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Ceará conquista primeiro ambulatório para travestis, mulheres e homens trans


Neto Lucon

O Ceará acaba de ganhar o seu primeiro ambulatório para travestis, mulheres e homens trans. A direito foi conquistado durante a audiência pública que ocorreu nesta quinta-feira (08), na Defensoria Pública Geral do Estado do Ceará.

O ambulatório deverá estar temporariamente nas dependências do Hospital Mental de Messejana. Com o questionamento de estar em um espaço que cuida da saúde mental, e a luta atual é para a despatologização das identidades trans, ele será transferido para a Policlínica após a inauguração dela.

O governador do Ceará Camilo Santana, que desde o assassinato da travesti Dandara dos Santos neste ano se mostrou sensibilizado com as demandas da população trans, apoiou e assinou o documento para a criação do ambulatório. A audiência pública contou com a presença de autoridades, vereadores, coordenação da diversidade do estado e profissionais de saúde, que reconheceram a necessidade de atender a população trans de maneira multidisciplinar.

Isto é, que seja disponibilizada o acesso a hormonioterapia, acompanhamento psicológico ou psiquiátrico e também a cirurgias. Também ficou decidido que profissionais que são trans também irão trabalhar no espaço ambulatorial, servindo também como medida para a inclusão no mercado formal de trabalho.

“É um marco. Finalmente temos abrigo e uma esperança de saúde. Estávamos ilhados, pois não tínhamos ajuda do Estado e não tínhamos acesso a produtos ilegais por conta da polícia e apreensão dos medicamentos. Tem um homem trans que está com câncer justamente por não ter essa assistência que o ambulatório TT traz. Finalmente temos voz e eu consigo dormir em paz, pois sei que essa luta que iniciou há 35 anos rendeu frutos”, disse o enfermeiro Caio José, que é homem trans.
Para saber o discurso completo de Caio José clique aqui

POLÍTICA PÚBLICA EFETIVA

As representações na mesa principal foram do presidente da ATRANS-CE, Apollo Franco, e da mulher trans Drika Matarazzo. Também falaram Caio José, Syssa Ádley, Silvinha Cavalleire, Enzo Alexandrino e Rocha Kayke. Considerado o primeiro homem trans do Ceará, Silvio Lúcio esteve presente e também discursou e comemorou a conquista da militância.

Syssa: "Não quero apenas nome social
Syssa Ádley afirma que por se tratar de uma população vulnerável e que sofre negligências históricas em diversos direitos – como a falta de acesso ao mercado formal de trabalho e ensino - a população trans também não tinha acesso à saúde. Segundo ela, a conquista do ambulatório importante porque se trata de uma política pública efetiva e emergencial e que serve como eixo central para que outras conquistas.

“Até então tínhamos políticas de gambiarra e o acesso ao nome social, ainda que de forma frágil. Mas se eu perguntar quantas pessoas trans estão no mercado formal de trabalho, quase não teremos. Se eu perguntar quantas tem acesso à educação, quase não teremos. E se eu perguntar quantas pessoas trans tem acesso aos serviços de saúde é ainda mais reduzido. Ou seja, sou transexual e não quero apenas nome social", defende.

Para Kaio Lemos, pesquisador científico e conselheiro da Associação Transmasculina do Ceará, a conquista do ambulatório também evidencia o sucesso da articulação das pessoas e instituições envolvidas. 

“Foram três anos batendo de porta de vereadores, legislativo e finalmente chegamos na DPU que nos ouviu e começou o diálogo e tramites com a DPGE. Tivemos mais cinco reuniões com as demais instituições envolvidas. Então, isso para nós não é só importante pelo fato de fazermos uma transição mais saudável, mas também o fato de ser contribuintes nessa luta pelos Direitos Humanos. Acreditamos que a força e a luta faz a diferença”, diz.
Kaio Lemos destaca atuação da militância

A estimativa é que o ambulatório seja inaugurado em outubro deste ano.

Parabéns pela conquista, Ceará!

Silvio Lúcio, considerado o primeiro homem trans do Ceará, esteve presente

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