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Homem trans é vítima de violência e transfobia em consulta ao ginecologista; casos são recorrentes


Por NLUCON

Guilherme Dias Santos, de 21 anos, denunciou em reportagem do UOL a violência que sofreu ao fazer o exame de Papanicolau com uma ginecologista. Ele declarou que há dois anos a médica de um posto de saúde do Rio de Janeiro proporcionou uma das piores experiências de sua vida ao contar que é um homem trans.

“A médica mandou eu tirar a roupa para fazer o exame. E acabou introduzindo o dedo em mim de um modo que não tinha que fazer de jeito nenhum. Questionei e a resposta foi a seguinte: ‘Já que você é homem, tem que fazer esse exame”, referindo-se ao exame de próstata feito por urologistas em homens cis a partir dos 45 anos.

O jovem ficou tão perplexo com a ação da médica que só conseguiu vestiu a roupa, pegar seus objetos e ir embora. Chorou por uma semana inteira, questionando-se qual era a necessidade da médica em ter feito aquele exame. Guilherme nunca mais procurou uma ginecologista, mesmo que seu corpo precise de tal acompanhamento.

E ele não é exceção. Cerca de 85% dos homens trans evitam procurar serviços de saúde, mesmo quando precisam. É o que informa a pesquisa “Transexualidade e Saúde Pública no Brasil”, desenvolvida pelo Núcleo de Direitos Humanos e Cidadania LGBT (NUH-UFMG) e pelo Departamento de Antropologia e Arqueologia (DAA-UFMG).

Dentre os homens trans entrevistados, 50% dizem que não procuram tal atendimento porque tem receio de sofrer preconceito, discriminação ou outro tipo de violência por serem trans. Outros 23,8% já declararam sofrer algum tipo de discriminação e 30,77% contam que tiveram seus nomes sociais desrespeitados.


Vale informar que o fato de um homem trans se identificar com o gênero masculino e ter o direito de ser tratado como tal, seus corpos possuem especificidades (muitos possuem útero, mama...) que os médicos devem entender, atender e acompanhar com responsabilidade. Ou seja, trata-se de um homem que precisa de atendimento de um ginecologista e que esta experiência deve sempre ser feita de maneira sensível e nunca traumática.

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Guilherme não denunciou a violência que sofreu. “não sabia o que fazer. Eu pensei: deixa pra lá, já foi, segue a vida. Mas hoje eu denunciaria”. As denúncias podem ser feitas por meio de boletim de ocorrência em delegacias ou por meio dos Centros de Referência ou núcleos especializados de combate à LGBTfobia do Estado.

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