Header Ads

Adolescente trans Diego dos Santos faz discurso poderoso ao UNICEF: "violência vem desde cedo"

Diego em foto de Fernando Martinho / UNICEF

O adolescente trans Diego dos Santos Nascimento, de 16 anos, contou parte de sua história para o site oficial da UNICEF – Fundo das Nações Unidas para a Infância. E mostrou que, para quem é uma pessoa trans, a violência está presente desde a infância e adolescência.

+ Diego torna-se guerreiro ancestral em exposição de fotos; veja

Diego afirma que quando lembra da infância lembra de solidão, agressão psicológica, piadas, xingamentos, ofensas e, a partir dos 9 anos, violência física. Tudo isso “dentro do ambiente escolar”, conta ele, salientando que as agressões vinham dos colegas e também dos docentes.

“Pessoas trans não têm esse modelo de infância ‘despreocupada’, porque a violência vem desde cedo. O Brasil é o País que mais mata pessoas trans no mundo, o dobro do México, segundo colocado. As violências que uma pessoa trans sofre são notadas nas coisas do cotidiano. Questões triviais do dia a dia, como usar o banheiro e mostrar o documento de identidade, acabam sendo marcadores de violência muito fortes”, diz.

No relato, ele defende que é papel da família combater a violência, pois sendo o primeiro ambiente de socialização, caso haja acolhimento que pode preparar para o fortalecimento de outros. E que “cabe à escola o papel de debater, conscientizar, discutir, trazer essas questões para que elas façam parte do dia a dia de crianças e adolescentes. A escola é um local onde convive muita diversidade. As diversidades têm de ser contempladas nesse espaço”.

ME DESCOBRINDO

Ele afirma que aos 12 anos passou a se envolver com a militância feminista e LGBT por meio da internet. Aos 15, começou a participar de espaços de discussão e debates e entrou para o Instituto Brasileiro de Transmasculinidades, o IBRAT. Disse que teve uma maturidade compulsória.

“Com a militância, eu entendi que estava posta a possibilidade de ser um homem. Porque, até então, eu era só uma garota ‘estranha’, que não me adaptava”, diz.

Aos 16 anos, Diego cursa o segundo ano do ensino médio no Instituto Federal da Bahia (IFBA). Ele mora com a mãe em Tancredo Neves, bairro da periferia de Salvador, e integra o coletivo De Transs pra frente e a Rede Nacional de Adolescentes LGBT, apoiada pela UNICEF.

“É um espaço de conhecimento e troca. Mas é uma rede de afeto. Foi a primeira vez que eu me senti completamente inserido no local. Foi a primeira vez que eu estive num ambiente com uma galera 100% igual. Eu não precisava tomar cuidado com a linguagem que eu usava, porque estava no meio de uma galera que fala como eu falo. E isso fortalece o trabalho de militância”, comemora.

TRANSformador

Por meio da rede, Diego desenvolveu um trabalho transformador e que aponta caminhos para outras crianças e adolescentes. Dentre as ações, ele visita escolas e universidades, promove rodas de conversas, debates com estudantes da mesma faixa etária e repassando o que aprendeu até então.

“Da mesma forma que a violência se multiplica, você também tem a multiplicação dessa galera que sabe que é “A” travesti e não “O” travesti, que sabe o que é transgênero, que sabe como lidar com a diversidade. Nosso principal desafio é nos fazer ouvir, nos fazer entender. A gente precisa de abertura, para que nosso discurso saia de nosso meio e chegue a todos”, diz o adolescente. 

Confira na íntegra o relato clicando aqui.

Nenhum comentário

Tecnologia do Blogger.