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Curta “Aquilo que Me Olha” aborda desafios e transfobias enfrentados por protagonista trans


Por Neto Lucon

Dramas, violência, fetichização, machismo, estigmas e a luta para não enlouquecer. São com esses elementos que o filme “Aquilo que Me Olha”, do diretor Felippy Damian, conta a história de Belladona, uma protagonista trans que promete tocar em diversos assuntos espinhosos vivenciados por grande parte da população de mulheres trans e travestis.
Curta trará fragmentos da vida da
personagem trans

Interpretada pela atriz Raphaely Luz, que também é uma artista trans, a personagem aparece em diversos momentos de sua vida: é cantora de metal industrial, fotógrafa, universitária e tem uma vida secreta dentro da história. E enfrenta todas as pelejas de viver em uma sociedade transfóbica.

“A estética é bastante ousada. Nele, acompanhamos a Belladona em fragmentos de sua vida multitarefada, que ajudem a entendem como se forma o modo da personagem olhar para si mesma. Tem me interessado compreender como este olhar é forjado pelo outro e como essas relações são opressivas, quer seja pelo olhar, quer seja pela forma de olhar”, afirma o diretor Felippy Damian ao NLUCON.

Raphaely revela que há cenas bastante fortes e que exigiram total entrega, bem como o momento em que personagem transa e não demonstra qualquer prazer ou emoção. Ao mesmo tempo, ela deve surpreender os expectadores com uma paixão durante um dos shows. “Mas como é um curta não posso falar muito senão conto o filme todo”, diz com bom-humor. 

Ela afirma que a personagem tem tudo a ver com sua própria vivência, embora não seja tão depressiva como ela. “Muitas coisas que ela viveu eu também vivi, o que me deixou bem mais íntima da personagem. Acho que as similaridades que tenho com a Belladona são as mesmas que muitas trans vão ter também. Acabei tirando muitas coisas da minha vida e da vida de amigas para ela”, disse.
Raphaelly em uma das cenas como Belladona

PROTAGONISTA TRANS VIVIDA POR ATRIZ TRANS

A atriz afirma que a proposta para interpretar Beladonna surgiu depois que foi no teste de elenco para o curta, mesmo sabendo que a protagonista já estava escolhida. Ela teve a oportunidade de mostrar o seu trabalho e cair nos gostos da diretora de elenco, Juliana Capilé, que a escalou para viver a protagonista.

“Achei digno colocarem uma trans, sendo que não temos oportunidades. Mas admito que de início fiquei receosa, afinal era um diretor cis falando de um universo muito pessoal de uma pessoa T. Mas ao pegar o roteiro, o diretor disse que estaríamos livres para alterar qualquer cena que não condiz com a realidade ou que de alguma forma fosse reproduzir alguma imagem depreciativa do público T”, disse.

Desta sensibilidade do diretor, quem ganha é o trabalho (e o público). “A Belladona que será vista na tela vai além daquela que foi descrita no roteiro”, diz Damian. “Ela respira de verdade e essa respiração só é possível por vir da Raphaely, que teve uma generosidade incrível. Era o cuidado mínimo que podíamos ter. O audiovisual historicamente não usa desse cuidado, colocando atores cis para interpretar papeis trans, quando o contrário é uma exceção raríssima. Aqui não falamos apenas de profissionais que não conseguem trabalho, mas de pessoas que não se enxergam, nem se reconhecem na tela da televisão ou do cinema. Essa reparação é urgente”, continua.

Anteriormente, Raphaely trabalhou com teatro e esteve em vários trabalhos em Cuiabá e em Brasília. Dentre os trabalhos mais intensos está o monólogo “Eu”, encenado na UFMT, e que aborda uma tentativa de suicídio e a batalha entre Raphael e Raphaely. Com o tempo, ela percebeu que as portas do teatro estariam fechadas pela transfobia e ficou um tempo afastada.
Cenas exigiram entrega total da atriz

CURTA PRECISA SER FINALIZADO

“Aquilo que me Olha” recebeu financiamento público da Prefeitura de Cuiabá, em parceria com a ANCINE, por meio do Programa Brasil de Todas as Telas. Porém, com o orçamento limitado, faltou dinheiro para fazer a edição final. E a equipe está se esforçando para finalizar a obra.

Eles vão fazer tanto festa no Casa Velha no dia 14 de junho, com entrada de 10 reais, quanto um financiamento coletivo que você pode ajudar clicando aqui. Eles precisam de 10 mil reais para finalizar e tem até o momento 14% da meta.

E é tudo ou nada. Portanto, não vamos deixar esse curta MARA morrer na praia.“É uma dificuldade imensa termos uma pessoa T protagonizando um filme. Então, se vocês acreditam na necessidade de visibilidade, acreditam na arte TTLGB, por favor, nos ajudem. O site da Benfeitoria tem premiações para quem for nos ajudar, além da minha eterna gratidão, porque não vejo a hora de me ver na telinha ou na telona”, finaliza a atriz.

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