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Ursão! Nathan Phellipe mostra a beleza e o sex appeal dos homens trans gordinhos em ensaio


Por Neto Lucon
Fotos: Gael Benítez

O bombeiro, designer gráfico e músico Nathan Phellipe Silva Rodrigues, de 25 anos, foi clicado pelo fotógrafo Gael Benítez para o projeto “Ser Desperto”. Trata-se de uma exposição fotográfica com homens trans e transmasculinos mostrando a beleza dos seus corpos em suas diversidades.

O ensaio rolou na casa de um tio de Nathan, que aos poucos foi se soltando ao som de Cher e muito bate-papo. Ele afirma que não fez nenhuma exigência, pois confia no trabalho de Gael. O objetivo dele é traduzir em fotos a música de Preta Gil: “Sou Como Sou, não quero me encaixar em nenhum padrão”.

“As pessoas estão tão bitoladas em padrões que querem que todos sejam padronizados. No nosso próprio meio querem exigir padrões e rótulos: para ser trans tem que ser o fortão ou a gostosona. Acaba que somos ainda mais oprimidos. Mas a beleza é diversa e as pessoas têm que enxergar isso”, afirma Nathan ao NLUCON.

Homem. Trans. Gordinho. Gostoso. Nathan é referenciado como “ursão” pelos homens gays e trans. Hétero, ele afirma que lida bem com o assédio, mas admite que gostaria de fazer o mesmo sucesso com as garotas. “Não tenho problema em ser gordinho. “A única coisa que me incomoda é o fato de ainda não ter realizado a mastectomia (a cirurgia que masculiniza o peitoral). Me acho bonito assim, sou um gordinho gostoso (risos)”, revela.





Sobre o resultado, Nathan afirma que considerou o ensaio incrível, pois Gael – que também é homem trans - tem um olhar muito sensível para as fotos, capitando a beleza e a maneira como ele gostaria de sair. Já o fotógrafo afirma que Nathan tem uma presença forte e marcante e que isso ficou nítido nas imagens. A gente concorda com os dois!

SOU NATHAN

Assim como a trajetória de muitos homens trans, Nathan sempre se considerou diferente das outras crianças. Designado menina ao nascer, ele se se impôs como menino desde sempre e não se adequava aos padrões impostos. A diferença de muitas histórias é que seus pais o deixavam livre para brincar com qualquer brinquedo e vestir as roupas que sentia mais à vontade. Sempre optava pelas associadas ao gênero masculino.

Aos seis anos, uma professora chamou sua mãe ao colégio. Disse que ele deveria fazer acompanhamento psicológico, pois só interagia com meninos e que isso poderia gerar problemas psicológicos futuramente. A sorte dele foi que a mãe, em todo seu acolhimento, disse que não via problema algum com o filho. Nathan era respeitado pelos coleguinhas, o mais popular do colégio e ainda assim se sentia muito sozinho. Sobretudo quando voltava para a casa.

“Na vizinhança não tinha meninos da minha idade. Só meninas e elas sempre me excluíram por ver que eu era diferente. Quando eu brincava com elas, eu era motivo de chacota. Para não cair em depressão, comecei a jogar bola, estudar música e arte marcial. Tudo para fugir da realidade e dos conflitos”, declara.

Aos 14 anos, sem saber a diferença de orientação sexual e identidade de gênero, declarou ser lésbica. Era o rótulo que lhe ofereçam que mais se aproximava, apesar de ainda não o contemplar totalmente. Ao mesmo tempo, ele escondia os seios com faixas e chegava a vê-los sangrar. Porém, durante uma fase da adolescência, ele tentou se encaixar: passou a vestir roupas consideradas femininas e a ter um namorado. Ele admite: era um sofrimento.





Aos 21 anos, assistiu ao extinto programa Na Moral, da TV Globo, com Pedro Bial, e conheceu o cantor trans Erick Barbi. Foi sua descoberta. “Eu chorava sem parar quando ele cantou a música dele: ‘Agora eu vejo a minha face do outro lado / Estou certo de que sou assim / Ser eu mesmo não é nenhum pecado / E o espelho já não vai rir de mim’. Vi que aquele menino que eu pederia para ser ao apagar a vela do bolo de aniversário poderia existir”.

VEJO A MINHA FACE DO OUTRO LADO

Ele estudou um ano sobre identidade de gênero e teve Erick, Maite Schneider, João Nery, Chaz Bono e Carl Benzaquen, hoje um dos seus melhores amigos, como referências. Ao todo são quatro anos de descobertas e quase três de hormonioterapia. Quando revelou ao mundo que era um homem trans, temeu perder tudo o que era importante: trabalho, amigos e família. E perdeu muitas pessoas mesmo.

“Foi aí que soube quem realmente me amava e me respeitava. Mais uma vez, minha família esteve ao meu lado. Eles sempre me disseram para ser feliz. Tive problemas com alguns familiares que pensei que seria ‘de boa’, mas chegaram a dizer que não iria me respeitar. A outra parte da família, a qual eu pensei que seria excomungado, me surpreendi. Todos são evangélicos e, para minha surpresa, foram os que estenderam a mão, os que mais me respeitam”, conta.

Trabalhando em uma empresa telefônica, ele não sofreu transfobia, mas acabou saindo por conta da crise. Passou seis meses desempregado e sentiu a transfobia ao participar de entrevistas. Diziam: ‘Não aceitamos pessoas assim’. Até que passou uma seleção especifica para pessoas trans e começou a trabalhar na UFMG – Universidade Federal de Minas Gerais – como auxiliar administrativo no Centro Acadêmico de Direito. “Estou a dois anos com eles e sou super respeitado. Mas ainda espero conseguir trabalho em uma das áreas que estudei e sou qualificado”.







Quando iniciou a transição, entrou automaticamente para a militância trans. Desde então, participa dos coletivos MOOCA e o Coletivo Não me Kahlo, que lutam pelos direitos LGBT, pelas mulheres, igualdade racial... E faz parte da ONG Tranvest, que auxilia pessoas trans sujeitas à vulnerabilidade social a ter contado com educação, cultura, moradia, assistência jurídica e saúde.

PARA REFLETIR

“A bandeira que temos que levantar hoje é a da união. Vejo muitos homens trans diminuindo e excluindo os meninos que ainda não são hormonizados. Fugimos a vida inteira de padrões e de grupos que nos oprimem para ver homens trans dizendo que só é homem que é malhado, tem barba, passabilidade. Somos pessoas com diferenças e é a coisa mais legal. Temos o mesmo objetivo de conquistar os direitos que nos foram negados, mas temos que ir atrás juntos, unidos, contra essa sociedade que querem nos colocar em caixinhas de padrões normativos”, defende Nathan.

Ele afirma que a sociedade ainda precisa de informações corretas sobre a população trans e sobretudo entender que para ser homem não é necessário ter um pênis. “Ainda acham que somos lésbicas evoluídas, como se fôssemos pokémons que passam de fase. Sempre pergunto, os homens cis que perderam seus membros na guerra, em acidentes e os que não podem ter filhos, os que não tem função erétil, eles deixam de ser homens por conta disso? Não, né? Pois é, nós também não precisamos ter nascido com um membro que é dito como masculino para sermos homens. O mundo é diverso”, finaliza.

Um comentário

Renan disse...

Um obra de arte, amei demais!!!! Gratidão.

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