Header Ads

Transserviços

Ativistas denunciam cortes no programa Transcidadania durante gestão de João Dória em SP


POR NLUCON
Fotos: Fábio Lazzari / Câmara Municipal de SP


O programa Transcidadania, criado em 2015 pelo então prefeito Fernando Haddad (PT), não está tendo o mesmo investimento na gestão atual do prefeito João Dória (PSDB). É o que disseram ativistas e políticos ao convocarem na quarta-feira (28) uma Audiência Pública na Câmara Municipal de São Paulo.

Segundo denúncias, divulgadas pelo site Brasil de Fato, houve um significativo corte na bolsa oferecida para as beneficiárias e beneficiários e a redução pela metade do número de vagas. Antes eram 200 e, agora, são 100.

Para quem não sabe, o Transcidadania é um programa que procura resgatar a escolaridade da população trans, que foram vítimas de violência e transfobia nos espaços escolares, dando uma bolsa de incentivo e procurando dar maiores oportunidades para que elas e eles consigam se inserir no concorrido mercado de trabalho.

Aline Marques, que foi uma das beneficiárias da primeira turma e que é presidenta do grupo de Resistência de Travestis Ativistas de São Paulo (Gretta), lamenta o número reduzido de vagas. "Essa nova geração diminuiu o quadro de meninas atendidas, alegando um recomeço. Mas a gente não deveria recomeçar um programa que já está caminhando, e sim melhorá-lo".

Ela, que atualmente trabalha no Centro LGBT Luana Barbosa dos Santos, afirma que não adianta ter um programa social no período de dois anos e, depois, colocar todas as pessoas na rua de novo. "Foi o que aconteceu. Eu sou a última travesti que passou pelo Transcidadania e está trabalhando. A maioria acabou voltando para as ruas".



A militante defende que o programa foi extremamente importante para a sua formação. E que após ter trabalhado por 20 anos como profissional do sexo, não achava mais que pudesse voltar a uma sala de aula e cobrar respeito. "Foi uma experiência muito grande aprender um pouco mais sobre minhas capacidades no mercado de trabalho. Eu me redescobri. Lógico que houve problemas, mas foi um programa piloto", destacou.

Carmila Furchi, que é militante LGBT e ex-assistente de coordenação do Centro de Cidadania LGBT Laura Vermont, afirmou que a justificativa de que o programa prezaria pela qualidade e não pela quantidade é "insuficiente". E aponta que os Centros de Cidadania, que trabalhava para combater a violência LGBTfóbica, perdeu parte dos serviços mutidisciplinares.

A reportagem do Brasil de Fato informa que tentou entrar em contato com a Secretaria Municipal de Direitos Humanos. Porém, não houve resposta até a publicação da reportagem.

Nenhum comentário

Tecnologia do Blogger.