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Programa Transcidadania de João Pessoa beneficia 14 pessoas com a casa própria


Por Neto Lucon

O sonho de ter a casa própria vai virar realidade para 14 pessoas que fazem parte do programa “Transcidadania”, de João Pessoa. O programa, que visa resgatar a cidadania de travestis, mulheres transexuais e homens trans desde março de 2015, reuniu no dia 10 deste mês as 14 pessoas beneficiadas pelo “Minha Casa Minha Vida”.

Os espaços terão dois quartos, banheiro, sala, cozinha, lavanderia e ficarão localizados em um terreno com salão de festas, quadras poliesportiva, escola, padaria... “É como se fosse uma minicidade naquele espaço”, declara o coordenador de Promoção a Cidadania LGBT e Igualdade Racial, Roberto Maia, ao NLUCON.

Segundo ele, o benefício foi conquistado após a parceria do programa com a Secretaria de Habitação. Aliás, o Transcidadania tem parceria com outras nove secretarias, três empresas privadas e procura fazer um trabalho específico com cada uma das 300 integrantes. “Levantamos o perfil sócio econômico, grau de escolaridade, habitação, o que querem para aquele momento, se é um emprego, uma faculdade, e a gente trabalha em cima desta especificidade”, explica.

A moradia, por sua vez, tem sido uma grande questão para a população de travestis, mulheres transexuais e homens trans, que sofre preconceito desde quando assumem a sua identidade de gênero e muitas vezes ficam sujeitas à vulnerabilidade social e em situação de rua. Tanto que em João Pessoa há casas de acolhida que tem quartos específicos para LGBT. E, detalhe, começa a receber e acolher todas as pessoas trans de outros estados.

Roberto afirma que, apesar da falta de moradia ser uma das principais carências, grande parte ainda não havia se inscrito no programa “Minha Casa Minha Vida”. A descrença de que poderiam ser beneficiadas de verdade era a motivação. “Agora que viram que está funcionando, que 14 pessoas conseguiram a casa própria, elas estão acreditando mais no programa e procurando se escrever. Antes, elas não se inscreviam, porque não achavam que seriam inseridas de verdade”, afirma.
Relatos emocionaram a assinatura final para a entrega das casas

Eric Pacheco
é o homem trans beneficiado com a casa própria e diz ter realizado um grande sonho. “Esta conquista é muito importante, pois, assim como eu, outros e outras transexuais também sofrem preconceito em suas casas e alguns vão para as ruas. Temos que mudar essa situação. Essa é uma grande vitória e mostra que o trabalho do Programa Transcidadania é sério”, disse. 


É MAIS COMPLICADO QUANDO SOMOS TRANS

Dentre as beneficiadas está a cabeleireira autônoma Lillyan de Alcântara Fonseca, de 28 anos. Em conversa com o NLUCON, ela conta que morava com a avó, o irmão, a cunhada e cinco sobrinhos em uma casa com dois quartos. Ela saiu do espaço e foi morar de aluguel.

“Desde 2009 estou inscrita no Minha Casa Minha Vida, mas não fui beneficiada e não tinha esperança. Consegui agora, graças à parceria do Transcidadania, Depois de muita luta. Parece que quando a gente é travesti é muito mais complicado. Mas com força e união a gente consegue. Estou muito feliz”, declarou ela.

A cabeleireira afirma que sempre soube que é uma mulher, que aos 13 anos passou a tomar hormônios e que aos 18 aplicou silicone. A família, que no início se chocou, aos poucos aceitou a sua identidade de gênero. “Então, fui colocando as minhas próteses, fiz a mudança de nome... Aliás, sou a segunda trans a mudar de nome aqui”, afirmou.
Lillyan: após a conquista da casa ela luta por espaço no mercado formal de trabalho

Feliz com a casa própria, ela afirma que enfrenta um novo desafio: o emprego. “Melhorou muito, mas ainda está ruim. Até hoje eu envio vários currículos e, mesmo que o nome esteja trocado, não dão oportunidades. Também já trabalhei em shopping e tive que entrar com um pedido de indenização por conta do preconceito. As pessoas ainda não nos veem como pessoas normais para que possamos ter uma cidadania plena”, frisou.

Na reunião que ocorreu no dia 10 na sede do Centro de Cidadania LGBT, localizado no Parque da Lagoa, as 14 pessoas beneficiadas assinaram o documento final que faltava. A próxima etapa será uma visita técnica no espaço, que deve ocorrer em junho ou julho. Em agosto já serão entregues as primeiras casas.

Parabéns a todos os profissionais do Transcidadania e a todas as pessoas beneficiadas.

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