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PM prende 10 travestis sem que elas tenham cometido crime em São Paulo


POR NLUCON

A Polícia Militar prendeu na tarde de quinta-feira (05) 10 travestis na Praça de República, São Paulo. O caso foi acompanhado pela Coordenação de Políticas LGBT da Prefeitura de São Paulo e constatou que nenhuma havia cometido crime.

“Fizeram boletim de ocorrência de resistência. Mas resistência a quê? À prisão? Por qual motivo queriam prendê-las? Não estavam armadas, não portavam nenhuma droga, a prostituição não é crime, não tinha do que acusá-las”, alegou o assessor jurídico Marcello Galego, da Coordenação.

Após uma reclamação de que elas estariam próximas à uma escola, a PM e o sargento Pires as abordaram e as levaram algemadas para a delegacia dentro de uma viatura da polícia. Segundo os relatos, elas foram tratadas como se fossem homens e moralmente violentadas.

Em um vídeo divulgado nas redes sociais, é possível ver todas dentro da viatura: “Acabamos de ser abordadas, olha a minha amiga algemada, tem uma de menor, 15 anos. Abordada na Praça da República”, diz uma. Até o momento não conseguimos falar com elas. 

O advogado informa que elas ficaram detidas até às 22h porque todas estavam sem o RG e precisavam ser identificadas. Além disso, havia uma menor de idade no grupo, que foi cogitada ser levada para a Fundação Casa. Após as providências, o promotor e o juiz arquivaram o processo referente à menor.

Marcelo afirma que também registrou um boletim de ocorrência por abuso de autoridade do PM e com “possível motivação transfóbica”. A coordenação também vai acionar a lei 10.948, que pune a LGBTfobia, e pedirá as imagens da Praça da República. O processo será encaminhado ao DECRADI (Delegacia de Crimes Raciais e Delitos de Itolerância).

“Também fui extremamente destratado pelos policiais, que chegaram ao ponto de dizer para eu falar com voz de homem. Tive que acionar as prerrogativas da OAB para que passassem a tratar direito e pedir desculpas”, contou.

A notícia foi encarada com espanto pela população trans e travesti e remeteu à antiga Operação Tarântula, nos anos 80. Nela, os policiais costumavam caçar travestis nas ruas, colocá-las em um camburão, bater e deixá-las presas, alegando "vadiagem", simplesmente por serem travestis. 

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