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“Nunca imaginei que pudesse amar um homem”, diz homem trans sobre namorado cis

Pedro Henrique e João Felipe Damico

Por Neto Lucon

João Felipe Damico é um homem trans de Campo Grande que passou grande parte dos seus 24 anos tendo uma certeza: gostava de mulheres. Mas a vida resolveu pregar uma boa surpresa ao deixa-lo completamente envolvido, atraído e apaixonado por um homem cis: Pedro Henrique Medeiros, de 20.

O primeiro contato ocorreu por meio do Facebook, quando João viu um perfil do namorado como drag queen e resolveu adicioná-lo. Após Pedro autorizar a amizade, João ficou um tempo babando por várias fotos, até que tomou coragem para comentar em uma. Pedro retribuiu e eles começaram o bate-papo.

João admite que inicialmente se encantou pela imagem da drag queen que o amado interpreta. E que, mesmo sabendo que se tratava de um homem cis, não tinha consciência da discussão interna que teria sobre orientação sexual, nas ideias sobre relacionamento e na transformação em sua vida.

“Eu nunca havia me interessado por caras, nunca havia sentido nada por nenhuma, nunca havia sentido atração. Nunca imaginei que pudesse amar um homem. Mas no dia que saímos, quando o vi de boy, fiquei ‘Meu Deus, que HOMEM!’. Mas segurei a marimba”, conta João.


Ao lado de uma amiga, eles saíram para tomar cerveja, comer e conversar. João esteve cada vez mais encantado com Pedro. Mas, na volta para casa, percebeu que não ia rolar nada. Antes que Pedro pudesse descer do carro, ele soltou: “Só isso?”. Então, João jogou - literalmente! - Pedro no banco de trás do carro e deu o primeiro beijo.

Pedro se surpreendeu: “No início achei que seria só uma ficada e pronto. Eu, na verdade, achei que nem rolaria nada sério. Mas gostei bastante quando ele tomou a iniciativa. Mesmo”, sorri.

O QUE ACONTECEU?

João define a sensação do beijo como “FELIZ feat CARALHO, O QUE ACONTECEU”. E ficou em um misto de euforia e conflito que durou até o dia seguinte, quando eles ficaram de novo. Os conflitos duraram seis meses, marcado por muitas DRs sobre a orientação sexual de João.

Na relação, João não escondia os questionamentos internos que vivia. Já Pedro, apesar de ficar preocupado de se machucar, não desistiu dele. “No início foi difícil porque a gente se gostava muito. Entretanto havia a barreira da orientação sexual. Ele, até o momento, definia-se hétero. Eu me definia gay. Logo essa questão nos causou muito sofrimento. Foi difícil chegar até aqui”, declarou Pedro.


“Graças à RuPaul”, eles conseguiram desconstruir as amarras que o impediam de se entregar verdadeiramente. E, para mais uma surpresa, João fez o pedido namoro – com direito a aliança! “A ficha do João demorou demais pra cair, mas felizmente caiu”, declarou. 

Hoje João se define bissexual, mas sinceramente há certas coisas que não precisa de explicação, só de sentimento. Apaixonados, eles chegaram a fazer uma tatuagem juntos: uma âncora no pulso esquerdo. 

VICIADOS EM SÉRIES E FILMES

Sobre a rotina, João conta que ficam muito em casa e vivem assistindo filmes e séries. Como Pedro é DJ, ele está sempre em festas e clubes. João o acompanha desde que a preguiça não tome conta. “Nossa rotina é bem tranquila, sabe? A gente adora ficar em casa tomando cerveja, assistindo coisas que gostamos e comendo horrores”.

Amizade, companheirismo e apoio são alguns dos ingredientes da relação. “Gosto de quem nos tornamos e de tudo que passamos para chegarmos até aqui. Fisicamente, gosto do seu sorriso, do cheiro da sua pele, da forma como ele caminha e em como ele fica lindo quando está contando algo que o empolga ou nos momentos em que está falando algo sobre um assunto que o instiga”, diz João.

Já Pedro fala que o que mais admira no amado é o modo como ele defende suas ideias. “Por mais que isso nos cause alguns conflitos, eu gosto muito. Detesto pessoas que não se posicionam, eu posso até não concordar contigo, contudo, ficar em cima do muro, para mim, é sempre a pior opção. Além disso, ele é muito responsável e honesto. Essas são características as quais eu prezo muito. E, raramente, quando quer, é fofo. Mas é bem raro (risos)”.

Sobre o fato de Pedro continuar sendo drag queen para o trabalho, João afirma que é quaaase irrelevante. 
“Eu amo a drag dele, pois amo a arte drag em si e amo vê-lo feliz. Mas não faz diferença vê-lo montado ou não. Acima de tudo, amo o Pedro”, declarou.


MEU JEITO DE AMAR

O namoro já completou 1 ano e seis meses. João afirma que não é muito romântico, mas que seu jeito de demonstrar amor é balançando a cabeça de Pedro e falando “Meu Deus, você é muito lindo, te amo”. Ou mordê-lo até ele se irritar para depois agradá-lo.

Por sua vez, Pedro demonstra carinho ao abraçá-lo a noite inteira enquanto João dorme, sendo atencioso e carinhoso (“às vezes também, porque ambos não são melosos, sabe?”). “A gente se entende do nosso jeito meio grotesco de demonstrar (risos)”, admite João. 
Tatuagem do casal

Enquanto Pedro cursa faculdade de Letras, João pensa em dar início à dele (ainda não decidiu o curso). E, em breve planejar e aliar os futuros. “Na verdade, o futuro não é um assunto recorrente, sabe? A gente só vai...”. 

Pedro diz que energicamente verão o “maior culto” no da 15 de setembro: o show da Lady Gaga no Rock in Rio.

Ao falar sobre seu relacionamento, João afirma que sua descoberta pelo amor de um homem serve para mostrar às pessoas que enquanto elas viverem presas em caixinhas nunca serão felizes de fato. “Teu amor pode estar ao lado e você diz ‘não’ por medo de se descobrir, por medo da mudança que isso irá trazer. Antes de esperarmos desconstrução externa, a maior que devemos ter é a nossa. A liberdade começa em nós”.

Pedro, quer acrescentar alguma coisa? "Pode falar que eu o amo muito". Ounnn...

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