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Primeiro beijo de adolescente trans é tema do filme brasileiro "Alice Júnior"


Por Neto Lucon
Foto acima: Lucas Coelho

Diretamente do Recifest, em Recife

Alice Júnior (Beija-Flor Filmes) é o nome do filme brasileiro dirigido por Gil Baroni que vai abordar a história de uma adolescente trans de 17 anos, que vive os dilemas do primeiro beijo (e outras histórias). Ele é protagonizado pela atriz  trans Anne Celestino, e tem previsão de estreia em 2018.

Em conversa com o NLUCON, o diretor afirma que conheceu a história por meio do dramaturgo e ator Luiz Bertazzo e logo de cara se encantou. “Logo quando escutei, falei: ‘quero fazer’. E fomos em busca de achar a Alice”.

Ele conta que encontrou Anne por meio do canal e do blog Trans-Tornada (conheça aqui), que ela escreve e faz vídeos falando sobre a sua vivência. “Em nenhum momento a gente pensou em colocar um artista cis para o papel. Afinal, estamos vivendo em um momento em que precisamos falar sobre essas questões de maneira consciente, informativa, dando voz e espaço para que essas pessoas falem por elas”.

Anne já fez teatro quando criança e voltou a ter novas aulas no Sesc Santo Amaro em 2016. No último ano, esteve perfilada no livro “A História de Brenda e de outras Mulheres”, de Chico Ludermir, e apareceu no documentário “Quem eu Sou” e atuou na peça “Cidade Dorme”. O contato com a equipe da Beija-Flor Filmes se deu inicialmente por Skype e mudou toda a história.

“Inicialmente, eles queriam alguém de Curitiba e eu sou de Recife. Então ficamos conversando pelo Skype e eles falavam para eu ler algumas coisas. Até que em maio de 2016 o Gil disse que eu seria a Alice Júnior. Sendo assim, o roteiro inteiro mudou. A garota de Curitiba de 14 anos passou a ser uma garota recifense de 18 anos que se muda para uma cidade do interior do Paraná”, diz.

Anne e o diretor Gil durante o Recifest, em 2016

Ao comentar a importância da representatividade do papel e de ter sido escalada, Anne defende: “Quando falamos sobre a representatividade trans, as pessoas piram e dizem: ‘o ator pode interpretar qualquer pessoa’. Sim, ele pode, mas deem espaço para que as pessoas trans também interpretem, se representem, estejam lá. Mostramos que uma atriz trans é capaz e pode estar em um grande filme como ‘Alice Júnior’”.

A PERSONAGEM E A ATRIZ

Alice Júnior é uma adolescente trans de 17 anos e muita personalidade que se muda de Recife (PE) para uma cidade do interior do Paraná, a fictícia Araucárias do Sul. A mudança se dá porque o perfumista Jean, pai de Alice, busca na região a essência aromática da lendária Pinha Imperial.

Matriculada em uma escola pra lá de conservadora, o Colégio Selesiano do Coração Sagrado de Nossa Senhora da Redenção, ela vivencia os dilemas de querer dar o primeiro beijo e continuar sendo exatamente quem é. A história será repleta de conflitos, aprendizados e experiências inesquecíveis vividas por uma adolescente trans empoderadíssima. 

“A história fala sobre o primeiro beijo dela e também outras questões. Vamos trazer a questão do bullying da escola, da dúvida se o garoto vai gostar dela, das questões envolvendo a identidade de gênero, orientação sexual, a genitália... É um filme muito lindo porque mostra o que as garotas trans vivem”, declara a atriz.

Anne afirma que desde que leu o roteiro se identifica com inúmeras passagens e problemas vivenciados pela personagem. Mas frisa que apesar das similaridades a personagem lida com a vida de outra maneira. “Por incrível que pareça, eu sou mais tímida, tranquila e ainda não sou totalmente empoderada. E a Alice é mais expansiva, comunicativa e uma verdadeira heroína”, pontua.

Adolescente trans em filme é empoderadíssima

Alice Júnior sonha com o primeiro beijo

O diretor afirma que a atriz tem sido uma grande professora para a equipe. “Além de atuar e dar vida à Alice Júnior, ela ensina a gente com informação e tem evitado darmos vários deslizes”, diz o diretor.

EDITAL E CROWDFUNDING

Inscrito em editais públicos, o filme conseguiu R$ 305 mil para a realização de um telefilme (com duração máxima de 52 minutos e exclusivo para a televisão). PORÉM, eles querem transformar o telefilme em um longa-metragem de aproximadamente 90 minutos e aumentam o orçamento para R$ 195 mil (contanto com todos os custos, inclusive do Catarse).

É por esse motivo que eles lançaram um crowdfunding no Catarse para arrecadar o dinheiro e conseguir fazer o filme virar realidade. O valor servirá para filmarem mais cenas e contar a história completa de Alice Júnior. Se apaixonou pela iniciativa? Você ponde contribuir (e de quebra ganhar vários presentes) clicando aqui. Doou, lacrou!

Assista ao vídeo: 

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