Realidade

Mãe fica de frente com os acusados de matar a filha trans Emanuelle Gomes: “Senti meu coração queimar três vezes”


Edna Gomes ficou nessa terça-feira (02) de frente com os quatro suspeitos de assassinar a pedradas a filha Emanuelle Muniz Gomes, mulher transexual de 21 anos, na Delegacia de Anápolis, a 55km de Goiânia. A mãe tremia o tempo todo e fez questão de mostrar fotos da vítima e de falar quem era ela.

+ Polícia prende quatro suspeitos de assassinar a mulher transexual Emanuelle Muniz Gomes, de 21 anos


“Essa é Emanuelle, minha filha, linda, com 21 anos de idade. Já tinha curso superior estudando em colégio público. Era uma pessoa de bem, que ajudava o próximo e que compadecia pelo sofrimento do próximo. Eu a encontrei aqui (mostrou a foto). Se vocês estavam com ela, matando, eu senti. Senti três vezes, senti três vezes a dor, três vezes o meu coração queimou”, declarou.

Daniel Lopes Caetano, de 20 anos, Sérgio Cesário Neto, de 21, Reinivam Moisés Caetano, de 20 e Márcio Machado Nunes, de 18, escutaram o que ela falava, viram as fotos e permaneceram em silêncio e de cabeça baixa. Eles confessaram envolvimento no crime em depoimento à polícia.

Em fevereiro deste ano, Emanuelle saiu de uma boate com a mãe e decidiu pegar carona com quatro homens. Ao perceber que o veículo estava cheio, Edna desceu sozinha e o carro saiu em alta velocidade com Emanuelle dentro. Ela foi assassinada a pedradas e foi deixada em uma zona rural da cidade, onde foi encontrada pela mãe no dia seguinte. A motivação do crime foi transfobia.
Edna diz que o caso foi com Emanuelle, mas poderia ser com qualquer mulher
Intenção de ver os assassinos foi de mostrar a pessoa que eles tiraram da sociedade

Eles vão responder por homicídio duplamente qualificado por motivo torpe e sem chance de defesa para a vítima, além de estupro, roubo e tentativa de homicídio. “Eles roubaram o celular da mãe e tentaram roubar o da Emanuelle e também tentaram matar um homem que passava pelo local do assassinato e eles não queriam deixar testemunhas”, declarou o delegado Cleiton Lobo.

Após ver os acusados de assassinar a filha, Edna afirmou à TV Anhanguera que não tem sentimento nenhum por eles, então não sabe se pode perdoar. “Não tenho raiva, ódio, desprezo nem compaixão. Se tiver oportunidade, eu quero visitar eles na prisão, quero estar com eles”, declarou ela que acredita que a Justiça foi feita. “Agora vamos ver a Justiça de Deus”.

Ela disse também que finalmente vai poder enfrentar o luto da filha e mexer nos objetos pessoais de Emanuelle. “Estou me sentindo mais tranquila, agora vou chorar pela minha filha, posso mexer nas coisas dela, viver o luto. Eu estava juntando forças para ver eles atrás das grades e tinha o sonho de estar de frente com eles. Mas meu sonho não pode ser realizado, porque minha filha não estará de volta”.

Sobre a filha, Edna declara que foi uma menina pacífica, de bem e que procurava ajudar sempre as pessoas. Mesmo assim, sofria preconceito ao procurar empregos e nas ruas. “O momento todo eu tentava protege-la e tinha muito medo de um dia isso acontecer. A nossa sociedade está engatinhando nos direitos das transexuais”.
Emanuelle, vítima de transfobia aos 21 anos

About Neto Lucon

Jornalista. É formado pela Puc-Campinas e pós-graduado em Jornalismo Literário pela Academia Brasileira de Jornalismo Literário. Escreveu para os sites CARAS Online, Virgula e Estadão (E+), Yahoo!, Mix Brasil, no jornal O Regional e para a revista Junior. É autor do livro-reportagem "Por um lugar ao Sol", sobre pessoas trans no mercado de trabalho. Tem quatro prêmios de jornalismo, sendo dois voltados para as questões trans, Claudia Wonder e Thelma Lipp

1 comentários:

luciana disse...

Sinto muito por essa mãe esses assassinos vão pagar por tudo isso na cadeia

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