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Índia trans revela que teve que fugir de tribo para não ser morta; hoje ela é parteira obstetra e tem seis filhos

Índia mostra um dos partos que acompanhou / Foto: Fabiana Figueiredo /G1

POR NLUCON

Yrapoti Macial, de 52 anos, é uma mulher trans com uma história de vida repleta de desafios, transfobias e vitórias. Ela é uma índia, vinda da tribo dos Guaranis, no interior do Amazonas, e já teve que desviar de inúmeras emboscadas de preconceito.

Segundo ela, havia uma tradição na tribo de que, ao identificarem um índio trans, ele precisava ser morto. Foi por conta do amor e da sobrevivência de Yrapoti que sua família resolveu fugir para Manaus e para o Amapá, onde mora há 30 anos.

Ela revela que passou sua infância e adolescência sem entender o que de fato era. O preconceito era ainda maior e a invisibilidade das identidades trans era confundida com a orientação sexual. Ainda assim, ela conseguiu externalizar a mulher que sempre foi.

Certa vez, foi beijada por um garoto do Amapá e acabou formando uma família por 15 anos. “Eu olhava para mim e não sabia o que eu era. Um certo dia ele me deu um beijo, disse que podia beijar. E ele foi meu companheiro por 15 anos. Era difícil, mas ficamos juntos”, declarou em reportagem do G1.

A PROFISSÃO

Mas se o mundo quase a sentenciou à morte dada a violência e a cultura transfóbica, Yrapoti deu a ela a sua melhor resposta. A vida. Ela trabalha há quase 30 anos como parteira obstetra no Amapá.

A profissão foi aprendida quando tinha apenas 14 anos por uma herança família, uma vez que sua família é composta basicamente por parteiros. Sim, muitos bebês chegaram ao mundo por meio de suas mãos.

A profissão fez com que ela tivesse um contato bastante próximo com a maternidade. Tanto que a parteira adotou seis filhos e leva uma vida como de qualquer mãe cisgênero.

A mãe revela que é uma mulher muito feliz, realizada e que ama seus filhos como se os tivesse gerado. Diz ainda que tem um contato muito harmônico com a natureza, com as plantas e com as pessoas que a conhecem.


Índia ao lado de defensores públicos / foto: Marcelo Loureiro /

NOME SOCIAL RESPEITADO EM AÇÃO

Recentemente, Yrapoti se tornou notícia ao conseguir um feito inédito na Justiça brasileira. Ela, que ainda não retificou a documentação, foi autorizada pelo judiciário a usar o nome social durante um processo que tramita no Tribunal de Justiça do Amapá.

O processo nada tem a ver com a questão trans. Ele fala sobre a reintegração de posse de uma área na capital que seria da índia. Yrapoti brigou para que fosse chamada e identificada pelo nome em que é conhecida socialmente, em detrimento do nome de registro.

Raphael Monteiro, chefe do departamento Civil da Defensoria Pública, declarou que embora não haja legislação que autorize o nome social em um processo jurídico, houve sensibilidade da magistrada para tornar a situação mais confortável para ela. “O que se busca é inserir essas pessoas num contexto social de maneira que elas possam se sentir à vontade”, afirmou.

“Eu nasci uma mulher, bonita e maravilhosa. Me chamar pelo nome que está na identidade não dá. Você nem imagina eu sendo uma mulher tendo que ser chamada com nome de homem. É dolorido e uma tortura psicológica. Consegui com luta e teimosia fazer com que as pessoas me respeitassem e me vissem como ser humano”, declarou.



PRÓXIMOS PASSOS

De acordo com ela, o próximo passo é que faça a retificação do nome e sexo da documentação. Sendo assim, ela será reconhecida legalmente enquanto a mulher que é.

Já no campo dos sonhos, ela afirma que pretende colocar próteses de silicone nos seios. “Vou completar minha felicidade depois que colocar minhas próteses de mamas”.

Que consiga realizar esse sonho!

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