Header Ads

Transserviços

Oi? Professora pede que alunos vão com roupas coloridas e vereadores de Curitiba a acusam de "ideologia de gênero"


POR NLUCON

Alguns políticos conservadores se superam a cada iniciativa contra a população LGBT. Mesmo quando determinada ação não tem qualquer relação direta com o tema. Foi o que aconteceu com seis vereadores de Curitiba ao saberem que uma escola faria uma ação com personagens da Turma da Mônica para falar sobre diversidade.

A confusão se deu quando a professora da turma de pré-escola da CMEI Itacelina Bittencourt, da Vila Guaíra, pediu para que os pais enviassem as crianças com roupas coloridas, pois haveria uma apresentação sobre diversidade. Uma mãe falou com o vereador e pastor de uma igreja evangélica, que por sua vez conversou com outros seis vereadores conservadores evangélicos. 

Resultado: eles foram à Secretaria de Educação reclamar, alegando que as várias cores simbolizam o arco-íris, a bandeira da população LGBT, e que a ação estaria doutrinando crianças para a ideologia de gênero (termo utilizado por conservadores para deslegitimar a identidade de pessoas trans). O vereador Thiago Ferro, do PSDB, é autor do projeto Escola Sem Partido e, com o bilhete da professora em mãos, diz ser favorável à Pré-Escola Sem partido. 

Porém, ninguém da escolinha entendeu sobre o que eles reclamavam, uma vez que o projeto é do próprio governo federal em parceria com o desenhista Maurício de Sousa. O projeto traz personagens diversos da Turma da Mônica e mostra que não há nada de errado em ser diferente. Detalhe: não é mencionado em nenhum momento questões envolvendo orientação sexual e identidade de gênero. 

No projeto, eles até cantam a música: “Negro, branco, pardo ou amarelo / Alto, baixo gordo ou magricelo / Moreno, loiro, careca ou cabeludo / Deficiente, cego, surdo ou mudo (...) A gente é o que é / A gente é demais / A lista é imensa/ Viva a diferença”.

Um profissional de educação, que preferiu não se identificar, declarou ao Gazeta do Povo que a falsa notícia de que o evento dialogava com a diversidade sexual era uma chance de eles fazerem propaganda do projeto Escola Sem Partido. “Mas é um absurdo, não tinha nada com diversidade sexual. Expuseram a escola, expuseram a professora, os alunos. Tudo por uma cruzada política”, afirmou.

A Gazeta declarou que os seis vereadores acabaram ouvindo da prefeitura que um simples telefonema à pré-escola e um tanto de bom senso teriam sido suficientes para que eles não tivessem dedicado tanto tempo e recursos em cima da questão. "Foi esclarecido que o bilhete refere-se a uma atividade sem qualquer relação com ideologia de gênero. As roupas coloridas pedidas pela professora indicam que as crianças não precisarão ir de uniforme. A proposta irá trabalhar Diversidade, um dos temas que fazem parte do projeto 'Um Por Todos e Todos por Um! Pela ética e cidadania".

Ainda assim, a promotora de Justiça Mariana Bazzo, coordenadora do Núcleo de Promoção de Igualdade de Gênero (Nupige), do Ministério Público do Paraná, declarou ao site Banda B que as escolas podem sim ensinar a igualdade de gênero. "Ela visa a desconstrução de determinados estereótipos que fizeram com que a história das mulheres fosse permeada por uma série de opressões. E tudo isso não tem nada a ver com sexualidade".

Nenhum comentário

Tecnologia do Blogger.