Header Ads

Transserviços

Conheça Odara Soares, a rapper trans em prol das pessoas LGBT, negras e minorias


Por Neto Lucon

"Olhe para mim e respeite a minha existência / Sou preta, trans e tatuada / E amo minha aparência / O mundo é de quem faz e eu vivo todos os momentos / Se sua vida tá uma bosta/ Filhote / Eu só lamento”.

Este é um dos trechos da música e do clipe “Palavra”, lançados neste ano pela rapper trans Odara Soares, de 24 anos. A artista chega confrontando os preconceitos, levantando bandeiras e mostrando potencial de somar no rap nacional.

Nascida em Itaquera, zona leste de São Paulo, e atualmente morando em Sorocaba, interior paulista, Odara conta que escrever músicas e cantar rap foi a maneira que encontrou de protestar diante de tantas opressões, não ficar sozinha com os seus pensamentos e levar seus ideais, cultura e mensagem para mais pessoas.

“O rap é uma forma de protesto e o local de fala de todos os oprimidos deste sistema que é contra o povo. Faço para tentar deixar meus ideais nas ruas, ajudar quem vive em situação de vulnerabilidade, marginalidade imposta e para tentar construir um mundo melhor. Amo e acredito no rap e no poder da poesia”, afirma ao NLUCON.

RESISTINDO

Mulher trans, negra, criada por pai militar e com mais de 23 tatuagens. Odara sabe o que é ter que resistir aos preconceitos, normas e imposições. Sobretudo no país que é considerado o que mais mata travestis e transexuais no mundo (de acordo com a ong Transgender Europe) e que o racismo ainda é latente e muitas vezes velado.



“Quando você é negra as pessoas acham que tem o direito de dizer até onde você pode ou não ir. Quando você é uma pessoa trans, acham que podem anular suas qualidades. Quando você é tatuada, te enxergam logo como marginal. É humanamente impossível lutar contra todas as opressões, mas sou boa de briga e a vida sabe disso”, garante.

O primeiro rap surgiu aos 16 anos, falando sobre uma desilusão amorosa por um “praticamente ex-namorado” que não a respeitou. Naquela época, muita gente a elogiou pela habilidade de transpor os sentimentos no papel, mas ela não acreditou que teria sucesso. A vida seguiu, Odara continuou escutando rap e, após milhares de situações de opressão, decidiu que é o momento de atender sua vocação e engrossar o caldo na luta.

Ela afirma que nunca aceitou alguém dizer o que pode ou não fazer, o que pode ou não vestir ou que pode ou não ser. E frisa que entende o seu papel social para fazer alguma coisa para o momento atual. Odara acredita que em meio ao preconceito existem pessoas que aceitam evoluir e abrir a mente, e que sua maior arma é a resistência, a música, o confronto e principalmente o amor.

PALAVRA

A música “Palavra” foi escrita por Odara e faz parte do seu primeiro EP, todo com músicas autorais. Segundo ela, foi maravilhoso gravar o seu primeiro clipe – que teve R$ 0,00 de gastos e foi gravado em menos de 48h – rodeada de pessoas maravilhosas e que querem ver e ouvir sua voz potencializada.



Na letra, ela explica, dentre outras coisas, que não se deve usar a palavra “traveco” para se referir às travestis, reivindica respeito e ainda faz uma crítica aos homens que se relacionam com mulheres trans e travestis e ao mesmo tempo são preconceituosos.

“Meter bala na gente realmente é muito fácil / difícil é assumir que o seu bumbum guloso é ágil”, “O bumbunzinho pisca no seu subconsciente / Respeite as trans, as travestis porque nós somos gente”.

No Youtube, o clipe teve mais de 6 mil visualizações, quase mil likes positivos e apenas 23 negativos. “Acredito que isso seja bom, pois pessoas trans e negras raramente tem voz nessas plataformas. Ao mesmo tempo, estão reconhecendo a necessidade de falar sobre esses assuntos”, comemora.

E ela promete novos trabalhos em breve, “Vamos confrontar o senso de normalidade, o padrão e a alienação de quem parece viver na época das pedras”, finaliza. Sucesso!

Assista:


Nenhum comentário

Tecnologia do Blogger.