Header Ads

Lea T e o pai Toninho Cerezo emocionam ao falar sobre respeito às pessoas trans


Por NLUCON
Fotos: Carol Caminha / GSHOW

A modelo Lea T, de 36 anos, e o pai, o ex-jogador de futebol Toninho Cerezo, de 62, estiveram juntos pela primeira vez em um programa de TV nesta terça-feira (04). No Conversa com o Bial, da TV Globo, eles falaram sobre respeito e acolhimento à população trans e emocionaram.

A atração começou com o jornalista Pedro Bial questionando se Lea e Toninho adentram um no universo profissional do outro. Toninho respondeu que não entende nada de moda, mas que pelo que viu a filha manda muito bem. E Lea admitiu que chegou a dormir no estádio de futebol quando o pai a levava.

“Era uma coisa excessiva. Era o dia inteiro as pessoas falando do trabalho do meu pai comigo. As pessoas até se aproximavam querendo o autógrafo do meu pai. Achavam que eu amava futebol e ficava falando sobre futebol o tempo todo com a gente”, declarou a modelo, que disse ter sido alfabetizada na Itália.

Sobre a infância e adolescência, Toninho revela que sempre percebeu que Lea era diferente dos garotos, mas que achava que era algo referente a sexualidade, jamais envolvendo a questão de identidade de gênero. Ele admitiu que sequer sabia o que significava a transexualidade. Até que certo dia Lea convocou a família – irmãos, mãe e pai – e falou que era uma mulher transexual.

Lea admitiu que sentia muito medo de ser rejeitada pelos familiares e de ter que recorrer à prostituição – como muitas amigas diziam e exerciam. Ela revelou que o sobrenome “T” vem de Ricardo Tisci, o estilista que deu o primeiro grande trabalho como modelo – na Givenchy – para que Lea pudesse se sustentar caso não fosse bem recebida pela família.



PAI SE EMOCIONA

Para a surpresa de muitos, Toninho foi uma das pessoas que melhor acolheu a filha. “No primeiro momento você fica preocupado. Você sabe como é o Brasil, as dificuldades que ela teria. Eu pensava que a Lea ia ser gay e ponto. Quando surgiu isso (a transexualidade), eu não entendia nada do porquê dela ser mulher. Será que eu fiz alguma coisa errada?".

Depois, o ex-atleta afirmou que passou a compreender melhor graças ao apoio de várias mulheres cis, que vinham falar sobre o assunto e mostrar a aceitação de outras famílias. Os amigos homens, segundo ele, não comentavam nada. A sensibilidade bateu forte, com direito a muitas lágrimas, quando ele leu o desabafo de Lea na revista Veja.

“Aí vi uma reportagem dela, que ela dizia que se olhava no espelho e falava que não se sentia bem. E eu me olho no espelho e me sinto superbem. Eu imagino ela olhando e ela dando essa declaração. Ali mexeu muito comigo”, chorou, também emocionando a plateia e os telespectadores.

Lea pontuou que nem todas as pessoas trans tiveram a mesma sorte de ser acolhida pelos pais. “Odeio essa palavra aceitar porque eu não fiz nada de errado. Não é porque ele me respeita que faz ele ser uma pessoa iluminada, mas uma pessoa que respeita o amor. É isso que falta em muitos pais. Muitas meninas não têm esse apoio”, lamentou, destacando que todo o processo de transição fica maravilhoso com o apoio familiar. 



Toninho disse que a preocupação da Lea de que não seria respeitada foi em vão, porque a família jamais a abandonaria. Ele também disse que a nova geração está muito mais aberta ao respeito à diversidade. “A juventude está sensacional As coisas estão mudando para melhor”.

 A BUSCA PELA FELICIDADE

Questionada se após a cirurgia de transgenitalização conseguiu encontrar a felicidade, Lea disse que a busca pela felicidade é constante, mas que a cirurgia foi um sucesso. 

“Eu sou uma pessoa feliz, mas luto para ser feliz. (A cirurgia) foi ótima, foi mais do que eu imaginava. Para a minha pessoa foi uma coisa necessária. Eu tirei um problema de mim, que para mim era um problema, mas que para outras pessoas pode não ser”.

Ela disse ainda que enfrentou muita resistência na moda e que, embora tenha sido dada a opção de ela não expor a questão trans, Lea disse que optou por levantar a bandeira em prol de todas as demais pessoas trans. “Quando me vi fazendo comercial para uma marca francesa, na hora eu pensei em todas as meninas que não tiveram essa oportunidade. Então, eu me prometi de levantar essa bandeira e defender essa causa”.

Sobre o futuro, a top disse que está aberta a novas possibilidades e desconversou sobre a possibilidade de trabalhar como atriz. “A parte da atuação eu sou muito chata e muito crítica. Ou você é boa, ou você faz muito sério ou você não faz, porque seria uma ofensa para quem faz sério”. 

Toninho, por sua vez, opinou que a filha seria uma excelente jornalista caso seguisse a profissão. Lea brincou que agora ele está nessa viagem, emendando que não pensa nisso. E com esse bate-papo sincero, leve e emocionado, pai e filha promoveram uma excelente referência de  aceitação respeito familiar às pessoas trans, na TV aberta. Que este exemplo tenha atingido muitos e muitos lares. 

Não assistiu ou quer rever? Assista ao programa na íntegra clicando
aqui

Nenhum comentário

Tecnologia do Blogger.