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Aluno trans denuncia transfobia em faculdade de Direito de Salvador


Por Neto Lucon

O universitário Victor Hugo Vilas Boas, homem trans de 21 anos, denunciou nas redes sociais ser vítima de transfobia no curso de Direito da Faculdade Ruy Barbosa, em Salvador, na Bahia.

De acordo com ele, não há respeito pelo nome social – ou seja aquele em que ele é conhecido socialmente, em detrimento do nome de registro – pela instituição. Mesmo após um documento enviado pela Defensoria Pública do Estado, há a resistência de cumprir esse direito. 

Victor alega que revelou ser homem trans em setembro de 2016. Ele conversou, de forma informal, com os coordenadores para explicar os seus direitos e a necessidade de chamá-lo pelo nome social na chamada, com o objetivo de poupá-lo de constrangimentos.

Em fevereiro, ele voltou a conversar com o professor e coordenador do curso. Mas, diante da falta de ação, em abril ele teve que enviar um documento da Defensoria Pública do Estado, solicitando o nome social na lista de chamada e outros meios que fossem utilizar o seu nome em público. O documento enviado baseado na lei de número 8.727, de 27 de abril de 2016.

Documento da Defensoria Pública solicitando o respeito ao nome social de Victor

Porém, de acordo com o estudante nada foi feito em oito meses após o primeiro pedido.

Após o desabafo nas redes sociais, a faculdade enviou uma nota dizendo que o nome social “já” aparece no sistema. E informou ainda que desde 2015 eles possibilitam a inclusão do nome social a alunos e professores, sendo que 30 solicitações já foram atendidas. 

"Recentemente, tivemos uma atualização no mesmo sistema, para a substituição do nome civil pelo nome social, o que gerou inconsistência em alguns dados. O problema já foi solucionado", diz a nota oficial. 


Por meio de um vídeo Victor mostrou, contudo, que o nome social não aparece no sistema. “Eles não consertaram. É mentira. Esse descaso vem acontecendo há seis meses. Dei entrada, pedi, conversei com o coordenador, falei com a coordenadoria de suporte ao aluno. Tentei resolver de forma respeitosa, mas precisei me expor para que eles tentem fazer alguma coisa e passem a usar meu nome social”, desabafou.

Depois da nova denúncia, a faculdade ainda não enviou um posicionamento. Victor, por sua vez, declarou que não vai deixar que a transfobia vença. "Eu não estou sozinho. Me respeita Ruy Barbosa. Transfobia tem cura, tem lei, tem voz".

Assista:

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