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Pesquisa comprova que mídia continua reforçando estereótipo de gênero e preconceito nas crianças


POR NLUCON

A sociedade continua dizendo para crianças o que esperam delas quando crescer, baseada nos estereótipos de gênero. Isto é, reforçando que meninos usam azul, meninas rosa, meninos brincam de carrinho, meninas de boneca, o que podem ou não fazer, limitando suas capacidades, potencialidades e reforçando preconceitos.  

É o que comprova a pesquisa Watching Gender: How Stereotypes in Movies ando on TV Impact Kid’s Development, que analisou 150 artigos, entrevistas, livros e outras pesquisas científico-sociais.

Em entrevista à revista Crescer, a psicóloga e psicopedagoga educacional Marisa Irene Siqueira Castanho, conselheira da Associação Brasileira de Psicopedagogia, afirma que a pesquisa também poderia ser aplicada no Brasil. E que o problema é que as crianças entram em contato com essas ideias que as delimitam muito cedo, em um período em que constroem suas referências, solidificando esses paradigmas. Mais tarde, é difícil desconstruir os padrões.

Ela explica que o modelo cisheteronormativo é meramente cultural e que teve origem no século 19. Foi quando a sociedade passou a dar valor à criança e à educação associada a uma ordem social com a família nuclear, instituída pelo casamento e com papéis masculinos e femininos determinados. “O modelo heterossexual assumido nessa ordem social levou ao desenvolvimento de relações sociais dicotômicas que associam ao homem papeis masculinos de força, atividade, agressividade, trabalho, controle de emoções, e ao papel feminino, fragilidade, docilidade, passividade, aceitação”, declarou.

OUTRAS POSSIBILIDADES

A psicóloga explica que não há como blindar as crianças das influências da mídia, porém é possível oferecer outras possibilidades que fogem dos modelos reproduzidos por personagens na ficção. “A escolha das brincadeiras e dos brinquedos pelas crianças funciona como uma espécie de tubo de ensaio daquilo que os homens e mulheres fazem no mundo adulto do trabalho e que pode ser experimentado por elas, ampliando suas experiências e vivências, treinando suas competências, apontamos caminhos e escolhas”.

Ela também diz que é necessário ensinar o seu filho a questionar e a refletir sobre as informações que recebe, seja de um filme, desenho ou propaganda. “As diferenças existem e não são elas o problema. O problema se instala quando, frente às diferenças, as relações de identidade ordenam-se em torno de oposições binárias: masculino/feminino, branco/negro, heterossexual/homossexual, usando-se um dos pares para identificar o que é normal e esperado, em detrimento do outro que é discriminado e tratado com preconceito”.

A publicação diz que é preciso ter isso em mente para que seu filho ou filha aceita o diferente e tenha confiança de ser ele mesmo, independente do que se espera dele ou dela por seu gênero atribuído no nascimento. Sendo assim, deixe que a criança experimente, explore, brinque e questione.


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