Header Ads

Cães e gatos ajudam pessoas trans levar a vida com mais leveza em mundo cheio de preconceitos


POR NETO LUCON

Quem tem um animal dentro de casa – sobretudo os gatos e cachorros - certamente já foi surpreendido com muito amor, pulos, lambidas e carinhos envolvidos. Principalmente depois de um dia com muitos conflitos, confusões, lágrimas e preconceitos.

E o conforto tem até explicação. Especialistas dizem que ter um animal em casa ajuda no alívio do estresse, redução da pressão arterial, combate a depressão, elevação da autoestima, liberação dos hormônios da felicidade.

A troca pode ser verdadeira. Animais, quando são cuidados com amor, atenção e dedicação (é muito importante entender e ter responsabilidade ao adotar um animal!), também manifestam estar felizes. E o contato se estreita e se fortalece cada vez mais.

Recentemente, publicamos uma reportagem com pessoas trans que relatam que seus animaizinhos são fundamentais num mundo repleto de transfobia. Os depoimentos foram tantos que precisamos dividir. Veja agora a segunda parte com outros cachorros e gatos que ajudam pessoas trans a levar uma vida com mais leveza e menos preconceito.

* Vale lembrar que maus tratos, agressão e violência animal – que tanto vemos nas redes sociais - é um crime ambiental de acordo com o artigo 32 da Lei nº 9.605, de 1998, com pena de detenção de três meses a um ano e multa. Caso veja ou saiba de situações de maus tratos denuncie! Saiba como fazer clicando aqui.

NOVE DENTRO DE CASA


“Vivo com seis gatinhos e três cachorros. Todos recolhidos da rua e que agora são a minha família”. Rose Annie MacFergus.


ADOTEI TRÊS GATINHAS




Kitthy, Katthy e Leona (a Leona não aparece na foto porque está linda deitada na casa... haha). Estão enormes, lindas e apegadas. Não desgrudam. Adotei no dia 20 de outubro de 2014, quando foram jogadas na praça em frente da minha casa. Estavam dentro de uma caixa de isopor por serem fêmeas. Minha mãe veio me avisar que havia três gatos na praça. Eu disse que estava terminando um trabalho e que já veria. Deu uns 10 minutos e minha mãe chegou com a caixa: “Como eu sei que você vai trazer pra casa mesmo, eu já trouxe” (risos). E foi assim que adotei minhas filhas amadas” – Léo Barbosa.



"JOHN SNOW ME FAZ COMPANHIA"


“Tem 6 meses que adotei o John Snow. Ele foi encontrado na rua perto de onde moro atualmente. E está me ajudando a superar a não aceitação da minha identidade de gênero pelo núcleo familiar principal - pai, mãe e irmão. Até hoje ninguém respeita minha identidade e, por esse e outros motivos, como manter minha saúde mental, me vi obrigado a morar sozinho. John me faz companhia e me dá amor. Ele também me ajuda com a ansiedade e medo de ficar sozinho em um ambiente novo, onde não me sinto protegido. Os animais são terapeutas que não falam nada, mas entendem tudo” – Thiago Costa.


FAZEM A ALEGRIA DA CASA



“Eu tenho as irmãs Luna e Lilo, que adotei em janeiro. Estão com sete meses e fazem a alegria de casa” - Lilian Alessandra Consiglieri.


PIPOCA FOI EMBORA, PITOCO FICOU



“Pitoco veio a mim através da barriga de sua mãe "Pipoca", que deu à luz e com o tempo sumiu. Creio que tenha sido envenenada. Mesmo com Pipoca indo embora, Pitoco se acostumou muito comigo e com minha mãe. Ele é parte da família, fez 1 ano dia 9 de maio, e nasceu exatamente no dia das mães de 2016. Ainda tem dúvidas que foi meu presente de dia das mães? Minha mãe diz que é avó dele e eu sou a mãe, entendemos todos os miados dele, para pedir comida, pra sair (abrir a janela), pra passear, com dores, com raiva, chamando pra brincar e muitos outros. Como não foi criado com outros gatos, ele perdeu alguns instintos normais aos gatos. Ontem, saiu para caçar e conseguiu pegar sua primeira presa, todas as manhãs fica na janela sonhando em pegar os passarinhos que voam” - Rebecka de França.


ELE FOI ABANDONADO



“Nescauzinho chegou até mim ainda bebezinho depois de ser abandonado em um quintal de uma casa alugada (sim, os donos abandonaram ele, sua mãe e outros 5 filhotes quando se mudaram). Chegou muito debilitado e com muito amor já passou por toda sorte de coisas, porém continua cada vez mais forte e lindo. Ele é meu príncipe, meu salvador, minha motivação, minha fortaleza...Nescauzinho tem 10 meses agora e é da raça mais linda” - Yasmin Firmino.


COMPANHEIRO E MANHOSO


“Ele tem 5 meses, se chama Castiel e era um dos cinco filhotes da gata da minha irmã. :3 Eu costumo deixar ele no meu colo enquanto estou no computador ou na mesa. Ele ODEIA ficar sozinho, mia sem parar até alguém ficar com ele (quando gente deixava ele em um ambiente, ele aprendeu a abrir a porta, sério). Ele é muito manhoso, esperto e calmo. - Sam Lopes.


PRESENTE E LEMBRANÇA DO MEU PAI



“Essa é a Gata (literalmente, porque achamos que ela iria embora e no fim nunca demos um nome). Ela apareceu na minha rua há uns cinco anos e meu pai trouxe pra minha casa pra me mostrar, porque ele sabia como eu amava gatos. Vimos que ela ficava no nosso portão todo dia, então começamos a alimentá-la. Quando percebemos, ela estava prenha. O plano era ela ter os bebês, a gente doar eles e encontrar a família antiga dela, mas no fim ela nunca mais foi embora. Meu pai faleceu em março desse ano e eu penso nela como um presente que ele me deixou, além de todo o resto de coisas boas, ela é meu presente favorito! Sempre vou lembrar dele enquanto ela estiver aqui comigo - Beatriz Wenzel.



NÃO TERIA AGUENTADO SEM A LOLA


“Eu adotei a Lola ainda bem miúda, ela tinha medo de mim, agora não desgruda. Logo no início da transição, tive crises de depressão e pânico terríveis, e se ela não estivesse comigo não sei se teria aguentado. A presença dela me fez sentir muita paz” - Dio Ferreira.


PELUDINHA DA FAMÍLIA



“Essa é a Maria Judite. Ela é um anjo que apareceu na minha vida e da minha família desde 2014. Sempre quis ter uma cachorrinha peludinha, mas na infância não rolou. Quando eu tinha uns 16 anos, passei em frente de uma loja e vi essa belezura lá. Tinha uma plaquinha dizendo que era um filhote mestiço e que estava barata. Nossa, ela parecia tão triste naquela gaiola. Não pensei duas vezes antes de juntar as moedinhas e trazer o amorzinho da minha vida. Ela adora receber carinho e provocar o meu pai para ir brincar com ela. É dona de uma inteligência gigante e de um carinho maior ainda. Só falta falar. Ela só não curte ser penteada e tomar banho. Nós a tratamos como integrante da família” - Leila Souza.


SISSI, UMA AUTÊNTICA VIRA-LATINHA


“Encontrei a Sissi num dia que estava voltando da escola de carona. A pessoa que estava guiando o carro parou num semáforo em um cruzamento.Nessa hora vi um cachorrinho de rua passando (pensei com meus botões, que bicho buíto). Pouco depois, ouvi uma freada brusca e ganidos. Ela havia sido atropelada ao tentar atravessar a rua.

Fiquei agoniada quando o sinal abriu, e ao passarmos no cruzamento, vi que o cachorrinho estava mesmo machucado e estropiado, tentando a custo se erguer e ir até a calçada. Na época eu era muito tímida e não tive coragem para pedir para a pessoa que estava dirigindo parar ali mesmo, e saltarmos para resgatar o bichinho. Acabei aguardando, morrendo de vergonha. Quando o carro me deixou perto de casa, voltei todo o caminho correndo para ver se achava o cachorrinho atropelado, e deparei com ela numa caixinha, já na calçada, e um pouco de comida de gente ao lado. Me aproximei, e vi que ela tava tremendo todinha de dor, e nem mexia as patinhas. Pensei "esse cãozinho não vai conseguir vingar sozinho", e resolvi levar numa veterinária amiga minha.

A doutora foi SUPER dez, e apesar de na época eu estar praticamente lisa de dinheiro (os poucos bicos que eu conseguia dando aulas mal-mal davam para comprar hormônio) ela fez um desconto camarada para mim e aceitou cuidar da cachorrinha enquanto eu tentava desenrolar o dinheiro e a possibilidade de arranjar um cantinho para a cachorrinha em casa. A veterinária deu comidinha para ela, remédios e ajudou no comecinho da recuperação da peluda.

Durante a recuperação, ficou evidente que o atropelamento havia lesionado a medula dela, e ela não mexia mais as patinhas. Consegui autorização de minha mãe para cuidar dela em casa "só por alguns dias", para não onerar demais a veterinária camarada. Nesse interím, havíamos notado que ela ainda tinha um pouquinho de reflexo, beeem de leve, nas patinhas traseiras, mas a veterinária avisou que ela talvez nunca mais voltasse a andar, e iria requerer cuidados constantes.

Pior do susto passado, era focar em recuperar a saúde dela e achar logo os donos dela (imaginamos que ela tinha dono - ela já era adulta e tinha as tetinhas cheias de leite). Apelidamos ela de "Sissi" por conta daquele filme clássico da Romy Schneider "Sissi e seu Destino" - haviam paralelos^^


Calhou que nunca encontramos os donos, e os dias foram virando semanas, enquanto isso eu aproveitava e fazia uma espécie de fisioterapia com a peluda para reabilitar as patinhas, que se mostrava muito feliz no novo lar com e os cuidados que recebia - se ela nem se incomodava com a falta de movimento nas patinhas e tava felizinha, por que nós nos incomodaríamos? :)

Eventualmente, Sissi conseguiu recuperar parte do movimento das patinhas (o suficiente para se erguer e andar um pouco para onde queria ir) e nós desenvolvemos uma conexão muito fofa, que bastava uma olhar para saber o que a outra tava sentindo ou querendo. E os "poucos dias" dela viraram quase catorze anos junto com a família.

Uma lembrança engraçada que tenho, é que minha mãe detestava a ideia de "barulho de cachorro incomodando os vizinhos" e ela temia que a Sissi fizesse barulho, por ser tanto uma cachorrinha de rua e SRD (sem raça definida). Eu não me sentia bem com a ideia de pedir silêncio ou gritar com bichinhos, então não saberia como lidar com eventual barulho de ela latindo direto. Mas a Sissi parece que percebeu essa exigência de minha mãe sozinha, então quando era hora de ela passear para fazer xixi, ela apenas olhava para a gente e soltavam um "AU!" só, como quem dizia "Hey, lembra aí que tenho que passear, tá?" Like a lady – Natália Becher.

Nenhum comentário

Tecnologia do Blogger.