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Wallace Ruy interpreta mulher trans não-binária na série "Toda Forma de Amor"


Por Neto Lucon

A atriz (trans não-binária) Wallace Ruy estará na série “Toda Forma de Amor”, que irá ao ar no início de 2018 pelo Canal Brasil. Na trama escrita por Marcelo Pedreira e dirigida por Bruno Barreto, ela vai interpretar Bianca, uma mulher trans não-binária que trabalha como assistente social.

“A personagem trabalha na Secretaria de Direitos Humanos da Prefeitura. Por entender o funcionamento da rua e da fala da transgeneridade, atua junto com as meninas que se prostituem e estão em situação de rua. Ela vem com a importante questão do cuidar”, declara Wallace ao NLUCON.

Segundo a atriz, Bianca vê em seu trabalho a oportunidade única de se preocupar, informar e atender esta população marginalizada e negligenciada, uma vez que sente na pele a transfobia e sabe o que é estar sem subsídios para uma cidadania plena.

Na série, aparecem diversos relacionamentos envolvendo a população cis e trans de várias orientações sexuais, que se encontram em um grupo de terapia. Dentre elas, a do filho cis de um pastor conservador que se envolve com uma mulher transexual, conforme adiantou o jornal O Globo. Ao mesmo tempo, vários assassinatos em série ocorrem contra as profissionais do sexo travestis e trans, fazendo com que Bianca se envolva de maneira visceral nas histórias.

O enlace desejo e ódio reflete a realidade da população trans brasileira: a mais assassinada em todo o mundo (de acordo com a ong Transgender Europoe) e a mais procurada em sites de vídeo pornô (de acordo com o site RedTube). "Mas não se trata de um assunto atual, pois a transfobia sempre foi uma realidade.  A gente sempre foi assassinada, sempre foi marginalizada, sempre teve um corpo abjeto, mas pouco se falou e se fala sobre nós", pontua a atriz. 



As atrizes Gabrielle Joie, Rita Batata e Wallace Ruy 

NÃO-BINARIDADE

A questão de ser uma mulher trans não-binária – ou seja, ela foi designada homem ao nascer, se identifica enquanto mulher, porém não com o estereótipo de mulher engessado pela sociedade machista e binária – aparece na sinopse e também no discurso da personagem. Tanto que Bianca participa de um grupo de terapia e levanta a discussão da não-binaridade, identidade de gênero, expressão de gênero e orientação sexual.

“Para a gente que fala sobre o assunto parece batido, mas para a grande massa a informação ainda não foi absorvida. Bianca entra nessas discussões e até reavalia a sexualidade dela, os padrões do corpo, se esse corpo orgânico atende a ela ou não. Vai de um discurso além dos conceitos, que são muito importantes, mas de conseguir enxergar o outro de olhos abertos, com representatividade e como seres humanos”, declarou. 

Na vida real, Wallace também é uma mulher trans não-binária. 

A atriz afirma que, além dela, há várias outras artistas trans na série, bem como Gabrielle Joie, Glamour Garcia e Renata Carvalho, além das travestis e mulheres trans da Casa Florescer. E defende que é muito importante investir na representatividade das e dos artistas trans na arte “A temática da série vem contar sobre a multidiversidade do gênero e da sexualidade. Então, estou bem feliz de ver essas meninas todas participando e desta representatividade”, afirmou.



A obra conta com cinco episódios, está em fase de pós-filmagem e edição e deve estrear em janeiro de 2018. Curiosos? 

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