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Após episódio machista, homem trans reflete sobre masculinidade e toma decisão transformadora


Por NLUCON

O homem trans Pol gravou um vídeo (republicado no Brasil pelo PlayGround) em que fala sobre como um episódio de machismo ao lado de homens cisgêneros heterossexuais o fez ter uma decisão incrível: reavaliar a própria masculinidade e combater os estereótipos que servem apenas para perpetuar o machismo.

No vídeo, ele afirma que foi chamado na praia para ficar ao lado de homens cis (pessoas que se identificam com o gênero designado no nascimento). E que, ao mesmo tempo em que estava emocionado por ocupar aquele espaço pela primeira vez, se frustrou ao ver o que tanto eles falavam.

“Era uma competição entre eles. Quem tinha corrido mais com a moto, quantas meninas tinham ficado no fim de semana ou quem tinha feito mais besteiras no geral. Era uma situação que eu não estava curtindo muito”, declarou ele, que presenciou um dos rapazes "brincar" de olhar as mulheres de topless na praia com um binóculo.

Ele percebeu que um dos rapazes cis também não estava curtindo tudo o que estava ocorrendo, e logo ele foi chamado de “Bicha”.

“Situações como essa me fazem pensar o que quer dizer ser homem. Se ser homem é estar de acordo com coisas que não estou de acordo. Se ser homem é ser cúmplice desses comentários, das fotos que chegam no WhatsApp. Se isso é ser homem eu não sei se quero entrar nesse jogo. Também penso o que quer dizer ser mulher? O que quer dizer gênero? Se gênero é real ou mais uma coisa que criamos?”, questionou.

SENDO VÍTIMA DO MACHISMO

Pol afirma que desde a mais tenra idade teve afinidade com o masculino. Tanto que quando tinha 7 anos pediu para a mãe levá-lo a uma cabeleireira e cortar "o cabelo como o de um homem". Ela levou numa primeira vez e atendeu ao pedido de um corte curto, mas na outra resistiu a ideia e deixou o cabelo mais longo que o combinado.

A possibilidade de se entender e de ser uma pessoa trans só ocorreu universidade, quando conheceu um mundo de possibilidades e pessoas, deixando as dúvidas e os medos para trás. E passando a viver e a se identificar como um homem.

Pol afirma, contudo, que o fato de ser educado e socializado como mulher o fez sofrer e sentir de perto o machismo. “Vivi nesse mundo dezoito anos como mulher. E vivi o machismo na minha própria pele”.

Dentre as situações machistas que vivenciou, ele revela que sabe o que é estar em uma reunião, dizer alguma coisa e não ter nada levado em considerado, e um colega dizer exatamente o mesmo e todo mundo aplaudir. Que sabe o que é ser agredido sexualmente aos 11 anos, de ter mãos sobre o seu corpo no metrô e no ônibus, e mostrarem o pênis na rua. Tudo isso por ser ou ser lido como uma mulher para a sociedade. 


Aos sete, Pol pedia corte de cabelo de "homem"

Após passar pela transição e ser lido como o homem que de fato é, ele diz que nada disso acontece mais. Por sua vez, quando está ao lado de garotas elas pedem para que ele saia do vestiário. “Isso me fez pensar no caminho que percorri. Em como deixei de alguém sexualizado constantemente, para ser um potencial agressor. Sem ser, eu sei que não sou, mas ali a coisa tinha mudado”.

A MUDANÇA

Ao relembrar o episódio da praia – e de tantos outros em que esteve acompanhado apenas de homens cis – ele diz que está mais adepto ao feminismo e reavalia o tipo de homem que será e qual é o tipo de masculinidade que ele quer ter: “Se quero ter essa coisa com a qual não concordo, e com a qual eu mesmo sofri durante tanto tempo, ou se quero ter outra. Então eu tomei uma decisão consciente”. 

A decisão consiste em se afeminar - sem que tenha a ver com orientação sexual ou o que seja, mas simplesmente mais uma expressão de gênero. “Decidi, tendo sido sempre uma menina super masculina e super machona, decidi mudar isso. Decidi colocar um brinco na orelha, sorrir muito, gesticular, fechar as penas, ter trejeitos 'afeminados', sem que isso faça com que eu seja menos homem. Sem que isso queira dizer que a minha masculinidade seja uma coisa menos de homem. Sem que isso queira dizer que eu quero mudar de novo ou que serei uma mulher. Simplesmente encontrei um espaço na qual estou à vontade. Sou um homem trans e essa é minha masculinidade”.

Ele finaliza dizendo que seria interessante se cada pessoa encontrasse a sua própria masculinidade ao invés de apenas reproduzi-la. Fica a dica! 




Assista ao vídeo:

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