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Coletivo Trans Sol oferece aulas de costura para pessoas trans e travestis gerarem renda, em SP


POR NLUCON
FOTOS: FanpageTransSol/ Facebook


Cerca de 90% das travestis e mulheres transexuais estão inseridas na prostituição, informa a ANTRA. Muitas delas, por imposição e estigma – não por escolha. Pensando nesta realidade, um projeto independente visa capacitar e oferecer outras oportunidades no mercado de trabalho.

Trata-se do coletivo Trans Sol, das amigas Priscila Nunes e Mavica Morales, que ensinam a população trans – travestis, mulheres transexuais, homens trans, n-bs e outras transgeneridades – a arte da costura e, por meio dela, gerar a própria renda.

Atualmente, o projeto conta com 16 alunas, que fazem aulas às quartas-feiras, das 13h às 17h, no bairro do Glicério, em São Paulo.

O coletivo foi criado em outubro de 2016, tentando entender as demandas. Inicialmente, conheceram a Rede Design Possível, que apresentou a Incubadora Economia Solidária, da prefeitura de São Paulo. E, por meio da parceria com o Transcidadania, projeto que oferece uma bolsa para que a população retome os estudos, o Trans Sol conseguiu chegar ao grupo.

Todas as alunas passam pelas aulas de processo criativo, desenho e são criadoras. “Tem meninas aqui que são uma verdadeira biblioteca de moda, são superinformadas. O que mais me cativa é que são interessadas, querem saber. O desejo de fazer roupa é grande. Fazer roupa para elas, coisas que elas não encontram, não tem condições de comprar”, conta o professor Renato Raga ao jornal O Estado de São Paulo.




CALCINHAS E BONECAS

Num primeiro momento, o coletivo se propôs a ensinar as alunas a fazer bonecas e crochês, mas elas disseram que queriam mesmo é aprender a confeccionar calcinhas para a população trans, que tem um design diferenciado, que precisam ser reforçadas e que possuem demanda. O coletivo pediu colaboração do amigo Otávio Matias, que convidou o ex-professor Renato Raga.

“É mais que um curso de moda, é um projeto para que elas possam aprender a lidar com finanças e comércio. A ideia é que elas criem os próprios trabalhos sem depender de terceiros. Elas nos dizem o que querem fazer e seguimos”, afirma Otávio. 

Após a mudança de gestão da prefeitura de São Paulo, o coletivo enfrentou o primeiro corte de verbas e quase teve que finalizar as atividades. Foram dois meses em que todos os gastos ficaram por conta do coletivo. Até que elas conseguiram fechar um contrato para desenvolver vestidos para bonecas estilo Blythe para a artista plástica Cristina Bottalo.

“Hoje conseguimos pagar as alunas para fazer o trabalho. E elas chegaram sem saber pregar um botão”, declara Priscila.

Rose Mary, que é uma das alunas e representante do grupo, comemora a iniciativa: “É muito importante a geração desses cursos profissionalizantes. As meninas não conhecem o mundo real, apenas o submundo”, declara.


 

Boneca com o vestido do Trans Sol se esgotou em poucos minutos

DOAÇÕES

Para dar continuidade ao trabalho, o projeto aceita doações de lanche, tecidos, aviamentos, tesoura para tecidos, carretilhas e maquinário. Quem puder contribuir, basta procurar os responsáveis por meio da página no Facebook clicando aqui.

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