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“A arte deve se travestilizar mais”, diz atriz Maria Léo Araruna, após estrelar Moulin Rouge


Por Neto Lucon
Foto: Karol Kanashiro


A militante travesti Maria Léo Araruna realizou neste mês o sonho de adentrar nos palcos do teatro. Ela esteve no musical Moulin Rouge, da Actus Produções e Entretenimento, que foi apresentada nos dias 7 e 8 de julho no teatro da Escola de Música de Brasília.

A direção geral é de Élia Cavalcante, a direção musical é de Paulo Santos e a coreografia é de Wesley Messias.

Na peça, Maria interpreta Camille, uma travesti orgulhosa, teimosa, forte, talentosa e sonhadora. Ela se junta com outros artistas, que têm vontade de transformar o cabaré Moulin Rouge em um grande teatro. Camille também espera se apresentar e receber aplausos.

A personagem retrata a história de alguém que sempre foi vista como aberração, que teve que sobreviver e se manter nas ruas, que se endureceu diante de todo o preconceito, ainda que guarde uma grande fragilidade interna. Camille sente medo até de se entregar à paixão pelo músico Erik Satie.


“O legal é que a história não é sobre transição de gênero, nem relações conturbadas com a família, mas sim sobre seus sonhos, vontades, sobre seu amor. Conseguimos trazer outras narrativas sobre pessoas trans na peça. E isso me deixa muito feliz”, comemora ao NLUCON


O SONHO DE ATUAR

Maria também é estudante de direito da Universidade de Brasília (UNB) e tem trabalhos artísticos voltados para a militância trans. Ela é organizadora do livro “Nós, Trans - Escrevivências de Resistência" e participou da campanha do Governo Federal contra a LGBTfobia, em menção ao Dia do Orgulho LGBT deste ano.

A artista afirma que seu grande sonho desde pequena foi atuar nos palcos. E que seus projetos atuais colocam em evidência a carreira de atriz de teatro, a qual pretende seguir por muitos e muitos anos. “O engraçado é que eu nunca arranjei tanta força e vontade em fazer algo (risos). Acho que é isso mesmo que tenho que fazer”, diz.

A representatividade foi dada por meio do roteirista da peça, Igor Forgeron, que construiu a personagem marcada pela autenticidade e nuances. A peça também conta com a presença da atriz e cantora trans Diana Anillà.

“Camille é a representação da minha entrada no mundo do teatro, um mundo em que eu sempre quis habitar. Ela rompe com estereótipos de travestis no meio artístico e também demonstra a importância que há em atores e atrizes trans interpretarem personagens trans”, declara Maria.

Ainda não há novas datas para a apresentação da peça. Mas Maria conta que a produtora responsável pelo Moulin Rouge prepara o musical "We Will Rock You", com músicas do Queen. 

Maria Leo atuou na campanha "Deixe o preconceito de lado, respeite as diferenças" do Governo Federal

REPRESENTATIVIDADE

No momento em que diversas personagens trans compõe o tema de novelas, filmes, séries e peças, Maria frisa que é muito importante que diretores, roteiristas e outros artistas se atentem à importância de empregarem essa população. Inclusive dando às pessoas trans a oportunidade de se representarem. 

“Acho de extrema importância desmistificar que travestis e mulheres trans são homens vestidos de mulher. As pessoas precisam conhecer mais sobre nós, entender nossa pluralidade e os nossos processos subjetivos, de constituição corporal e de sociabilidade. Existem pessoas trans por aí e elas são muito boas”, declara.

Na prática, ainda que o tema seja abordado, a grande maioria dos papeis trans são feitos por pessoas cis (aquelas que estão de acordo com o gênero atribuído no nascimento). E raríssimas vezes pessoas trans interpretam outros tipos de personagens que não seja trans. 


Além de Diana, ela defende que em Brasília há diversos talentos trans e destaca Rosa Luz, Kika Sena, Thayná Caminho, dentre outras. “Nós só precisamos de oportunidades para mostrar nossa potência. Acho que a arte tem que se travestilizar mais”. A gente concorda...

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