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Conheça Kye Allums, o 1º jogador de basquete que revelou ser homem trans


Por Neto Lucon

Você pode não conhecer Kye Allums, mas o atleta de 27 anos fez história no esporte. Kye revelou ser homem trans quando era jogador de basquete da Universidade George Washington, em 2010, tornando-se o primeiro jogador de basquete publicamente trans da NCAA.

"Sociedade valoriza demais homens cis"
Logo após o anúncio, ele foi acolhido pelas companheiras e pelo treinador Mike Bozeman, que passaram a tratá-lo no gênero masculino. Nesta época, Kye não havia iniciado a hormonioterapia e a decisão foi de que ele continuaria competindo na equipe de mulheres, mas que seria tratado com o nome social e pronomes masculinos.

“Eu (revelei que era trans porque) precisava estar confortável. Essas meninas eram como minhas irmãs e eu não poderia jogar com elas se referindo a mim com pronomes femininos a cada segundo. Isso me tornaria disfórico. É como se você quisesse rasgar a pele do seu corpo. É um sentimento desconfortável e insuportável do mundo. Para trazer esse foco de volta ao esporte, eu precisava ouvir os pronomes masculinos”, declarou em recente entrevista.

Durante a carreira esportiva, Kye chegou a escutar diversas vezes que não era um homem e que estava apenas confuso. Mas ele dizia: “Cada um tem direito a opinião, mas eu sei exatamente quem eu sou”. E tentava se focar nos incentivos que recebia, como a da atacante principal Ivy Abiona, que declarou na época que ele é admirável por sua “coragem e fortaleza” e que todos viviam como uma grande família.
"Ganhar jogos para inspirar pessoas"

Quando participava de torneios contra outras universidade, ele diz que enquanto as adversárias o tratavam bem, o público olhava e o apontava “como se estivesse esperando que eu fosse um monstro de 10 pés”. Mas, desde que teve o nome social e os pronomes masculinos respeitados, nada atrapalhava a sua concentração. Era uma das feras do esporte. Tinha média de 7,4 pontos e chegou a ter 21 pontos em uma vitória por 58 a 50 contra La Salle.

No auge de sua exposição, ele foi questionado: “Ganhar os jogos ou inspirar os outros?”. E fez uma bela cesta de três pontos: “Ganhar jogos. E ao ganhar jogos espero inspirar pessoas”.

SOCIEDADE VALORIZA DEMAIS HOMENS CIS

Kye diz que mulheres trans esportistas também passam pelo mesmo olhar desconfiado. Neste caso, como se estivessem levando vantagem. Mas ele acredita que isso dá porque a sociedade falocêntrica e cisnormativa (que levam em consideração apenas pessoas cis e os corpos de pessoas cis) tende a ver pessoas que nasceram com pênis (sobretudo os homens cis) como se fossem super-humanos e que podem derrotar todas as pessoas que nasceram com vaginas (sobretudo as mulheres cis).

“E isso não é verdade. Este mundo valoriza os homens cis. Valorizamos os homens cis. Valorizamos os corpos masculinos. Nós não valorizamos as mulheres. As pessoas precisam parar de impor limites sobre o quão forte elas podem ou deveriam ser, e o que seus corpos devem ser parecidos”, defendeu em entrevista à Time.
Sobre o próprio corpo após a hormonioterapia, durante três anos e meio, o atleta afirma que sente que está “um pouco maior”. “Mas só porque agora tenho mais massa corporal não vai me dar uma vantagem que eu não poderia obter sem praticar ou sem treinamento”, pontua. “Esportes é sobre ganhar. Trata-se de competir. É sobre respeito. É sobre como você joga o jogo. Não é sobre o corpo em que você nasceu. Quando você vai fazer uma cesta, isso conta?”.

Ele permaneceu na equipe até maio de 2011, quando se formou em Belas Artes.

ATIVISTA PELOS DIREITOS TRANS

Aos 27 anos, ela viaja ao redor dos EUA para falar sobre a vida de pessoas transgêneros. E, sobretudo, dizer em escolas, faculdades e universidades como é possível incluir atletas trans em campeonatos. E também dá conselhos de como enfrentar o bullying.
"Certifique-se de que tenha um sistema de apoio positivo em torno de você"

Aos jovens atletas trans, que querem “sair do armário”, ele aconselha: “Certifique-se de que há um sistema de apoio positivo em torno de você. Saia apenas se estiver pronto. E só porque você vai falar que é trans não significa que você tenha que falar para toda a equipe. Você deve ser capaz de ir a um diretor atlético ou treinador. E também não há maneira certa ou errada de ser trans”.

Ele produziu um projeto I am Enough na internet, em que incentiva pessoas LGBTQ para falar sobre suas experiências e se fortalecer. Kye também escreveu o livro “Quem Sou Eu?”, em que apresenta poemas e cartas que escreveu sobre seus pais e sobre si mesmo. E participou do documentário The T World, que explica o que jovens trans passam.

Kye afirma que com o tempo a transfobia deve diminuir e a população trans deve ocupar cada vez mais o seu espaço. “A atitude de todos em relação às pessoas trans não vai mudar de um dia para o outro. E para alguns elas podem não mudar, mas eu acho que enquanto as pessoas trans continuam sendo verdadeiras e lutar pelo que acreditam, a mudança continuará acontecendo. As pessoas estando prontas para esta mudança ou não”.

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