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Cantor Kaique Theodoro enaltece representatividade e brilho trans no clipe “Ao Sol”


Por Neto Lucon

Quantos cantores trans você conhece no Brasil? Kaique Theodoro, de 23 anos, é um artista da nova geração que vem mostrado talento, garra e vontade de ser sucesso. Prova disso é o clipe da música autoral “Ao Sol” – o primeiríssimo de sua carreira.

Lançada no início de maio, a música mostra Kaique fazendo um convite para as pessoas verem o sol brilhar outra vez. E, neste caso, em um cenário escuro, são as pessoas trans (travestis, mulheres transexuais, homens trans...) que iluminam a obra, simbolizam o sol e o (re)nascer.

“O clipe fala sobre resiliência. Não só sobre existir, mas de fazer questão de deixar uma maquinha no mundo, sabe? Também quis passar algo sensual, enaltecendo corpos trans e suas personalidades”, diz ao NLUCON.

Kaique afirmou que todos os modelos da obra são pessoas próximas e que sua intenção foi mostrá-las para que todos vejam longe da transfobia o quanto são incríveis como qualquer ser humano. “Foi lindo que o Leoni (Albuquerque), Lucas (B Morais), Pâmela (Belli) e Naomi (Savage) toparam, pois conheço a história de cada um e sei que são pessoas que, apesar de tudo o que passaram, dos preconceitos enfrentados, brilham muito”.






Ao comentar sobre o processo de gravar uma obra independente, artista define como "insano" e revela que encontrou dificuldades desde um local disponível. “A ideia original era fazer na Casa Nem, mas foi cobrado um valor muito alto e desisti. Fiz na Casa 24, que acolheu a ideia. Já tinha o roteiro estabelecido e com a ajuda da produtora (Pelo Mar Produções) as cenas foram se tornando realidade”, disse. 

O clipe foi dirigido e editado por Guilherme Bezerra, a direção de fotografia, roteiro e produção é de Tai Bialoglowka e Guilherme Bezerra, a direção de arte é de Tai Bialoglowka. Tainá Alcantara foi a assistente de produção. O resultado agradou o artista e surpreendeu positivamente os fãs.

Desde então, a repercussão tem sido grande: as visualizações estão indo para 4 mil, tem quase 400 likes e Kaique já entrou para um teaser numa página LGBT no Facebook ao lado de outros artistas LGBT de sucesso, como Pabblo Vittar, MC Linn da Quebrada, Mulher Pepita e Jaloo. “E o melhor é que esse clipe é só o primeiro! Quero gravar outro até o fim do ano”, adianta. 


Assista ao clipe:



Vale lembrar que Ao Sol - que foi produzida, mixada e masterizada por Leonardo Stopelli - também está nas plataformas Spotify e Intunes Guentai. E que você pode baixar e escutar sempre que quiser. 

A CARREIRA

O cantor afirma que tem proximidade com a música desde criança, que faz música desde os 15 anos e que decidiu se profissionalizar aos 19. Ele tem referências como Cazuza (1958-1990), Cássia Eller (1962-2001) e também artistas da nova geração, como Linn, Liniker e Pabllo. Curiosamente, todos LGBT.

Nas redes sociais, o jovem publica vídeo cantando músicas autorais e conhecidas, com Lanterna dos Afogados, dOs Paralamas do Sucesso. Ele também já lançou algumas músicas, como “No Mar”, “Rosa” e “Só”. Nesta última ele canta: “não vou passar batom só para aparecer na TV”.

Paralelo à carreira de cantor, Kaique também se arrisca como modelo. Ele já protagonizou alguns ensaios e chegou a posar para um ensaio muito sensual da revista eletrônica Flesh. Já esteve no programa "Amor e Sexo", da TV Globo, onde falou rapidamente sobre a vivência trans.  E também já publicou vídeos em que fala sobre a hormonioterapia e o processo de transição de gênero - tem um que chega a 45 mil.


De acordo com Kaique, o maior desafio da carreira musical é encontrar casas que aceitem sua presença como artista. “A transexualidade tem certo glamour quando não é exposta pelas próprias pessoas trans. Mas ainda somos vetados no palco, rola uma coisa estranha, então as oportunidades são dadas na persistência. Aqui no Rio de Janeiro tá sendo tirar água de pedra arrumar locais para tocar”.

Ele diz que insiste em falar sobre as vivências trans por amor e por entender que é importante servir de voz, imagem e resistência para a sociedade em geral, sobretudo para a população trans. “É um caminho que estrou construindo sem grandes referências, mas o peito bate forte conforme as coisas estão acontecendo. Então acho que estou no caminho certo”. A gente já espera ansioso o sol brilhar outra vez!

Gostou? Convites para trabalhos artísticos podem ser enviados para kaiquetheo@gmail.com

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