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Site que investe na visibilidade trans faz “vakinha” e revela dificuldade de patrocínio


O site NLUCON – que promove a visibilidade trans – divulgou um novo financiamento coletivo na plataforma Vakinha.com (clique aqui e faça a sua colaboração) para que leitores e apoiadores possam contribuir para a manutenção da página. De acordo com o jornalista Neto Lucon, existe a resistência de empresas e empresários apoiarem a página.

“Ou simplesmente ignoram a tentativa de conversar ou então dizem que no momento não há interesse do anúncio. Já disseram também que o conteúdo é ótimo, mas que no momento não querem associar a marca à população trans. Pediram ainda que eu transformasse a página em gay, e não trans”, conta.

O jornalista afirma que a transfobia acaba prevalecendo, mesmo diante de dados positivos. Ou seja, mais de um milhão de acessos todos os meses. Mais de 30 mil pessoas que acompanham a página no Facebook. Três prêmios da própria militância de travestis e mulheres transexuais do Estado de São Paulo. “É triste saber que mesmo diante disso tudo não há incentivo ao trabalho”.

O mesmo foi enfrentado por outras pessoas que tentaram promover trabalhos com a população trans. Carolina Ferraz, que recentemente lançou o filme "A Gloria e a Graça", diz que empresários a aconselhavam a não interpretar um filme sobre uma travesti. "Eu cheguei a escutar de vários executivos: ‘Carolina, você é tão bonitinha, não faz uma personagem dessa. Não se associe a esse tipo de imagem. Mas isso nunca me paralisou porque eu nunca duvidei do meu desejo de contar essa história”, disse ao jornal Extra. Ela levou quase 10 anos.

O mesmo aconteceu com Leandra Leal no momento de tentar patrocínio para o filme Divinas Divas. 


POR QUE QUER ESCREVER? 


Lucon diz que o trabalho começou em 2004 – “período em que a população trans enfrentava ainda mais estigmas na mídia” – e que conseguia paralelamente trabalhar em outros veículos. “Comecei por meio da amizade que tinha com a ativista e artista travesti Claudia Wonder (1955-2010) e da vontade em conjunto de montar uma página que investisse em uma visibilidade positiva. Tem até um texto na GMagazine em que a Claudia me menciona e fala sobre ‘visibilidade, sim, mas com dignidade”.

O contato com o tema começou por meio da Claudia e de outras pessoas que conheceu nas redes sociais e pessoalmente. “Quanto mais eu convivia, mais me revoltava com a situação em que elas e eles enfrentavam, desde questões envolvendo família, escola, mercado de trabalho, violência, transfobia, invisibilidade. Depois, conhecia uma pessoa, ficava amigo e tempos depois ela era assassinada” (vide Géia Borgui, enfermeira de Campinas que foi brutalmente assassinada em 2014). “Essas dores ficaram cravadas no meu coração e tornaram-se minha maior causa”.

Porém, ele conta que na medida em que editores e jornalistas sabiam da proximidade com a população trans, pediam para escrever matérias especiais. O que ele não poderia imaginar é que o conteúdo desses trabalhos passasse por edições que deixariam o texto com conteúdo transfóbico. “Já tive vários embates dentro das redações porque quiseram desrespeitar a identidade de gênero de uma travesti, porque quiseram revelar o nome de registro de uma mulher transexual, porque ficavam chamando um homem trans de lésbica desleixada. Tentava dialogar, mas não havia diálogo”.

Desde 2013 está desempregado.

O FINANCIAMENTO


Em 13 anos de trabalho, Neto fez três financiamentos com a colaboração dos leitores e leitoras. Esta é quarta iniciativa. “Adoraria não precisar fazer esses financiamentos, adoraria receber auxílio de empresários, mas também adoraria não precisar parar com a página por não vir esse apoio. A vakinha acaba sendo uma oportunidade para todos nós nos unirmos”, declara.

Ele afirma que o trabalho não tem como premissa servir de porta-voz para a população trans, mas MAIS UM ESPAÇO para falar sobre transfobia e histórias de pessoas trans. Tanto que o trabalho está aberto às críticas e sugestões da população trans.

Sobre o fato de o valor ter aumentado o valor – de 3.500 para R$4.000 - ele justifica dizendo que irá dar parte do valor para a programadora não-binária Miguel Soares, que fez um layout novo para a página. “Já viram como ela está linda? Miguel fez sem cobrar nada, mas acho importante valorizar o trabalho das pessoas, assim como gostaria de ter o meu valorizado”.


Ele agradece a todas as pessoas que colaboraram. Quem puder e quiser investir na página, clique aqui.

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