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Mulher trans que trabalha como gari denuncia transfobia em companhia no RJ


POR NLUCON

A gari Victórya - que é uma mulher transexual - denunciou na última semana ao jornal O Globo ter sido vítima de transfobia durante o trabalho na Comlurb, companhia responsável pela limpeza urbana no Rio de Janeiro.

Ela trabalha na Comlurb desde 2014, por meio de um concurso público, e alega ter sido impedida de usar o banheiros feminino, sofrer com piadinhas transfóbica e até ter a folha de ponto rasurada.

Victórya diz que tudo começou quando iniciou a transição de gênero pediu para que usasse o banheiro feminino. O direito foi assegurado pela assistência social da companhia. Porém, na gêrencia do Flamengo, ela sofreu represálias de outras mulheres cis e do gerente e teve que voltar ao banheiro masculino.

Segundo ela, o gerente declarou que ela era homem e que tinha que usar o banheiro masculino. Victórya conta que prestou queixa na delegacia e que procurou a Defensoria, que enviou um ofício à Comlurb explicando os direitos das pessoas trans. Ela foi transferida do Flamengo e passou por diversas outras, como a Botafogo, Marechal Hermes, Campo Grande e Mendanha.

"Antes de me transferir, o gerente do Flamengo passa por mim e ria, fazia piada. Outros garis também faziam chacota.Um dia discuti com um gari, que me disse várias palavras chulas e tentou me desmoralizar. Fui à gerência e eles tentaram me colocar como agressora. Depois disso, comecei a ficar doente. Só chorava, não saía da cama", declaro ela ao jornal O Globo.

Ela conta que tentou suicídio duas vezes e que iniciou o tratamento contra a depressão, tendo que trabalhar internamente. A situação piorou quando em junho de 2017 ela percebeu que a folha do ponto foi rasurada para forjar faltas, causando uma suspensão e na perda de cerca de R$ 400 do salário. "Quando entreguei o laudo médico do trabalho, simplesmente meu cartão voltou rasurado e com quatro faltas que eu não tive. Numa delas tomei até uma suspensão, e até hoje eu não sei por que fizeram isso".

ELA VAI PROCESSAR

Victórya procurou David Miranda - vereador gay e considerado um dos defensores dos direitos da população LGBT na Câmara do Rio de Janeiro. Ele está prestando atendimento jurídico e entrando com um requerimento contra a Comlurb. "Também vamos marcar uma reunião com representantes da companhia para que eles promovam treinamentos e melhores a assistência aos funcionários", declarou.

A advogada do gabinete Samara Castro informou que Victórya entrará com duas ações judiciais contra a empresa baseadas nas violações à Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) e aos direitos humanos.

"A primeira coisa a ser feita é tentar reverter os descontos no salário dela e as faltas que ela afirma que colocaram no ponto. A segunda etapa será entrar com uma sindicância para apurar a postura da chefia, que não respeitou o nome social e não permitiu que ela usasse o banheiro feminino, o que a constrangeu e a humilhou, além de colocá-la em situação de risco", afirmou.

Diante das denúncias, a Comlurb enviou uma nota com a frase: "de forma geral nessas situações, sempre respeita a individualidade dos funcionários, inclusive a forma como querem ser tratados". É aguardar...

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