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Mulher transexual que foi cabo das Forças Armadas é tema de filme brasileiro

foto: Diego Bresani / Diazul de Cinema

Por NLUCON

Maria Luiza da Silva
, mulher transexual de 56 anos, é tema central do filme homônimo dirigido por Marcelo Díaz que deve chegar aos cinemas no início de 2018. A obra de 1h30 vai contar a história dela dentro das Forças Armadas do Brasil e de como o preconceito a afastou da profissão.

Maria em foto de Diego Bresani 
“Maria Luiza tem uma história de busca de respeito, afeto e felicidade. Simples e profunda. O filme vai mostrar isso e tocar na questão de gênero nas Forças Armadas. Vai tocar muita gente”, disse o diretor ao Correio Braziliense, o primeiro jornal que publicou a história.

Para ela, a obra é o reconhecimento de sua luta e deve “servir para abrir os olhos e os corações das pessoas, fazer elas refletirem sobre tolerância”.

Marcelo afirma que desde quando leu a história pelos jornais sentiu vontade de gravar um filme. A produção começou há seis anos e as gravações ocorreram em agosto de 2016. Maria Luiza e todos os envolvidos em sua história, que refletem uma batalha judicial, participam do filme.

“Não há artistas. A Maria Luiza é a protagonista. Há depoimento do promotor, dos juízes e de militares que serviram com ele. Todos, aliás, só a elogiaram. Claro também houve muita gente que se recusou a gravar. Até hoje não temos qualquer posicionamento da Aeronáutica. Nem uma nota oficial. Muito menos autorização para filmar onde ela serviu”, diz o diretor.

UMA GUERREIRA

Maria nasceu em Ceres (GO) e, embora tenha sido designada homem ao nascer, sempre se identificou com o gênero feminino e com sua mulheridade. Durante a vivência dentro do gênero masculino, chegou a ser cabo da aeronáutica de Brasília, atuando como mecânica de aeronaves, mas tudo mudou quando descobriram que ela é uma mulher transexual. 


Diretor conversa com Maria Crédito: Diego Bresani / Diazul de Cinema

O Alto do Comando a submeteu a um exame médico e em enviou um relatório em 2000 dizendo que ela era transexual e “incapaz, definitivamente, para o serviço militar, mas não inválida, incapacitada total ou permanentemente para qualquer trabalho”. Ela ficou afastada ganhando uma aposentadoria e com metade do salário. Também foi ameaçada a não deixar a decisão pública. Foi quando decidiu pedir ajuda ao Ministério Público do Distrito Federal.

“Entrei na Aeronáutica aos 18 anos. Dediquei-me ao meu trabalho, servi à Forças Armadas de maneira exemplar. Fiz muitos cursos e, antes de ser reformada, era professora, ensinava o que sabia. E queria continuar assim, pois, como o próprio laudo da Aeronáutica diz, sou perfeitamente capaz para o trabalho”, afirmou.
Em 2000, após ter sido desligada
das Forças Armadas Brasileira
(C´reditoAntonio Siqueira)

Em meio à briga na Justiça, ela passou pela cirurgia de transgenitalização em 2005. E em 2007 conseguiu retificar o nome e o sexo de sua documentação, por meio da 1ª Vara de Família do Tribunal de Justiça do DF. Já em 2010, ela conseguiu que o juiz Hamilton de Sá Dantas, da 21ª Vara Federal, mandasse a Aeronáutica reintegrar Maria Luiza. 

Porém, ela não voltou à ativa porque o tempo de serviço, 30 anos adotados nas Forças Armadas, havia transcorrido. Ela estava com 49. Além disso, a aeronáutica recorreu ao Superior Tribunal de Justiça (STJ).

Atualmente ela mora em Cruzeiro Novo e tem uma vida bastante pacata. Vai às missas todos os domingos e pratica fotografia e pintura. Voltar às Forças Armadas continua sendo o seu grande sonho.

FINANCIAMENTO COLETIVO


Com 80% do filme sobre a história de vida concluída, com o apoio do Fundo de Amparo à Cultura, do GDF, eles fazem um financiamento coletivo para terminarem a obra (ajude clicando aqui).

Para o diretor, ainda há a esperança de as Forças Armadas reverem a posição. “Sonho com a cena da Maria Luiza recebendo alguma homenagem, fardada, batendo continência, em um quartel”, finaliza.

Assista depoimento no Correio Braziliense:


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