Pride

Coordenadora transexual Paulinha Única vai capacitar policiais para abordagem a LGBTs em cidade do RJ


A militante transexual Paula de Oliveira, ou Paulinha Única, de 50 anos, tornou-se há dois meses coordenadora da Diversidade Sexual de Mesquita, cidade do Rio de Janeiro. E informou, em matéria do jornal Extra, que uma de suas ações será capacitar policiais e guardas na abordagem ao público LGBT.

Segundo ela, muitos policiais e guardas ainda tratam a população de gays, lésbicas, bissexuais, travestis, mulheres transexuais e homens trans com preconceito. Ela mesma já passou por situações de transfobia por policiais.

“Já fui tratada com preconceito por um guarda porque sou transexual. Fui pedir uma informação e ele nem se virou para responder”, declarou. Agora, ela já faz a aproximação com os policiais para a capacitação. 

Outras ações englobam a prevenção de ISTs (infeções sexualmente transmissíveis) e aids, fazer orientação nas escolas para combate aos preconceitos, oferecer tratamento hormonal a travestis e transexuais, cursos profissionalizantes a LGBTs, além de acompanhamento social e de saúde a LGBTs da terceira idade.



Única mulher transexual em um cargo público de coordenação da Baixada Fluminese, ela afirma que o convite surgiu do atual prefeito Jorge Miranda, logo após se candidatar a vereadora pelo PTdoB. “Vim candidata, mas nunca fiz acordo. O prefeito reconheceu o que fiz no passado e me fez o convite”, declarou.

Anteriormente, Paula trabalhou como cabeleireira – chegou a cortar o cabelo do prefeito quando ele tinha 13 anos - artista e a trabalhar em projetos de cunho social. Dentre eles, bingos beneficentes para arrecadar donativos para um orfanato, e concursos de beleza infantil. “As crianças gostavam de mim e eu comecei a ganhar respeito pelas coisas que fazia. Participava de atos mesmo sem ser convidada”, afirmou.

Paula conhece de perto os preconceitos por ser mulher transexual. Tanto que, além das exigências familiares de se comportar como homem, ela chegou a ser espancada por 14 homens quando tinha 16 anos. Na escola, ela chegou a ser suspensa três vezes por usar o banheiro das mulheres. Agora, ela está pronta para colocar a sua experiência e transformar as suas marcas em políticas públicas. 
Desejamos um excelente trabalho!

About Neto Lucon

Jornalista. É formado pela Puc-Campinas e pós-graduado em Jornalismo Literário pela Academia Brasileira de Jornalismo Literário. Escreveu para os sites CARAS Online, Virgula e Estadão (E+), Yahoo!, Mix Brasil, no jornal O Regional e para a revista Junior. É autor do livro-reportagem "Por um lugar ao Sol", sobre pessoas trans no mercado de trabalho. Tem quatro prêmios de jornalismo, sendo dois voltados para as questões trans, Claudia Wonder e Thelma Lipp

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