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Elogiada por alunos na TV, diretora trans Paula Beatriz questiona: "Será que escola privada me contrataria?"


POR NLUCON

O programa “Encontro com Fátima Bernardes” abordou no início desta semana o tema trans. E trouxe o militante trans Lam Mattos, a diretora trans Paula Beatriz e a atriz cis Carol Duarte entre os convidados para debater o tema.

O programa mostrou a rotina de Paula, que é diretora da rede estadual de ensino de São Paulo e responsável por mil alunos e 70 funcionários. Sobretudo a relação com as crianças, que demonstraram vê-la como símbolo de respeito e educação.

“Ela está sempre muito bonita”, declarou uma criança. “Ela ensina a não fazer coisas erradas", disse outro. "O que mais eu gosto é que ela importa com o nosso futuro”, concordou outra. “É uma pessoa exemplar, ela é como todas as mulheres”, disse um garotinho. “Se eu continuar assim, vou poder ser uma pessoa muito melhor no futuro”, afirmou mais uma aluna.

No estúdio, Fátima Bernardes concordou que as crianças certamente terão um futuro melhor ao saberem o que significa respeito a diversidade. Paula disse que desde os anos 8 anos sabia que queria ser professora (sim, já no gênero feminino), que a busca por respeito foi fundamental, mas que a transfobia poderia ter barrado todas as conquistas profissionais. 

Ela diz ser uma pessoa privilegiada por estar em uma escola pública, ter passado em um concurso público e faz a provocação: “Será que eu seria contratada em uma escola privada? (O mercado de trabalho) é uma grande dificuldade para nós”.


O militante Lam Mattos falou sobre as dificuldades no ambiente escolar e no mercado de trabalho. Ele frisou que a alta evasão escolar que ocorre com a população trans não se deve pela falta de vontade de estudar, mas pelo preconceito que afeta os alunos e alunas trans. “O ambiente escolar acaba não acolhendo”, frisa. 

Lam também diz que o mercado de trabalho tende a fechar as portas a partir do momento em que pega o documento com o nome e gênero não retificados. “Quando participo de uma entrevista de emprego e descobrem que sou uma pessoa trans, automaticamente eu perco a vaga”, lamenta. 

NOVELA

Carol Duarte contou que vem recebendo muitas mensagens de várias pessoas sobre o personagem Ivana, que se entendeu homem trans nos últimos capítulos da novela “A Força do Querer”, da TV Globo. Muita gente apoiando e outras pessoas ainda não entendendo o que se passa com o personagem.

“As pessoas estão falando coisas bonitas, mas muita gente não está entendendo o que está acontecendo com a Ivana. Muita gente não sabe o que está para vir. Muita gente acha que ela é lésbica, mas isso é diferente: orientação sexual de identidade de gênero”, afirmou.

Lembrando que orientação sexual se refere ao sentimento desejo/afetivo/sexual por outra pessoa (pode ser gay, lésbica, bissexual, pansexual, assexual). E identidade de gênero refere-se à identidade que você se identifica, se reconhece e vivência em sociedade dentro de parâmetros envolvendo gênero (travesti, mulher cis ou trans, homem cis ou trans, não-binário...).


A cena em que Ivana encontra com o homem trans Tarso Brant e também se percebe trans foi comentada. Lam disse que o momento é similar a vários relatos de homens trans quando encontram com outras identidades trans. E que ele mesmo só se entendeu enquanto homem trans aos 21 anos, quando teve um encontro com um homem trans.

“Até eu entender e descobrir que minha identidade ia ser construída, não no gênero que me deram quando eu nasci, foi um longo caminho. Eu tive outra identificação, passei por um processo de orientação sexual, achando que isso era a minha identidade. Até conhecer o primeiro homem trans. Foi um misto de alegria, curiosidade e de encontro mesmo”, declarou.

Já Paula conta que sempre soube de que é uma mulher, que nunca foi oprimida pela família, mas que disse ao mundo que é Paula somente aos 37 anos, em 2005. “Eu estava em depressão e procurei ajuda médica, sabendo de fato o que queria (...) Demorei 37 anos para exteriorizar a Paula por conta da sociedade machista, do medo de perder o emprego, que é uma atividade que eu gosto muito de exercer”, afirmou.

No programa, Lam questionou a fala de que pessoas trans nascem no "corpo errado". “Não é que nós nascemos em um corpo errado. Esse é um termo errado porque dá a sensação de que o errado sou eu. A sociedade é que não aceita a maneira como eu ressignifico o meu corpo a partir do momento em que eu descubro a minha identidade, e como a minha identidade vai ser construída na sociedade. Essa identificação com a Ivana ela é realmente um sentimento comum entre os homens trans e transmasculinos de modo geral. É uma descoberta”.


Fátima frisou que é a quinta vez que o programa aborda a temática trans e que sempre fica a lição de que o melhor caminho é o respeito e a informação.

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