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Miss Mundo T-Girl 2017, Angélica Garcino diz que desafio é promover união entre a população trans


Por Neto Lucon

Aos 25 anos, Angélica Garcino foi eleita no início deste ano a Miss Mundo T-Girl 2017 e representa a população de travestis e transexuais do “Mundo T-Girl”. Trata-se de um site e de um grupo fechado no Facebook com a presença das cidadãs travestis e transexuais que debatem, discutem e denunciam assuntos referentes ao que vivem.

Com direito à coroa, faixa, troféu e uma fan page oficial na rede (curta aqui), Angélica afirma que ficou muito feliz em receber o título em sua segunda tentativa – em 2016, ela foi Princesa Mundo T-Girl – e que desde então usa da sua visibilidade para contribuir na luta pelos direitos humanos.

Dentre as fotos, vídeos e textos que publica nas redes sociais, a atual miss fala sobre os casos de violência transfóbica – bem como o assassinato da travesti Dandara dos Santos, no Ceará – discorre sobre datas comemorativas, promove mensagens motivacionais e até divulga fotos de cursos e especializações profissionais que realiza, com o objetivo de inspirar quem almeja trabalhar nas mais diversas áreas.

Nesta semana, ela apareceu vestida de bombeira durante um voluntariado para ser brigadista. “Fui convidada pela empresa que trabalho. Ser brigadista é estar preparada para ajudar pessoas vítimas de mal súbitos, acidentes, epilepsias, pânico, princípio de enfarto, combate aos incêndios, primeiros socorres, evacuação de prédios em situações atípicas”, explica ao NLUCON.
Angélica foi a quarta Miss Mundo T-Girl eleita

DE PATINHO A CISNE

Angélica é natural de Curitiba, Paraná, e tem como base uma família muito simples e muito forte. Revelou se identificar como mulher transexual aos 16 anos, período em que começou a trabalhar como call center. Diferente de muitas histórias, ela foi acolhida pela família, recebeu apoio e incentivo para correr atrás dos seus sonhos, focando sempre nos estudos.

“Sempre busquei me especializar, estudei espanhol, fiz cursos profissionalizantes e tinha medo da prostituição, que eu respeito, mas que sei que é uma profissão que infelizmente carece de segurança, transborda estigmas e onde ocorre a maior parte dos assassinatos de travestis e transexuais. Também acreditei que com o apoio e carinho que recebi da família e amigos, eu poderia ir longe”, declarou.

Na adolescência, ela diz que não fazia as pazes com o espelho e afirma que nunca se considerou o estereótipo de beleza. “Eu era o patinho feio”, define. Suas inspirações vinham das misses Aleikasandria Barros, Marcela Ohio e da ex-BBB Ariadna Thalia Arantes. Ela também destaca a importância da Kimberly Luciana Dias e da Carla Amaral na vontade de seguir a veia militante de lutar pela população.

Afinal, nem tudo são flores na vida da miss. Aos 20 anos, Angélica passou pela pior situação de transfobia de sua vida. Ela havia acabado de embarcar em um ônibus ao lado de uma amiga travesti, quando se deparou com torcedores do Curitiba Futebol Clube. Foram empurradas, ofendidas e arremessadas para fora do transporte público. Essa violência e outras que testemunhou de várias amigas deixaram marcas, mas fez Angélica entender mais do que nunca que a palavra “luto” é verbo.

Hoje, ela trabalha na empresa Telefônica como apoio de operação (Anjo). E se tornou uma consciente, bela e inteligente cisne.
Às novas gerações, Angélica diz busca por estudos deve ser prioridade

MISS CUTA, VEJA E LEIA

De acordo com Angélica, a intenção de participar do Miss Mundo T-Girl foi em busca de ter voz ampliada e espaço para falar sobre as demandas da população trans. E mostrar histórias diferentes às novas gerações. “Quero ter a oportunidade de mostrar que, apesar das muitas dificuldades, devemos insistir. Não desistir de estudar, trabalhar no mercado formal, construir uma família ou qualquer que seja o seu sonho. Afinal, estamos conquistando aos poucos o espaço que já deveria ser nosso”, defende.

Integrante do Mundo T-Girl há dois anos e meio, ela afirma que as redes sociais - que geralmente é palco de ataques - podem ajudar a desconstruir preconceitos. “Acredito até que a nova mídia seja as redes sociais, porque elas trouxeram informações focadas sobre o meio T que antes não existia com tanta frequência”, pontua ela, que admite se inspirar e achar lindas as trajetórias de quem venceu nas esquinas ou entrou na universidade ou estão inseridas nos trabalhos formais.

Dentre os maiores desafios do seu reinado, ela aponta que é a luta para que a própria população trans tenha mais empatia e que sejam mais unidas. “Meu maior desafio é trazer a união das travestis e transexuais. Muitas vezes não há respeito sobre a decisão ou não de fazer cirurgias, de querer ou não usar a genitália, de querer ou não seguir os padrões. Mas enquanto houver diferenças em nosso meio por quem é ou não mais feminina, ou quem é travesti ou transexual, não alcançaremos o que queremos. Às vezes esquecemos que juntas somos muito mais fortes na luta contra os preconceitos”, declarou.

Fiquem com essa mensagem. 

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