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Homens trans driblam transfobia e trabalham como motoristas em São Paulo


Por Neto Lucon

A transfobia ainda hoje continua fechando a porta em diversas áreas do mercado de trabalho. Mas várias pessoas trans encontram alternativas para driblar o preconceito, conquistar a sua renda e se firmar em alguma carreira.

É o caso de dois homens trans que foram destaque no programa "Profissão Repórter", da TV Globo, deste mês: Rodrigo Schwelling e Kauan Gaspar, que encontraram na profissão de motorista o ganha-pão do dia-a-dia.

Rodrigo conta que anteriormente trabalhou como supervisor de telemarketing e enfermeiro veterinário. Porém, afirma que era obrigado a usar o nome de registro. Após revelar que é um homem trans, ele conta que as oportunidades no mercado de trabalho diminuíram e que já sofreu preconceito em mais de 10 entrevistas.

"Você faz toda a dinâmica da empresa, passa pelos concorrentes e na hora que vai entregar a documentação, eles falam que vão te ligar. E não te ligam", afirmou. Foi por meio de uma empresa de transporte privado que ele conseguiu trabalhar e ajudar nas despesas de casa. Ele é casado há quatro anos com uma mulher cis em São Paulo.



Kauan - que está noivo com uma mulher cis e que mora com a mãe em Mogi das Cruzes, interior - revela que já teve outros trabalhos, mesmo quando passou a se identificar como homem trans, mas diz que conquistou devido ao auxílio de amigos. "Trabalhei com um amigo meu que trabalha em obras e um amigo que tem uma frota de motorista". Lá, ele já trabalha há sete meses.

TRABALHO


O trabalho de Rodrigo começa às 19h e vai até às 2h da manhã. Ele costuma ter até 12 passageiros por dia. "É super-tranquilo. Até agora todos me chamam de moço. Como não fiz nenhuma cirurgia, algumas pessoas ficam na dúvida, mas normalmente não falam nada", declarou.

Os passageiros que apareceram no programa demonstraram apoio: "Acho que quanto mais informação, menor o preconceito", disse um. "Nem sei por que tem esse problema. Não vejo diferença", disse outra.

Já Kauan conta que por morar em uma cidade do interior que grande parte o conhece, já teve alguns momentos de constrangimento. "Às vezes chamam pelo nome de registro. Eu falo: "Kauan". E a pessoa diz: "ai, perdão, desculpa" (...) Depois que você fala que é trans, que é gay, a pessoa se assusta e muda o discurso", afirma.



Ele diz que ganha em torno de 1.800 e diz que o importante é ocupar a cabeça e se sentir útil. "Porque tem essa dificuldade de ficar sem trabalhar, já tem essa dificuldade do preconceito", afirma ele, que chega a receber elogio da empresa por trabalhar durante a madrugada.

OUTRO CASO

Anteriormente, trouxemos o caso de Nathaly Oliveira - uma mulher transexual que passou a trabalhar pelo aplicativo Uber em Cuiabá. “Ser trans nunca me impediu de trabalhar, mas não podia usar meu nome social. Quando fiz meu cadastro na Uber eu pode colocar minha foto feminina e meu nome social. Isso para mim é um grande prazer”, declarou.

Importante: Ela destaca que se sente em segurança pelo aplicativo, uma vez que todos os passageiros são cadastrados - o que acaba inibindo o preconceito. "Caso haja algum registro de transfobia, eu não sou obrigada a continuar a corrida. Eu posso denunciar o passageiro e ele será punido de alguma forma perante as regras da Uber", declarou.

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