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“Travestis relatam que violência e medo aumentaram”, diz militante Deborah Sabara em ato no ES


Por Neto Lucon
Fotos: Associação GOLD

O ato “Basta de Transfobia” reuniu na última sexta-feira (05), às 19h, cerca de 80 pessoas no bairro Cobilândia em Vila Velha, Espírito Santo. O local foi onde a travesti Layza Mello, de 28 anos, foi assassinada a tiros no dia 30 de abril.


Layza foi assassinada aos 28 anos
O grupo leu a poesia “O Avesso da Travesti”, que fala sobre violência à população trans, trouxe a fala de familiares e amigos de Layza e fez uma oração macro-ecumênica. Eles também assinaram uma carta que será enviada à Secretaria Estadual de Segurança Pública pedindo justiça.

Durante o ato, que foi organizado pela associação Grupo Orgulho, Liberdade e Dignidade (GOLD), os manifestantes escreveram cartazes, mostraram camisetas em homenagem à Layza e o repúdio aos crimes contra travestis, mulheres transexuais e homens trans.

No Espírito Santo foram assassinadas cinco pessoas trans: três travestis e dois homens trans. Três dessas mortes são pessoas negras. E três estavam na profissão do sexo. “Se vermos essas histórias, todas elas são muito parecidas, em relação à travestilidade, de largar o círculo familiar, não concluir os estudos, ir para a rua. Mas a gente fala dessas histórias e parece que ninguém percebe”, declara a presidenta do grupo Deborah Sabara.

De acordo com a ong internacional Transgender Europe, o Brasil é o país que mais mata a população trans no mundo. Aqui, a expectativa de vida de uma travesti é de 35 anos, bem abaixo da média da demais população nacional que é de 75,2 anos. 

TRAVESTIS RELATAM MEDO

Deborah afirma que o que marcou no ato foi a presença das travestis, familiares de Layza e de outras famílias. “Demonstra que as famílias têm carinho com as travestis e que é importante que outras famílias entendam isso. E que abracem as travestis dentro de casa. Porque muitas são expulsas ou se autoexcluem, porque se sentem um erro e procuram apoio na rua”.



Diante de tantos casos de assassinatos por transfobia, ela afirma que a população trans tem ficado com medo. E que nota que a violência tem aumentado nos últimos anos. “Esse genocídio tem levado todas as travestis, mesmo que elas não percebam, ao medo e a angústia. Muitas dizem que estão com medo de andar na rua, de ir para alguma festa, que estão sentindo que as pessoas estão xingando e agredindo de forma mais violenta do que já estão acostumadas. E eu também sinto isso”, diz.

Segundo ela, é por esse motivo – pela morte de Layza, de tantas outras e outros e da sensação de medo – que a militância deve agir e chamar atenção do poder público e da sociedade covil. “Temos que puxar algo para chamar atenção das autoridades. Estamos muito passivas e passivos a isso tudo que tem acontecido no Brasil”, afirma ela, destacando que houve mais de 50 casos de homicídios contra a população trans somente neste ano e que quase 10% ocorreram no ES.

A militante destaca também a impunidade, uma vez que vários homicídios ocorrem sem que haja a punição dos assassinos. E, pior, tentam encontrar versões que justifiquem os assassinatos, como se a pessoa trans fosse responsável pela própria morte. “As amigas e a família de Layza, quem a conhece de verdade, falam que não existe nada contra ela, que ela sempre foi uma pessoa querida por todos”.






ASSASSINO SAIU ANDANDO

Aos 28 anos, Layza Mello foi assassinada a tiros na madrugada do dia 30 de abril, no bairro Cobilândia, em Vila Velha, no Espírito Santo. O principal suspeito é um homem que a abordou e, depois, efetuou disparos. Layza foi atingida na mão, na cabeça e no tórax e morreu na hora.

Segundo testemunhas, o assassino teria abordado Layza e ido com ela para outro lugar. Pouco depois, ela voltou correndo em direção à esquina e começou a ser baleada. Após o crime, ele guardou a arma no bolso e fugiu andando em direção ao bairro Jardim Marilândia, também em Vila Velha.

Em entrevista à Gazeta de Espírito Santo, a irmã de Layza afirmou que não há motivação além da transfobia – o preconceito por sua identidade de gênero. Ela destaca que a vítima era travesti há 15 anos, não tinha inimizades, que era muito apegada à família e que não se envolvia com nada que pudesse justificar o assassinato.

“Quero que a justiça seja feita. Ela tinha uma família por ela. Não tinha necessidade de acontecer isso”, declarou. O caso será investigado pela Delegacia de Crimes Contra a Vida (DCCV) de Vila Velha. Até o momento ninguém foi preso e nenhum suspeito foi divulgado.

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