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Livro: Amanda Lepore fala sobre cirurgias, transexualidade e relacionamentos abusivos


POR NLUCON

Amanda Lepore é a mulher transexuais mais famosa de Nova Iorque. E ela acaba de lançar o seu livro de memórias, Doll Parts, em que aborda assuntos sobre sua vida, carreira, desafios. Além das polêmicas envolvendo cirurgia, transfobia e o namoro com rapper famoso.

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Escrito por Thomas Flannery Jr, a artista conta que antes de ser considerada musa de David Lachapelle e de ter estrelado campanhas da Mac Cosmetics e Armani Jeans já teve que passar “por muitas e ruins”.

Ela lembra que o pai era engenheiro químico e que a mãe, uma dona de casa, passou parte de sua infância em instituições de saúde mental. Seu sonho recorrente era estar presa em uma torre, como Rapunzel. Ela garante que não era fruto da negligência familiar, mas pelo sonho de ter cabelos loiros e ficar se admirando no espelho.

Por meio de uma babá, aprendeu a costurar – o que a ajudou a produzir roupas nos primeiros clubes noturnos masculinos quando era adolescente. Ela fazia figurinos para strippers e conseguia dinheiro para comprar estrogênio e modificar o corpo. Assim que os seios começaram a desenvolver pela hormonioterapia, enfrentou barreiras na escola.

Logo, sabia que ser uma pessoa que foi designada homem ao nascer, mas que é uma mulher, renderia muitas barreiras. 


Amanda no início da carreira

MEU PRIMEIRO (DES)AMOR

O primeiro homem com quem se relacionou foi um empresário chamado Michael que conheceu logo após sair do colégio. Ela tinha 18 anos e sofreu uma agressão transfóbica. Mesmo fazendo juras de amor, Michael alegou não saber que Amanda era uma mulher transexual e a espancou assim que foi informado.

O pai do rapaz, com uma visão mais progressistas, interrompeu a agressão e soltou um clichê que naquele momento a salvou. Ele disse que Amanda não era um homem, mas uma mulher que tinha o corpo em fora de sincronia com a mente. Além de tê-la salvado da agressão, o sogro pagou sua cirurgia de redesignação genital.

Eles chegaram a se casar em uma pequena cerimônia em Nova Jersey. Mas as agressões continuaram, pois o rapaz era possessivo e a impedia de trabalhar. Keni Valenti, um amigo, conta que ele estava tentando transformá-la em uma modelo, mas que o marido dizia que estava tentando explorá-la. 

Tudo piorou quando, além da abusividade do casamento, o sogro começou a assediar sexualmente Amanda. “Foi muito estranho”, disse ela, que fez uma única mala e em 1988 foi para Nova York.


A MUSA DA FESTA

O primeiro trabalho foi como dominadora na Belle de Jour, um clube SeM no East Side e também como balconista de uma loja de maquiagem no centro de Manhattan. Em 1993, estava conhecendo os clubes da cidade quando participou da abertura da Disco 2000, uma festa às quarta-feiras no Limelight que transformou sua vida.

Foi vista pelo promotor Michael Alig e o publicista, Claire O’Connor e recebeu uma oferta de trabalho. Alig ficou fascinado com Amanda e decidiu contratá-la com o objetivo de atrair atenção para a festa. Amanda era paga para simplesmente aparecer nas festas, dar um close, fazer carão, tirar fotos com fãs e dançar.

Foi lá que conheceu ninguém menos que o badalado fotógrafo David LaChapelle, que a transformou em uma de suas maiores musas. O primeiro bate-papo ocorreu durante a noite inteira e, no dia seguinte, lá estava Amanda fazendo o seu desfile LaChapelle. Cada vez mais a carreira como modelo cresceu e Amanda foi se tornando um ícone.

Nos livros de David LaChapelle, ela aparece em dezenas de fotos. Pela parceria, começou a aparecer espontaneamente em propagandas de grandes marcas e a desfilar para grandes estilistas. Ao mesmo tempo, continuava nos clubes e também investia na carreira de cantora. 

BELEZA E CIRURGIAS PLÁSTICAS

A idade é algo que ela diz que muda de acordo com a ocasião. No Tinder, diz ser uma bomba loira de 36 anos em busca de um cavalheiro. Nos seus discursos, ela garante ter 49 anos. Mas amigos e pessoas próximas dizem que ela tem bem mais. Bem, esse é um segredo à lá Gloria Maria.


Os cuidados com a beleza é um assunto que ela gosta de falar, embora a amiga Susanne Bartsch declara que a vaidade vai além da vontade de se sentir bem. Segundo ela, a sociedade sempre incentivou Amanda a ter uma sensação de que “não era feminina o suficiente”.

É por esses e outros motivos que Amanda afirma que já fez alterações estéticas em quase todas as partes do corpo. O bumbum conta com silicone, fez uma rinoplastia no nariz, diminuiu a testa trazendo o cabelo para frente, colocou preenchimento nas bochechas e trocou as próteses de silicone nos seios por três vezes.

Para ter um formato de corpo ampulheta, ela teve as costelas inferiores quebradas e empurradas para fazer com a cintura fique menor e os quadris mais largos. Para o procedimento, que é quase inexistente nos EUA, ela teve que ir ao México. Os procedimentos mais recentes está um tratamento a lesar projetado para enrijecer a pele em torno da mandíbula.

O RAPPER

Outro trecho da obra que chamou atenção da grande mídia foi o envolvimento amoroso de Amanda com um famoso rapper – que embora ela não diga o nome, vários sites apontaram sendo como Kanye West.

A artista afirma que teve uma noite de muita entrega com o bonitão até que ele simplesmente a deixou para se casar com uma mulher cis. No caso, Amanda diz que o formato de corpo da atual esposa muito parecido com o seu. “Ele se casou e não pude evitar”, disse.

Após as especulações de que estaria se referindo a Kanye West e Kim Kardashian, ela não desmentiu nem confirmou. Só evidenciou a solidão da mulher transexual, que ao mesmo tempo em que é escolhida para o sexo é preterida a uma mulher cis na hora de se relacionar. 

Uma das fotos de David LaChapelle

BEIJO NO OMBRO

Há quem a critique por, apesar de ter uma enorme visibilidade, promova apenas vestidos, strass e closes – sem demonstrar consciência para os retrocessos que ocorrem nos EUA. Mas há várias pessoas, bem como a ativista trans Denise Norris, que diz que Amanda merece crédito por “se manifestar sem medo” décadas antes de o tema virar debate.

O livro também aberta várias pessoas questionando como Amanda conseguiu sobreviver à vida noturna durante tanto tempo sem ter um talento que saltasse aos olhos do público. Não é DJ, não é humorista, não é apresentadora e, embora tenha várias músicas gravadas, não se pode dizer que ela definitivamente solta a voz.

Parece que esquecem todos os cliques que ela fez ao longo da carreira, os desfiles para estilistas famosos, as campanhas em grandes marcas, os clipes de suas músicas muito glamorosos (um deles, foi gravado no Brasil!), a simpatia com que recebe as pessoas nas festas, a dedicação em se produzir e a própria trajetória que por si só já faz a gente morrer de vontade de conhecê-la. 

O fato é que Amanda é uma mulher transexual que conseguiu driblar o preconceito e conseguir sucesso, continua sendo extremamente popular e, como diz seu amigo, “toda vez que ela tira o vestido, as pessoas adoram. Gritam, berram... Acho que isso é uma arte. Ela é o último símbolo sexual. Rendam-se todos”.

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