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Rapper Natt Maat denuncia transfobia em Centro de Assistência Integrada no Guarujá


Por Neto Lucon
Foto: Fridas


A rapper Natt Maat, nome artístico de Natalia Matos, denuncia ter sido vítima de transfobia no dia 20 de setembro de 2017, durante e após um atendimento no Centro de Assistência Integrada (CAI) no Guarujá, litoral de São Paulo.

Segundo ela, quando foi atendida para obter o Número de Identificação Social, um dos funcionários começou a debochar do fato de ela estar ali e comentar para outra funcionária. Natalia começou a gravar com a câmera do celular e foi questioná-lo sobre o motivo do riso.

O funcionário, então, declarou que não estava rindo dela, mas continuou rindo durante a conversa. Ela destaca ao NLUCON que os risos são constantes na vida de uma travesti e mulher trans e que são uma forma de as reduzir. “Naturalizam o riso para naturalizar uma forma de redução da população trans. Precisam mostrar que se acham superiores e o riso é essa forma violenta de opressão”, diz.

Natalia pediu, então, para conversar com a coordenadora, mas foi avisada que ela estaria em horário de almoço. No dia seguinte, ela retornou ao local para receber uma retratação por ter sofrido discriminação em local público. Porém, ao mencionar o ocorrido, falar sobre a lei estadual 10948/2001 – que pune práticas discriminatórias à população LGBT – ela não recebeu apoio da coordenadora.

Pelo fato de estar gravando a conversa, por medida de segurança, a coordenadora não se atentou à denúncia e disse que ela não poderia filmar a conversa, pois existiria uma lei municipal que proibia. A coordenadora solicitou ainda duas viaturas da Guarda Civil Municipal (GCM). “Quando eles chegaram não consegui filmar nem consegui saber sobre a lei que impedia filmar em órgão público, porém o que houve foi a lei do abuso. O GM Raça me mandou calar a boca, ameaçou me jogar fora da unidade pelo pescoço”.

Natalia saiu do espaço e afirma que se sentiu humilhada e desamparada. “Me senti um lixo, senti que não deveria saber de leis, senti que aquele momento eu não conseguiria fazer mais nada naquele local. Me retirei dali pensando se existem realmente direitos. Nem mesmo meu nome social foi respeitado. Enfim, percebi que não existem leis para pessoas marginalizadas ao quadrado. Mulher transgênero, preta e pobre, sabendo de leis que nem mesmo a GCM e a coordenadora da unidade sabiam”, diz.

A rapper afirma que está avaliando as medidas políticas a serem tomadas para conseguir acesso ao respeito para a população trans e travesti de Guarujá. A Prefeitura declarou ao jornal A Tribuna, em reportagem do jornalista Gustavo de Miranda, que vai apurar o ocorrido para adotar medidas necessárias. Declarou ainda que repudia a discriminação à população LGBT.


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