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CE, MG, RJ, SP e BA são os piores Estados para ser uma pessoa trans no Brasil

Por Neto Lucon

Noventa e uma travestis, mulheres transexuais e homens trans foram assassinados de janeiro ao início de julho de 2017, informou o Mapa de Assassinatos de Pessoas Trans no Brasil, feito pela ANTRA. Segundo ele, os estados que mais mataram a população trans foram o Ceará e Minas Gerais.

Foram 11 assassinatos de pessoas trans no Ceará, 10 em Minas Gerais, seguidos de 8 no Rio de Janeiro, 8 em São Paulo e 8 na Bahia. O Pará teve 6 mortes, Pernambuco e Paraná tiveram 6 cada e a Paraíba teve 5.

Goiás, Rio Grande do Sul e Mato grosso tiveram três mortes cada, seguido de Alagoas, Espírito Santo, Santa Catarina, Sergipe com dois assassinados, e Amazonas, Distrito Federal, Maranhã, Mato Grosso do Sul, Piauí, Rio Grande do Norte e Tocantins, com 1 assassinato.

Lembrando que os dados são recolhidos dos casos que saíram na mídia ou que foram informados por meio da rede em todo o Brasil. Porém, estes dados podem ser ainda maiores, uma vez que não há a tipificação de transfobia (ou mesmo LBTfobia) como motivação em tais crimes e porque muitos casos são subnotificados ao aparecerem como assassinatos de homossexuais ou lésbicas, invisibilizando a identidade de gênero e o nome social das pessoas trans – sobretudo a dos homens trans.

De acordo com a militante Bruna Benevides, responsável pelo Mapa da Antra, independente da motivação dos assassinatos, todos acabam tendo a transfobia (preconceito contra pessoas trans) como pano de fundo. “Intencionalmente desqualificam a motivação real e acabam tipificando como motivo torpe ou qualquer outro que não caracterize como crime de ódio. Mas alguém que dá 25 tiros em uma única pessoa quer matar até a sua alma”.

Dentre os casos que ganharam repercussão nacional e mundial está o da travesti Dandara dos Santos, de 42 anos, que foi brutalmente agredida e morta por vários homens em fevereiro deste ano em plena rua no Ceará. E o de Têu Nascimento, de 24 anos, homem trans que foi brutalmente assassinado em maio deste ano na Bahia.

Mirella de Carlos assassinada em BH, Dandara dos Santos assassinada no CE; Têu Nascimento, vítima na BA

DADOS COMPROVAM EXPECTATIVA DE VIDA BAIXÍSSIMA


Embora não seja um dado oficial, estima-se que a expectativa de vida de uma travesti, mulher transexual e homem trans é de 35 anos. Segundo o Mapa de Assassinatos de Pessoas Trans, os crimes comprovam essa baixíssima expectativa de vida, em detrimento dos 75 anos de pessoas cis.

“70% dos casos acontecem entre 20 e 30 anos, o que demonstra que a estimativa – caso observados os recortes de classe, raça e gênero – pode ser ainda menor. Infelizmente, com o avanço do conservadorismo e o desmonte das políticas públicas vemos as coisas piorarem em vários campos e isso se reflete diretamente no aumento da onde de violencia em todo o brasil”, afirmou.

O número crescente de mortes coloca o Brasil como o país que mais mata a população trans no mundo. Mas o que deveria servir de subsídio para que os Estados criem estratégias urgentes para combater esses crimes de ódio não sensibiliza os governantes. “Isso demonstra o quanto o Estado tem se omitido em relação a população trans. Não há uma lei que criminalize a LGBTfobia, não há política pública em caráter nacional”, declara.

Bruna afirma que a tendência é piorar e que é preciso que haja maior mobilização de toda a população trans e dos aliados. “São sempre as mesmas pessoas lutando e quase sempre sozinhas. Quando tínhamos um governo ‘progressista’ e que ‘dialogava’ com nossas pautas, não conseguimos aprovar uma lei que criminalizasse a LGBTfobia. Imagine agora com toda a articulação para tirar direitos desta população, sendo que nós nem existimos de fato enquanto cidadãs e cidadãos”. 


Você pode ver o mapa na íntegra clicando aqui.



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