois voltados para as questões trans, Claudia Wonder e Thelma Lipp

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