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Fotógrafo Bernardo Enoch faz autorretrato e valoriza detalhes do corpo trans


Por Neto Lucon

Quem mais conhece o próprio corpo que a pessoa que habita dentro dele? Quem disse que corpos trans se resumem aos genitais? Quantas fragmentos temos em comum, ainda assim com suas especificidades?

Foi pensando nessas e outras questões que Bernardo Enoch utiliza da arte da fotografia e do autorretrato para evidenciar detalhes do corpo trans, valorizar as belezas diversas e registrar momentos de sua vida.

Ele fotografa profissionalmente desde 2015, ainda que os primeiros registros apareçam desde 2012, e nesta semana divulgou um novo autorretrato que chamou atenção nas redes sociais. Bernardo diz que o ensaio surgiu depois de vários ensaios com pessoas cis e trans.

"Foi um pouco de tédio com vontade de fotografar algo. Ultimamente estou nessa momento de mostrar cada vez mais corpos trans, fotografando alguns amigos, e do nada estava na na cama tirando fotos minhas. Às vezes é meu inconsciente. Não sei o motivo, mas na hora de editar sempre acabo dizendo algo", declarou.

Desta vez, ele afirma que está confortável com o próprio corpo e que a única coisa que pretende mudar é o peitoral. "Acho que esse autorretrato passa essa ideia. Cansei de binder e não vejo a hora de não precisar mais usar". Sim, nas imagens sem camisa, há uma edição para evidenciar esse momento.


O fotógrafo conta que desde o início sempre tentou ser o seu próprio modelo, mas que o primeiro autorretrato ocorreu acidentalmente, quando estava aprendendo a disparar o flash fora da câmera. "Sem querer disparou duas vezes e saiu uma dupla exposição. A foto ficou meses parada, foi bem no começo da transição. Até que um dia editei nas cores da bandeira trans".

O primeiro autorretrato

Algo muito presente nos cliques de Bernardo é a valorização dos detalhes. Ele explica: "Gosto dessa coisa de montar as coisas. Uma pessoa não é uma coisa só, ela é a junção de muitas outras. Quando você aprende a apreciar cada pedacinho, aprende a apreciar o todo de uma forma surreal. O corpo é isso, muitas coisas, muitos detalhes". 

"Quando fotografo pessoas trans, quero mostrar que não somos só genitais. E que nosso corpo, assim como de qualquer outra pessoa, seja ela o que for, tem os mesmos pedaços (na grande maioria das vezes), mas cada um com suas formas", finaliza. 


Veja outras imagens: 







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