Pop e Art

Instituto planeja abrir Centro Cultural LGBT em Brasília: “Direito à cultura e à memória”

Marcelo Caetano diz que espaço vai abranger além da arte LGBT

O Instituto Cultura Arte Memória LGBT planeja abrir a partir de setembro deste ano um Centro Cultural LGBT em Brasília, que promoverá e defenderá a memória da população LGBT. Para isso, eles contam com o apoio e doações para arrecadar 60 mil reais.

O espaço visa defender o legado artístico e o direito a expressão das pessoas LGBT e apoiadores, com uma biblioteca LGBT, uma galeria, uma musicoteca, um arquivo de memória, espaço que ensine e prova trocas, intercâmbio cultural e resistência artística...

E que contemplem, além da arte realizada por lésbicas, gays, bissexuais, travestis, mulheres transexuais e homens trans, “os mais diferentes jeitos de ser de forma dissonante dos regimes heterossexual e cisgênero dominante”, afirma o cientista político e poeta Marcelo Caetano.

Segundo o antropólogo e educador Felipe Areda, o Instituto foi criado no dia 3 de dezembro de 2016, 29 anos após a morte do artista Darcy Penteado. Trata-se de um dos primeiros a “sair do armário” e realizar a primeira exposição de arte homoerótica no Brasil em agosto de 1949.
Obra de Darcy Penteado

O sonho dele era a criação de um museu de arte LGBT no Brasil. “É fazendo do sonho do Darci o nosso sonho que nos reunimos para fazer uma organização que afirma, defende e promove três ideias: o direito à cultura, à arte e à memória”, declara o produtor Felipe Guedes.

TEMOS UMA HISTÓRIA

“Muitas de nós se sentiram na adolescência como se fossemos as únicas LGBTs do mundo, como se fossem anormais, um erro dentro da família, da escola, entre os amigos”, afirma a cientista política Inayara Oliveira.

Imagine, então, adolescentes lésbicas conhecerem as obras de Cassandra Rios (1932-2002). Ou de adolescentes trans conhecerem a obra de Anderson Herzer (1962-1982) ou Claudia Wonder (1955-2010)...

“A arte tem sido uma das formas históricas de fortalecimento LGBT”, afirma Ernesto Lazari, produtor cultural e cientista político. “E nós temos uma história e temos direito à memória dela. Inclusive direito ao luto de vidas que por não serem estimadas não são lastimadas”, reflete a comunicadora Ludymilla Santiago.
Felipe Areda: espaço vai promover intercâmbio cultural e resistência artística

O instituto tem como meta construir uma rede com 1200 apoiadoras e arrecadar 60 mil reais. Você pode doar acima de 50 reais. Até o momento, 38 pessoas apoiaram o projeto com 3.308,80.

Quem puder contribuir clique aqui ou escreva para contato@instituto.lgbt . Quem não puder, compartilhe e divulgue essa ideia para outras pessoas. 


Assista ao vídeo:


About Neto Lucon

Jornalista. É formado pela Puc-Campinas e pós-graduado em Jornalismo Literário pela Academia Brasileira de Jornalismo Literário. Escreveu para os sites CARAS Online, Virgula e Estadão (E+), Yahoo!, Mix Brasil, no jornal O Regional e para a revista Junior. É autor do livro-reportagem "Por um lugar ao Sol", sobre pessoas trans no mercado de trabalho. Tem quatro prêmios de jornalismo, sendo dois voltados para as questões trans, Claudia Wonder e Thelma Lipp

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