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Primeiro encontro de pais com filha transgênera adotiva emociona em série da GNT


A adoção da Ana Maria Evangelista, de 10 anos, pelos pais Roberto Salvador Jr. e Alexya Evangelista Salvador tornou-se tema de um episódio da série “Histórias de Adoção”, da GNT. Nela, foi mostrado todos os trâmites, o entendimento de que Ana Maria é uma menina transgênera e o emocionante primeiro contato entre filha e pais.

Ao chegar no portão do abrigo Lar de Maria, em Jaboatão dos Guararapes, em Pernambuco, Alexya afirma segurar o choro e logo escuta Ana Maria gritar “mãeee”. Elas correm para um abraço afetuoso. A pequena também é apresentada para o irmão Gabriel, também adotivo, e para o pai Roberto.

Após dar flores, quadros e ter a última refeição no abrigo, Ana Maria revela o que está sentindo: “Tá parecendo um sonho, parece que estou tendo a liberdade da rua”. Alexya, que também é uma mulher transgênera, pondera e acolhe: “É a liberdade da vida. E agora não precisa ter medo de nada, pois a mãe vai te proteger. E família é um cuidando do outro”. A pequena sorri: “Mãe, para sempre”.

Durante a série, Alexya conta que foi procurada pelo abrigo logo após manifestar publicamente a vontade de adotar uma criança trans. Antes do encontro, ela estava conversando há três semanas com a pequena por meio das redes sociais – o casal mora em Mairiporã, interior de São Paulo, e a filha estava no abrigo em Pernambuco. Alexya conta que esperou que a própria filha contasse sobre ser uma menina, e não um menino como foi designada ao nascer. 

“A gente esperou ela tocar no assunto, pois tivemos cautela para ela mesma eternar o que é. Ela falou: ‘Mainha, a senhora me traz roupa de menina? Eu não sou um menino, eu sou uma menina. Eu não queria deixar o abrigo vestida de menino. Eu sou a sua princesa’ E eu disse que ótimo, pois eu já tinha um príncipe, que era o Gabriel, e que agora tenho uma princesa”, declarou.




SOU ANA MARIA

A doutora Christiana Caribá, juíza da infância e Juventude de Jaboatão, Pernambuco, declarou que o primeiro contato com a criança ocorreu em outubro de 2016, quando ela manifestou não querer ser criada pela genitora.

“Foi uma história de muitas perdas, de muito sofrimento, de situações muito tristes. Ao fim daquela audiência, a criança começa a chorar, me abraça e diz: ‘eu não quero mais a minha genitora, eu quero outra mãe”. E
 que desde então o caminho foi encontrar a melhor família para a criança e não a melhor criança para a família que quer adotar.

No abrigo, os funcionários começaram a perceber que Ana Maria estava agressiva, inquieta e que passou a dizer que não era um menino, mas uma menina. A diretora Maria Salete Santana disse: “Era uma insatisfação muito grande que a criança sentia dentro dela. Ela dizia eu quero ser eu, eu quero ser mulher. Eu dizia: ‘Mas você é muito novinho, você está estudando’. Falei dos preconceitos, mas dentro da casa de acolhimento todos os amiguinhos entenderam muito bem. A gente ficou assim, de boca aberta”.

A pedagoga Elisama Costa Silva, da Vara da Infância e Juventude de Jaboatão/PE, frisa que a vontade de usar roupas consideradas femininas não estava só no campo da fantasia ou da brincadeira. “Quando a gente compreendeu isso ficou mais fácil, inclusive o comportamento da criança melhorou bastante. Fizemos um trabalho com as outras crianças da instituição no sentido de aceitar a diferença, de acolher o outro da forma que ele é”, disse.

A juíza diz que o respeito pela identidade de gênero de Ana Maria se dá porque, embora ela esteja na construção da identidade, no momento ela quer se apresentar como menina. “O discurso da Alexya foi muito coerente, sobretudo que não haveria uma projeção da história dela sobre a história da criança. Se a criança assumir por esse caminho, ela se sentir segura e eu vou dar todo o suporte necessário. Se a criança em algum momento a criança disser 'não é isso, eu não quero ser menina' eu vou aceitar e vou dar todo o suporte necessário para que seja um menino”.



RECOMEÇO FELIZ

Um dos momentos mais delicados da série é quando mostra a família reunida ao livre e brincando no mar. Ana Maria e o irmão Gabriel brincam juntos e também interagem com os pais. “É tão lindo ver os dois juntos, ele sempre teve medo do mar, mas a irmã entrou e ele logo entrou junto. Ele se sentiu seguro. Não tem jeito, criança gosta de criança, tem que ter criança. É lindo de ver”, diz Alexya.

Durante a decisão que autorizou a guarda para Roberto e Alexya, o pai declarou que sabe que muitos desafios vão surgir no decorrer dos anos, mas que eles estão preparados para mais acertar que errar. Ele também disse que daqui um ou dois anos outra criança deve aumentar a família.

Vale dizer que o NLUCON já escreveu sobre a adoção de Ana Maria no último ano (clique aqui) e também noticiou a conquista da retificação do nome de registro (clique aqui). E que também se emociona ao presenciar esta linda história de acolhimento, sobretudo a felicidade da criança e dos pais por conta desse encontro único e transformador para todos e todas.

Quem quiser assistir a série do GNT, clique aqui

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